Sep 13 2009
Muse – The Resistance
Quem acompanhou todo o processo de criação e divulgação de The Resistance, esperadíssimo disco novo do Muse, desde as primeiras declarações da banda quanto à sonoridade do novo álbum, até os previews de 30 segundos de cada música – passando ainda pelo ARG da música “United States of Eurasia” – não deve ter ficado muito surpreso com o resultado final do quinto disco de estúdio do trio inglês. Todas as propostas iniciais do álbum estão lá: letras com enfoque em conspirações, união das pessoas e, é claro, amor; um clima de grandiosidade beirando o exagero na maioria das faixas; evolução musica; e pianos, muitos pianos.
The Resistance – que será lançado oficilamente no dia 14 – é o disco mais bem resolvido da carreira do Muse. Matt Bellamy, líder da banda, sacia todos seus desejos de fazer músicas grandiosas e mostra aos ouvintes que se dá tão bem com o piano quanto empunhando sua guitarra. Ele também se arrisca em seu mais ambicioso projeto até agora: o “monstro sinfônico” (palavras do próprio) “Exogenesis” – uma música dividida em 3 partes onde a palavra “megalomania” ronda perigosamente os mais de 12 minutos de orquestrações e lamentos proferidos por Matt. “Cross-Pollination”, a segunda parte da sinfonia, é a que mais se destaca – talvez pelo fato de ter uma participação mais visível dos outros dois membros da banda e por sua letra mais elaborada.
O primeiro single do disco, “Uprising”, mostra que a banda continua, em The Resistance, do lugar em que parou em Black Holes and Revelations, em que a épica “Knights of Cydonia” o fechou brilhantemente. “The Resistance” vem logo na sequência e, apesar de ser bem marcante, sofre de um problema que muitas das 11 faixas do disco sofrem: a duração excessiva e desnecessária. Músicas que poderiam muito bem ter 4 minutos de duração são alongadas na forma de solos de pianos e orquestrações que, com o andamento do disco, se tornam cansativos e fazem canções como “United States of Eurasia”, “I belong to you” e a própria “The Resistance” perderem um pouco do brilho que teriam se fossem mais curtas e com menos “enrolações”.
Felizmente, a vitalidade e energia dos grandes hits que a banda criou em seus dois melhores álbuns – Origin of Symmetry e Absolution – se fazem presentes na excelente dupla de canções “MK Ultra” e “Unnatural Selection” – cujo riff urgente e pesado de guitarra nos remete imediatamente a clássica “New Born“. “Guiding Light”, apesar de certa semelhança com a linda “Invincible” e do sensacional solo de guitarra, é daquelas músicas que você espera o tempo todo, inutilmente, por uma mudança de ritmo – com Dominic desempenhando viradas mais agressivas em sua bateria e Chris ousando mais nos riffs com seu baixo que sempre foi característica marcante em todos os trabalhos da banda.
Quem estranhou à primeira vista “Supermassive Black Hole” mas depois se empolgou muito quando ela foi tocada no show dos caras no Brasil, em agosto do ano passado (Ok, aconteceu comigo), pode ter a mesma sensação com “Undisclosed Desires” – uma das surpresas do disco, mas que pode causar certo estranhamento por conta de sintetizadores à la Timbaland durante toda a canção. O destaque fica por conta de Chris e seus poderosos slaps no baixo e eficientes backing vocals durante o refrão.

Já tendo conquistado vários prêmios de “Melhor performance ao vivo” e sendo frequentemente considerada como uma das melhores bandas de rock da atualidade, o Muse lança seu quinto trabalho de estúdio com o “jogo ganho”, praticamente. A aceitação dos fãs foi instantânea e a idolatria à banda atinge níveis gigantescos. Só nos resta torcer para The Resistance ter realmente satisfeito o ego de Matt Bellamy e sua ânsia por sinfonias exageradas e monólogos ao piano. Porque, convenhamos, apesar de o novo trabalho ser indiscutivelmente competente, ter fantásticas canções e ser o disco mais evoluído da banda – musicalmente falando -, o Muse já empolgou mais em seus áureos tempos de “Stockholm Syndrome” e “Thoughts of a Dying Atheist“, por exemplo.





















Hummm pois é…. eu só achei esse álbum pretensioso demais, o exagerado alarde antes da festa começar acabou deixando o bolo passar um pouco do ponto…
O disco é sim pretensioso. Mas, no geral, ao contrário do Black Holes, a pretensão é calcada em boas canções. Não supera a trinca de primeiros lançamentos, mas pelo menos não atira pra todos os lados como o anterior.
Outro ponto interessante é que o disco viaja entre o 8 e o 80. Undisclosed Desires é o ponto mais baixo da carreira da banda (e eu gosto de Supermassive, mas tudo tem limite), enquanto a sinfonia de três partes que fecha o disco é uma espécie de Citizen Erased ampliada. Belíssima, um dos melhores momentos da carreira da banda.
Quanto à duração das músicas, isso me incomodou particularmente em Unnatural Selection. O começo com o riff estilo Newborn é muito bom, mas 4 minutos depois, a música evolui para outros caminhos e força a amizade com 7:05 de duração. Já em United States of Eurasia, eu acredito que o final no piano é um dos highlights do disco.
Eu gostei muito do disco, cara. E as partes finais que alongam algumas músicas não me encomoda, salvo United, que é meio inútil.
Pena que não ganha do Black Holes e do Absolution, mas dá pra se divertir. E o refrão de Resistance é muito espetacular.
Pode-se dizer que o Muse se tornou, deu a luz ao “nu-progressive” há um tanto de tempo, agora apenas está deixando-o florecer…
Eu nãogostei da apresentaão deles no VMA ontem, foi meio… Tedioso.
Pois é! Undisclosed Desires é a melhor música do disco.
Aguardem até ouvi-la ao vivo!
Quanto mais eu escuto, mais eu gosto desse álbum.
Nenhuma novidade, só Muse sendo mais Muse ainda. Só que esse reforço na sua pegada foi muitíssimo bem feito.
Undisclosed Desires é uma que eu aposto que vai rolar em tudo que é festa agora. E não será má idéia.
E cantar essas palavras de resistência de Uprising a plenos pulmões deve ser uma delícia!
E pra quem tem como álbum favorito o Ágætis Byrjun do Sigur Rós e suas músicas que não tem menos de 6 minutos, escutar um álbum com faixas alongadas como o The Resistance é um presente. É ótimo ver os caras querendo fazer um álbum bem com a cara deles, depois de preparar o terreno com o Blackholes, sem ser excessivamente comercial.
[...] Muse segue firme na divulgação de The Resistance, seu novo disco. Depois de se apresentarem no VMA na noite do último domingo, o trio inglês [...]
[...] Além da trilha de New Moon, que entram com I Belong to you, oitava faixa no novíssimo álbum, Resistance, é deles, na minha opinião, um dos melhores clipes de 2009, [...]
Acho legal ouvir as críticas negativas ao novo trabalho do Muse. Realmente me divertem. O uso reduzido de guitarras sempre é um divisor de águas. Nem preciso mencionar que uma grande parte dos “fãs” jamais vão entender a profundidade que é Exogenesis.
Fui no show e @#$ no resto
[...] banda, em plena divulgação de seu último disco, The Resistance, tocou o primeiro single do álbum, “Uprising” – música que eu e você já [...]
Nem sei como é que alguém pode dizer que a Undisclosed Desires é a melhor música do album…É definitivamente a mais comercial/catchy/radio friendly, mas está muito longe de ser das melhores do album e da banda.
Para mim, este The Resistance é um bom album, mas podia ser bem melhor…Há músicas que deixam muito a desejar, como a própria UD, já referida, e Guiding Light, por exemplo.
Como grande fã de Muse que sou, tenho a certeza de que eles têm capacidade para fazer muito melhor do que apenas canções medianas/razoáveis…
Os pontos mais altos deste album são sem dúvida a espectacular Unnatural Selection (que remete para aquele que é para mim o melhor album dos Muse – Origin of Symmetry, especialmente a já clássica New Born e até a magnífica Citizen Erased), a não menos óptima MK Ultra (que é quase uma continuação da Map of the Problematique, outra das minhas favoritas deles) e a sinfonia Exogenesis, que demonstra de novo todas as habilidades do Matt ao piano. Outras dignas de registo são a Resistance e I Belong to You, que apesar de serem eficazes, não são obras primas.
Enfim, é tudo isto que tenho a dizer sobre o album. Contudo, mesmo com um album menos bom, eles não deixam de ser uma grande banda ao vivo.
Cumps