Neil Young - Hitchhiker

Neil Young
Hitchhiker

Reprise Records

Lançamento: 08/09/2017

Neil Young é um dos maiores cantores e compositores de sua geração, mas o artista também é conhecido por abandonar projetos sempre que começa a se sentir entediado, de turnês com os companheiros do Crosby, Stills, Nash & Young a lendários discos gravados durante a década de 70. Hitchhiker é um desses discos e, 41 anos após sua gravação, o projeto finalmente foi lançado.


Hitchhiker é permeado por um tom intimista e foi gravado durante um único dia em agosto de 1976. O trabalho parece uma continuação natural do que Young vinha produzindo desde o começo da década de 70. Após o sucesso avassalador de Harvest (1972), On the Beach (1974) segue pelo caminho da autorreflexão da ressaca pós-verão do amor, e Tonight’s the Night (1975) preza pela crueza da produção, característica que seria cada vez mais presente em seus trabalhos posteriores. Portanto, Hitchhiker não é um ponto fora da curva, e sim um uma obra natural quando analisamos as diferentes excursões de Young durante aquela década.

Algumas das canções são velhas conhecidas dos fãs, já que foram retrabalhadas e inseridas em discos como Comes a Time (1978) e Le Noise (2010). É interessante ouvir a versão original das faixas para perceber a versatilidade de cada umas delas. A homônima “Hitchhiker” é tão boa quanto a versão sônica cheia de guitarras apresentada em Le Noise, mostrando a habilidade de Young em ir da calmaria ao caos. “Pocahontas” (escrita em 20 minutos), “Ride my Llama” e “Powderfinger” apareceram sem grandes mudanças em Rust Never Sleeps (1979), com a exceção de alguns overdubs na primeira faixa. O disco ainda conta com “Human Highway” que já está entre as preferidas dos fãs desde meados da década de 70 e “Campaigner”, com sua letra sobre a América de Nixon.


Apenas duas faixas são inéditas, “Give me Strenght” é uma balada confessional sobre o término de seu relacionamento. Nela, o cantor pede forças para seguir em frente. “Hawaii” possui um refrão que pode ser facilmente imaginado nas harmonias de vozes de Crosby, Stills, Nash & Young e uma letra confusa sobre um homem indesejado.

Em todas as canções, Neil canta de forma solta e vulnerável, como o retrato sincero de um homem desiludido com o amor, a política e sua vida em geral.

Neil Young deve ter seus motivos para ter guardado essas canções durante quatro décadas, mas ao ouvi-las, é difícil acreditar que alguém privaria o público de um material tão bom. Só nos resta torcer para que o compositor continue lançando seus tesouros escondidos.

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