My Bloody Valentine - m b v

My Bloody Valentine
m b v

m b v

Lançamento: 02/02/13

Se já é sabido que a figura-mor do shoegaze é o My Bloody Valentine, certeza não é tanta quando o assunto gira em torno do primeiro lançamento do estilo. Seria realmente Isn’t Anything o primeiro álbum do shoegaze? Difícil afirmar com toda a certeza. Mas é mais difícil dizer que Loveless, clássico do MBV de 1991, é o último lançamento do estilo, já que foi ele o grande influenciador de tudo que viria a seguir e tentava levantar a bandeira do estilo – ou, simplesmente, atingir uma sonoridade tão suja quanto agradável que Kevin Shields e seus companheiros conseguiram. Mas, sim, Loveless foi provavelmente o último lançamento do shoegaze.

Isso pode ser afirmado a partir do momento que nada de muito inventivo foi feito após esse lançamento – isso se deve à limitação do estilo (ainda que seja tão agradável e brilhante) que o próprio Shields desenvolveu. Não adianta chamar de nu-gaze, ou seja lá do que for, as novas “invenções” dentro da proposta feita lá no fim de 80 / início de 90 – o que tinha que ser feito já foi feito. Já temos o maior clássico e exemplo do estilo para sempre, e ele foi lançado há mais de 20 anos. Veja bem, isso não é nada ruim. Tanto não é que Kevin Shields, sabendo disso, resolve surgir depois de décadas de promessas não cumpridas com m b v, um álbum tão “continuação” daquilo que foi feito em seu último lançamento que até sugere, durante as faixas, aquilo que naturalmente já foi construído pelas bandas que vieram a seguir e beberam tanto da água que ele ofereceu.

O passo é desenvolver algo dentro das propostas do shoegaze como se aquilo tivesse ficado intocado lá desde 91. E como aconteceu com diversos desses trabalhos inspiradíssimos em Loveless, o novo álbum dos irlandeses não passa de uma tentativa de desenvolver novidades em um estilo que não se mostra tão disposto a isso – o shoegaze deixou poucas portas abertas, e um monte de coisas boas e médias estão batendo pra poder entrar (as ruins nem sabem o caminho). O m b v é um desses trabalhos bons que giram a maçaneta e entram, mas que não trazem novidade como um presente embaixo dos braços.

Mesmo sem um “agradinho” especial para os ouvintes, m b v não decepciona por ser o melhor do que se pode ter para quem é tão fã do trabalho do My Bloody Valentine. Dava pra esperar algo realmente genial e totalmente renovado deles? Acho que não e que nem queríamos. A inferioridade tão evidente quando comparado ao lançamento de 91 também se deve ao tempo passado – o clássico exige longevidade e “batê-lo” exige tempo. Mas não dá pra pontuar exatamente onde o disco perde. Faixas como a arrastada “She Found Now”, que abre o disco, e as familiares “Only Tomorrow” e “Who Sees You”, que vêm adiante, não renovam, porém trazem aquele brilho difuso que esperamos do quarteto. A fácil “New You” é outra que repete e por isso soa tão agradável. O looping “Nothing Is” enche o saco da primeira vez, é verdade, mas de alguma forma tem o seu valor, principalmente porque nos carrega diretamente para a confusa “Wonder 2”, uma viagem musical que parece vir de helicóptero (ouça com fones de ouvido).

Estranhamente, e não por ser ruim, com o novo lançamento, vem uma vontade imensa de ouvir Loveless de novo. E quando você voltar pra ele, corre o risco de ficar preso por lá. Então tome muito cuidado e não vá fechar os olhos e senti-lo demais, senão você já sabe: não vai ter como não amá-lo. Sendo assim, pegue o m b v na sequência, porque é isso que ele sugere: apenas uma sequência. E essas são sempre as mais ingratas de engolir.

Leia também

  • Dissilábica

    não