Nick Cave And The Bad Seeds - Skeleton Trees

Nick Cave And The Bad Seeds
Skeleton Trees

Bad Seed Ltd.

Lançamento: 09/09/2016

Muitas vezes as cores se relacionam com os sons. Essa mistura não gera necessariamente tons vivos e fortes, muitos artistas produzem apenas o preto e o branco. Entre eles, Nick Cave. O poeta da escuridão, como também é conhecido, é atuante na música desde 1973, explorando diversos gêneros, fases e caminhos. Em 2016, Nick Cave and the Bad Seeds lança Skeleton Tree, o mais novo trabalho do grupo que se apresenta de forma desigual, já que One More Time With Feeling, um longa-metragem, também faz parte desse enredo. Nick não restringiu sua sensibilidade a um disco novo, mas também a um projeto encabeçado por Andrew Dominik. O diretor trouxe toda a dramaticidade das músicas do álbum para a composição geral do filme. One More Time With Feeling foi filmado tanto em preto e branco, quanto colorido e tanto em 3D, quanto 2D. Esse sortimento técnico contribuiu para uma recepção mais plural por parte dos fãs do australiano, levando-se em conta que a obra foi vista por mais de 125 mil pessoas pelo mundo e teve um excesso de 1,7 milhões de dólares ao redor de 30 países onde foi mostrado.

O filme, que é uma co-produção entre Iconoclast e Pulse Films, com associação de JW Films e produzido por Dulcie Kellett e James Wilson, apresenta um músico desorientado em meio à falta de clareza. Esse cenário foi visto no dia 8 de setembro em mais de 824 telas. Além disso, One More Time With Feeling foi premiado no Venice Film Festival, no mês de setembro. Ele conta com entrevistas e filmagens que dão forma à composição de Skeleton Trees, tudo isso narrado pelo próprio Nick Cave. Talvez a voz do músico penetre mais pelo disco, do que pelo filme. Então, vamos a ele!

“Jesus Alone” vem meio sem forma, com um ritmo carregado de vários outros ritmos costurados. Há um Nick quase falante, não cantor, o que passa uma certa impressão de fala sozinha e desesperada. “Girl in Amber” mantém a linha falante do músico. Há uma inconstância vocal que talvez crie uma única entonação bruta, diante da tristeza. Ouve-se “If You Want Bleed, Just Bleed”. Tem mais resignação em “Anthrocene”, música sombria e mansa que diz “All The Things We Love, We Lose”. Bom, imagine perder as esperanças e o amor e viajar para um céu distante. É justamente disso que trata “Distant Sky”, faixa 7. A música fala sobre a fuga de sonhos não realizados para um céu distante. Muito sentimentalismo e profundidade que se apresentam devagar, ao passo que cada estrofe é articulada e cada instrumento revela um ritmo calmo.

 

O trabalho de Nick, além de sombrio, sempre emitiu calma e quietude.  The Boat’s Man Call, disco de 1997 e um dos mais cultuados do artista, corrobora isso em 12 faixas. “Skeleton Tree”, faixa que leva o mesmo nome do disco, se assemelha às músicas lançadas em 97 pelos Bad Seeds. Além disso, talvez seja a faixa mais digerível e comercial do disco, o que não tira em nada o seu mérito. Existe um outro lado do álbum mais amparado por barulhos do que calmarias. A música “Magneto” abusa da experimentação sonora, aliada com o clima soturno, presente em todo o disco. Letra confusa, que fala de amor, mas não separa a alucinação da realidade. “My monstrous little memory had swallowed me whole”. Tem mais confusão, sonora e sentimental, em “Rings of Saturn”, música sustentada por piano, backing vocals e barulhos indefinidos que dão uma estranheza (muito bem vinda) à ela. Por último, “I Need You”, típica música que remete à repetição em looping, I Need You enche o peito e pode confundir os suspiros do ouvinte com os que embalam o refrão.

Lançado em 9 de setembro, o disco Skeleton Tree é número 1 na  Amazon Music, segundo no iTunes e recebeu comentários de The Guardian, The Independent, The Evening Standard, NME e The Telegraph. O álbum deu à banda sua mais alta posição até então no Reino Unido, 2 (OCC) e EUA, 27 (Billboard).