Muse – The 2nd Law

Não que o Muse tenha optado, notoriamente, pela simplicidade ao longo de sua carreira. Músicas espetaculares como “Citizen Erased” e “Stockholm Syndrome” já anunciavam, nas entrelinhas, que o futuro do trio seria grande.

Mas algo naquelas faixas exalavam criatividade e ousadia. Eram pesadas, verdadeiros socos no estômago e, principalmente ao vivo, puxavam catarses coletivas já nos primeiros acordes. E justamente por esse passado mais visceral e orgânico, é um pouco decepcionante notar que o trio inglês optou, novamente, por basear seu novo disco nas pirações espaciais/clássicas/conspiratórias de Matt Bellamy, líder da banda. Mas nem tudo está perdido. Ouvidos mais atentos perceberão uma luz no fim do túnel apocalíptico criado em The Resistance, álbum lançado pelo Muse em 2009.

“Supremacy”, faixa de abertura de The 2nd Law, não gasta 20 segundos para denunciar sua autoria. E em cinco minutos, ela resume bem os últimos quatro anos da carreiro da banda. Porém, o peso da guitarra se sobressai e quase apaga os agudos infernais do vocalista. Na sequência, temos “Madness”, cujo processo de aceitação é curioso: o ouvinte vai da estranheza ao vislumbre em poucas audições. Com um terceiro ato emocionante, ela com certeza entraria num Greatest Hits do Muse. Falando nisso, “Panic Station” provavelmente também faria parte desse seleto hall. Influenciada pelo funk, a banda entrega um groove nunca antes ouvido pelos fãs. O baixo suingado e a bateria marcada fazem você dar leves sacolejadas, inevitavelmente.

So far, so good. A primeira trinca de canções está aprovada. Estaria o Muse prestes a recompensar o dramático e aborrecido The Resistance? Infelizmente, ainda não. Os lampejos de novidade somem assim que “Prelude” e “Survival” assumem o controle. Um salve para quem conseguir ouvir o tema das Olimpíadas de Londres repetidas vezes. Em seguida, “Follow Me” chega dispensando guitarras e acrescentando um pouquinho de vergonha alheia à tal Segunda Lei. O dubstep aparece no refrão, enquanto a letra convida o ouvinte a seguir o vocalista. Não, obrigado.

“Animals” tem começo interessante e resgata arranjos e andamentos do passado. A guitarra – meio latina, até – sola à vontade sobre a bateria sempre precisa de Dominic Howard. Seria um suspiro extra, indicando que o sexto disco do Muse tem salvação? “Explorers” é uma bonita quase-balada, que se controla nos climas grandiosos e é bem-conduzida, com levada mais orgânica e pianos e voz em primeiro plano. Já “Big Freeze” tem cara de que vai deslanchar. Há algum potencial ali – mas a identificação do mesmo é dificultada por conta da previsão de que, algum dia, essa música será tocada em um estádio lotado, com participações de Bono, The Edge e Brandon Flowers.

Nas próximas duas faixas, quem assume os vocais é o excelente baixista Chris Wolstenholme. A intenção é boa, mas… não. Fique no baixo, Chris. “Liquid State”, por exemplo, seria muito melhor aproveitada nas mãos do grupo americano de sludge/stoner rock Baroness.

Assim como em The Resistance, o Muse (a.k.a. Matt Bellamy) resolveu fechar o álbum com mais uma suíte conceitual. E não é satisfatório constatar que o trio está se especializando em se superar negativamente. Com nome apropriadíssimo, “Unsustainable” é daqueles temas que fazem você pensar: “Parem o mundo. Eu quero descer”. A não ser que você seja fã de Skrillex. Nesse caso, “tudo bem”.

No fim, The 2nd Law soa cansativo e, por vezes, com dramas demais. Apesar de contar com momentos memoráveis e de ser, no geral, superior a seu antecessor, o disco evidencia que a banda inglesa ainda se encontra dentro de sua bolha de grandiosidade. Que a terceira ordem seja estourá-la.

  • gosto de “Madness”!

  • Fabrício Luz

    Adoro as resenhas do Move, e essa não seria diferente!! O Neto soube descrever muito bem como foi pra mim ouvir Madness, hahahaha, mas até hoje estou tentando entender essa música.

  • Deborah

    Madness me lembra o Queen!!

  • Kelly

    Rapaz… na minha opinião os melhores álbuns do Muse são o Showbiz, o Origin of Symmetry o Absolution e O Black Holes & Revelations. O que vier depois é lucro. Ainda gosto mais do The Resistance do que do The Second Law porque já gostava do livro antes.

    Mas, for God sake Man!, Bono e The Edge nãããããããããoooo 🙁