No Age - An Object

No Age
An Object

Sub Pop

Lançamento: 19/08/13

Em 2008, o No Age lançou Nouns, seu primeiro álbum propriamente dito (o Weirdo Rippers, de 2007, era uma coletânea de músicas já lançadas em vários EPs e singles). Foi um disco ótimo que definiu basicamente o estilo da dupla: canções curtas, barulhentas, pouco afeiçoadas às formas tradicionais de composição e propensas a sair pelas tangentes mais inusitadas. Seria possível pensar neles como uma versão miniatura do Sonic Youth, ou como um White Stripes mais reflexivo tocando com amplificadores estragados. No disco seguinte, Everything in Between, de 2010, Randy Randall e Dean Spunt tentaram limpar e organizar melhor suas ideias musicais, e isso fez tanto bem quanto mal: por um lado, as canções eram mais concisas, mas por outro a banda perdia aquela sensação divertida de imprevisibilidade que tornava seu primeiro trabalho tão divertido. Em An Object, a dupla parece voltar à forma de compor de Nouns, mas trazendo do segundo disco uma bagagem muito interessante.

Faixas como “I Won’t Be Your Generator” e “C’mon, Stimmung” (que tem um barulho tão estranho no “refrão” que talvez te leve a pensar que a sua caixa de som está com problema) tem aquele som lo-fi que os fãs já conhecem bem, mas são mais claras e diretas do que qualquer coisa do Nouns – o que mostra que a tentativa de escrever canções mais objetivas em Everything in Between ensinou alguma coisa aos californianos. Mas o formato geral do álbum é muito mais próximo do Nouns: com onze faixas ao longo de trinta curtos minutinhos, o disco parece uma pequena exposição de fotografias: cada faixa contribui para formar um conjunto genialmente equilibrado, e pode ser admirada individualmente sem que o tema geral se perca.

“Lock Box” e “Circling With Dizzy” se encaixam tranquilamente entre as faixas roqueiras e imediatas da banda. Nelas, os vocais de Spunt têm uma potência surpreendente, ainda mais pela forma como eles contrastam com a forma mais tímida como ele cantava em algumas faixas do disco anterior, como em “Common Heat” e na linda “Chem Trails”. Esse lado mais tímido e tranquilo aparece aqui também, em “Running From A-Go-Go” (cujo arranjo simples enfatiza a solidão de que a letra fala) e na bela “An Impression”, que tem o que parece ser um surpreendente arranjo de cordas no meio.

Mas de forma geral, esse parece ser o disco da dupla que menos depende de ruído para chamar a atenção. Mesmo a belamente intitulada “A Ceiling Dreams Of a Floor”, que é coberta por uma névoa de guitarras e distorção, ainda é menos sideral que músicas como “Positive Amputation” e “Keechie”, dos trabalhos anteriores, cujos principais atrativos eram os oceanos de sons sob os quais o ouvinte ficava soterrado. Das canções mais etéreas que o grupo costumava fazer, o breve interlúdio “My Hands, Birch and Steel” é um dos poucos traços que restou. Se antes sempre havia pelo menos uma faixa que justificava uma comparação da banda com o My Bloody Valentine, aqui essa comparação já não faz mais tanto sentido, e isso é um indício do quanto a dupla conseguiu aprofundar sua identidade. Por conta disso, quando o ruído vem para o primeiro plano, como ocorre no final do álbum, em “Commerce, Comment, Commence”, o efeito é muito mais marcante.

Essa faixa (que, com apenas quatro minutos, consegue ser a mais longa da carreira da dupla) encerra belamente o disco mostrando que, em An Object, o No Age conseguiu aplicar todas as lições que aprendeu ao longo dos últimos dois discos e cinco anos. Mais uma vez, Randall e Spunt conseguiram a rara proeza de fazer um disco barulhento que, apesar da estranheza, não cansa nem um pouco os ouvidos. Ele tem a mesma objetividade de seu antecessor e a mesma estrutura errática e surpreendente do Nouns, e por conta disso pode ser considerado o disco mais completo da dupla.

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