Nevilton - Sacode!

Nevilton
Sacode!

Independente

Lançamento: 01/03/13

Existe um fator muito influenciável na paixão dos ouvintes por certas músicas que transcende qualquer conhecimento teórico ou mesmo experiência: é “bater o santo”. Por vezes, você ouve uma banda ou alguma música e não entende, mesmo sendo capaz de enxergar todo diferencial dela e apontar suas qualidades, o porquê de não conseguir abraçar aquilo pra você. Claro que “bater o santo” envolve conhecimento, técnica, experiência, gosto e diversos outros pontos, mas existe um ponto “x” que complementa esse fator. Não sendo possível explicar esse ponto assim tão facilmente, resta apenas aceitá-lo. E foi assim que simplesmente aceitei que não conseguia apreciar a banda Nevilton – faltava algo no EP de estreia e no álbum De Verdade, de 2011, que me permitisse gostar da banda, simplesmente por eles serem carismáticos demais, mas que me afastava de sua música, por não… por não… não bater o santo mesmo. Faltam essas palavras, mas ainda bem que não preciso mais delas, já que Sacode!, o novo lançamento dos umuaramenses, é o carisma que tanto me fazia admirá-los em forma de boas canções.

Tendo a esperteza na composição, que já era visível nos primeiros trabalhos, aliada a uma experiência que esses anos que se passaram trouxeram, o Nevilton une arranjos simples e bem pensados (e o bom tratamento da produção mais que competente de Carlos Eduardo Miranda) com letras despojadas, que não querem soar engraçadinhas, mas são de simplicidade tocante – daquelas que são tão raras no rock nacional e que, felizmente, vêm sendo mais valorizadas.  Algo que surge pela admiração ao Graforréia Xilarmônica ou mesmo ao maior desses, Raul Seixas.

Ecos de Pavement e Supergrass se misturam a Jorge Ben em momentos para dançar, como nas faixas “Sacode”, “Só pra Dizer”, “Satisfação”, mas principalmente em “Noite Alta”, que até daquele vocal preguiçoso de “Benjor” Nevilton de Alencar usa. Mas quando o assunto é sacudir, nada é melhor que “Bailinho Particular” – não víamos um forró ficar tão bem disfarçado de bom punk rock desde os Raimundos.

O balanço não é abandonado em outras faixas, mas o que temos em sua maioria é um bom rock – simples, porém não repetitivo. E esse formato básico, que muito se contrasta quando comparado aos outros destaques da cena alternativa nacional, que buscam na “complexidade” tradicional da música nacional a resposta para ter um diferencial, é o que movimenta o disco do Nevilton – e brilha mais em momentos como a singela “Jardineiro”, a explosiva “Até Outra Vez”, a supergrassiana “Porcelana” e a bela “Vou Ver o Mar”. E não brilha tanto em faixas como “Crônica” e “Friozinho”, por exemplo, exatamente por deixar faltar um certo diferencial.

E o álbum se encerra com a sensível “Espero Que Esteja Melhor” quase parecendo um recado para mim: “É, cara, diz aí agora que o santo não bateu?”. Se eu precisava dar uma segunda chance ao Nevilton, e digo “segunda chance” para mim mesmo, não poderia ter melhor momento do que esse – apenas preocupados em fazer boas canções, já que o carinho e o carisma com o público eles já tinham, sobrou espaço para boas criações. Longe da preguiça que repousa sob diversas bandas de pop rock do país, o trio encarou o desafio de fazer do simples, o extraordinário. E aí não só fez o santo bater, como também sacudir.

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  • Danilo

    Eu entendo perfeitamente o que quer dizer. Eu gostei dos primeiros trabalhos do Nevilton, tinha atitude, boas composições e tals, mais ainda tinha esse “X” que segurava a banda, algo sonoro, que não dava para explicar mesmo, e vou escutar esse novo agora, só agora tive oportunidade, e pelo que parece vai ser uma boa surpresa.

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