Muse – The Resistance

Quem acompanhou todo o processo de criação e divulgação de The Resistance, esperadíssimo disco novo do Muse, desde as primeiras declarações da banda quanto à sonoridade do novo álbum, até os previews de 30 segundos de cada música – passando ainda pelo ARG da música “United States of Eurasia” – não deve ter ficado muito surpreso com o resultado final do quinto disco de estúdio do trio inglês. Todas as propostas iniciais do álbum estão lá: letras com enfoque em conspirações, união das pessoas e, é claro, amor; um clima de grandiosidade beirando o exagero na maioria das faixas; evolução musica; e pianos, muitos pianos.

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The Resistance – que será lançado oficilamente no dia 14 – é o disco mais bem resolvido da carreira do Muse. Matt Bellamy, líder da banda, sacia todos seus desejos de fazer músicas grandiosas e mostra aos ouvintes que se dá tão bem com o piano quanto empunhando sua guitarra. Ele também se arrisca em seu mais ambicioso projeto até agora: o “monstro sinfônico” (palavras do próprio) “Exogenesis” – uma música dividida em 3 partes onde a palavra “megalomania” ronda perigosamente os mais de 12 minutos de orquestrações e lamentos proferidos por Matt. “Cross-Pollination”, a segunda parte da sinfonia, é a que mais se destaca – talvez pelo fato de ter uma participação mais visível dos outros dois membros da banda e por sua letra mais elaborada.

O primeiro single do disco, “Uprising”, mostra que a banda continua, em The Resistance, do lugar em que parou em Black Holes and Revelations, em que a épica “Knights of Cydonia” o fechou brilhantemente. “The Resistance” vem logo na sequência e, apesar de ser bem marcante, sofre de um problema que muitas das 11 faixas do disco sofrem: a duração excessiva e desnecessária. Músicas que poderiam muito bem ter 4 minutos de duração são alongadas na forma de solos de pianos e orquestrações que, com o andamento do disco, se tornam cansativos e fazem canções como “United States of Eurasia”, “I belong to you” e a própria “The Resistance” perderem um pouco do brilho que teriam se fossem mais curtas e com menos “enrolações”.

Felizmente, a vitalidade e energia dos grandes hits que a banda criou em seus dois melhores álbuns – Origin of Symmetry e Absolution – se fazem presentes na excelente dupla de canções “MK Ultra” e “Unnatural Selection” – cujo riff urgente e pesado de guitarra nos remete imediatamente a clássica “New Born“. “Guiding Light”, apesar de certa semelhança com a linda “Invincible” e do sensacional solo de guitarra, é daquelas músicas que você espera o tempo todo, inutilmente, por uma mudança de ritmo – com Dominic desempenhando viradas mais agressivas em sua bateria e Chris ousando mais nos riffs com seu baixo que sempre foi característica marcante em todos os trabalhos da banda.

Quem estranhou à primeira vista “Supermassive Black Hole” mas depois se empolgou muito quando ela foi tocada no show dos caras no Brasil, em agosto do ano passado (Ok, aconteceu comigo), pode ter a mesma sensação com “Undisclosed Desires” – uma das surpresas do disco, mas que pode causar certo estranhamento por conta de sintetizadores à la Timbaland durante toda a canção. O destaque fica por conta de Chris e seus poderosos slaps no baixo e eficientes backing vocals durante o refrão.

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Já tendo conquistado vários prêmios de “Melhor performance ao vivo”  e sendo frequentemente considerada como uma das melhores bandas de rock da atualidade, o Muse lança seu quinto trabalho de estúdio com o “jogo ganho”, praticamente. A aceitação dos fãs foi instantânea e a idolatria à banda atinge níveis gigantescos. Só nos resta torcer para The Resistance ter realmente satisfeito o ego de Matt Bellamy e sua ânsia por sinfonias exageradas e monólogos ao piano. Porque, convenhamos, apesar de o novo trabalho ser indiscutivelmente competente, ter fantásticas canções e ser o disco mais evoluído da banda – musicalmente falando -, o Muse já empolgou mais em seus áureos tempos de “Stockholm Syndrome” e “Thoughts of a Dying Atheist“, por exemplo.

  • brener

    Hummm pois é…. eu só achei esse álbum pretensioso demais, o exagerado alarde antes da festa começar acabou deixando o bolo passar um pouco do ponto…

  • O disco é sim pretensioso. Mas, no geral, ao contrário do Black Holes, a pretensão é calcada em boas canções. Não supera a trinca de primeiros lançamentos, mas pelo menos não atira pra todos os lados como o anterior.

    Outro ponto interessante é que o disco viaja entre o 8 e o 80. Undisclosed Desires é o ponto mais baixo da carreira da banda (e eu gosto de Supermassive, mas tudo tem limite), enquanto a sinfonia de três partes que fecha o disco é uma espécie de Citizen Erased ampliada. Belíssima, um dos melhores momentos da carreira da banda.

    Quanto à duração das músicas, isso me incomodou particularmente em Unnatural Selection. O começo com o riff estilo Newborn é muito bom, mas 4 minutos depois, a música evolui para outros caminhos e força a amizade com 7:05 de duração. Já em United States of Eurasia, eu acredito que o final no piano é um dos highlights do disco.

  • Eu gostei muito do disco, cara. E as partes finais que alongam algumas músicas não me encomoda, salvo United, que é meio inútil.

    Pena que não ganha do Black Holes e do Absolution, mas dá pra se divertir. E o refrão de Resistance é muito espetacular.

  • Diego R. L.

    Pode-se dizer que o Muse se tornou, deu a luz ao “nu-progressive” há um tanto de tempo, agora apenas está deixando-o florecer…

  • Duque

    Eu nãogostei da apresentaão deles no VMA ontem, foi meio… Tedioso.

  • Pois é! Undisclosed Desires é a melhor música do disco.

    Aguardem até ouvi-la ao vivo!

  • Eduardo Azeredo

    Quanto mais eu escuto, mais eu gosto desse álbum.

    Nenhuma novidade, só Muse sendo mais Muse ainda. Só que esse reforço na sua pegada foi muitíssimo bem feito.

    Undisclosed Desires é uma que eu aposto que vai rolar em tudo que é festa agora. E não será má idéia.

    E cantar essas palavras de resistência de Uprising a plenos pulmões deve ser uma delícia!

    E pra quem tem como álbum favorito o Ágætis Byrjun do Sigur Rós e suas músicas que não tem menos de 6 minutos, escutar um álbum com faixas alongadas como o The Resistance é um presente. É ótimo ver os caras querendo fazer um álbum bem com a cara deles, depois de preparar o terreno com o Blackholes, sem ser excessivamente comercial.

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  • Fernando

    Acho legal ouvir as críticas negativas ao novo trabalho do Muse. Realmente me divertem. O uso reduzido de guitarras sempre é um divisor de águas. Nem preciso mencionar que uma grande parte dos “fãs” jamais vão entender a profundidade que é Exogenesis.

  • Michel

    Fui no show e @#$ no resto

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  • spiker

    Nem sei como é que alguém pode dizer que a Undisclosed Desires é a melhor música do album…É definitivamente a mais comercial/catchy/radio friendly, mas está muito longe de ser das melhores do album e da banda.
    Para mim, este The Resistance é um bom album, mas podia ser bem melhor…Há músicas que deixam muito a desejar, como a própria UD, já referida, e Guiding Light, por exemplo.
    Como grande fã de Muse que sou, tenho a certeza de que eles têm capacidade para fazer muito melhor do que apenas canções medianas/razoáveis…
    Os pontos mais altos deste album são sem dúvida a espectacular Unnatural Selection (que remete para aquele que é para mim o melhor album dos Muse – Origin of Symmetry, especialmente a já clássica New Born e até a magnífica Citizen Erased), a não menos óptima MK Ultra (que é quase uma continuação da Map of the Problematique, outra das minhas favoritas deles) e a sinfonia Exogenesis, que demonstra de novo todas as habilidades do Matt ao piano. Outras dignas de registo são a Resistance e I Belong to You, que apesar de serem eficazes, não são obras primas.
    Enfim, é tudo isto que tenho a dizer sobre o album. Contudo, mesmo com um album menos bom, eles não deixam de ser uma grande banda ao vivo.
    Cumps

  • Kiko Saloca

    Eu gostei muito do som do Muse.
    Para ser sincero, não conhecia a banda (ok, ok… desculpem-me…) não conhecia mesmo, até já tinha ouvido uma música mas não tinha me marcado… mas então assisti ao show dos caras no show do U2.
    Sinceramente, entendo o fato de ganharem prêmios de melhor performance ao vivo, pois o show dos caras não deixou nada a desejar, levando a galera a pular em muitas músicas e isso, usando 20% dos recursos do fantástico palco do U2.
    Ouvindo “United State of Eurásia” percebi uma forte, não sei se posso chamar assim, influência do som do Queen. Os acordes do piano de Matt e a grandiosidade das músicas do MUSE lembram mmmmuuuuuuiiiiittttooooo o Queen. Mas isto está longe de ser uma crítica pois na música é normal a influência das bandas e cá para nós… que influência esta hein…
    Será que estamos vendo o nascer de um novo Queen? Grandes vocais, músicas pesadas e muito emocionantes, apresentações marcantes, pianos destruidores… vou acompanhar a evolução desta banda de perto, pois, como roqueiro veterano, assumo que muito me atraiu o som do MUSE, e a apresentação deles… avassaladora.
    Acho que só falta achar “O” produtor para os caras, aquele que vai dar aquela arrematada final, assim como Steve Lillywhite foi para o U2, ou como Quincy Jones foi para Michael Jackson. Isso não tem jeito. Enquanto não aparece a alma gêmea como produtor de uma banda, a banda não vira Pokemon, pára de evoluir e cai na mesmisse.

    Boa sorte Muse, vocês ganharam mais um fã.

    Kiko Salôca