No radar de Fortaleza: conheça alguns dos novos sons que estão ecoando pela capital cearense

Capitão Eu ao vivo

Nos últimos anos, a cena musical de Fortaleza deu um grande salto. Algumas bandas conquistaram espaço na música brasileira e deixaram a capital cearense com uma miscelânea de sons variados e enriquecedores. A seguir, iremos conhecer cinco desses novos artistas e o tipo de musicalidade que eles exploram.

Capitão Eu E Os Piratas Vingativos

capitão eu

Foto: Thyago Souza

Ahoy, marujos. A Capitão Eu e os Piratas Vingativos, formada por Matheus Vale (voz e guitarra), Luan Vasconcelos (guitarra e voz), Felipe Barbosa (baixo e voz) e Matheus Brasil (bateria), foi formada no final de 2011 com um simples objetivo em comum: a música. Influenciada por bandas como Arctic Monkeys, The Strokes, Black Keys, Cage The Elephant e Vivendo do Ócio, a Capitão Eu já lançou dois EPs e um CD, produzidos de forma independente e gravados pelo próprio baterista, além da pré-produção de seu primeiro clipe musical. Questionada sobre a escolha do nome, a banda disse: “Estávamos querendo um nome grande, algo que se destacasse. Chegamos em “Capitão Eu” pelo simples fato de que faz com que todas as pessoas que curtem a banda se sintam na mesma tripulação, unidos pela música. “Piratas Vingativos” veio da nossa vontade de querer “se vingar” de todas as coisas que somos obrigados a ouvir, ver, sentir… Assim ligamos um ao outro e formamos “Capitão Eu e Os Piratas Vingativos””. A banda se apresenta regularmente no Órbita Bar (responsável por divulgar nomes promissores de Fortaleza, como o Selvagens à Procura de Lei) e já fez shows em grandes eventos como o Ceará Music. Capitão Eu e os Piratas Vingativos é uma daquelas bandas que tem a rara capacidade de produzir músicas com as quais as pessoas se identificam e fazer com que o público se sinta parte dessa tal “tripulação”. As letras abordam diversos temas – os atuais são instigantes, causam um verdadeiro fervor. Apesar disso, não abandonam os temas de praxe, como o amor, amizade, juventude e até mesmo os mais sórdidos, como o turismo sexual – problema muito grave na capital cearense – e questionamentos ao governo, com intertextualidades incríveis que se encaixam perfeitamente nos riffs e nos vocais. Se o rock de Fortaleza tem uma cara, é o rosto que a Capitão Eu está mostrando.

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Download do primeiro disco

Barbearia Noturna

barbearia noturna

Amigos de longas datas, os caras da Barbearia Noturna decidiram montar a banda quando seus projetos individuais não mostraram resultados. Vitor Bessa (guitarra), Marco Castelo (baixo e vocal), Gabriel Dias (guitarra) e Victor Freitas (bateria) tocaram juntos pela primeira vez em um festival de colégio, em 2011. As influências do grupo vão do pop punk ao rock clássico, passando pelo blues e pelo indie rock. Bandas brasileiras como o Supercombo e Rancore também são citadas. A Barbearia Noturna começou a ganhar espaço no cenário musical de Fortaleza depois do Coverama, festival de bandas covers, tocando músicas do Arctic Monkeys. Porém, eles já tinham faixas autorais e o baterista da Capitão Eu e Os Piratas Vingativos, Matheus Brasil,  começou a produzir o primeiro EP da banda de forma independente, que está em andamento. O single “Apenas Mais Um Cara Que Não Quer Morrer” já está disponível no Soundcloud. As letras são histórias imaginárias, assim como o nome da banda. Segundo Marco, “Eu sempre gostei de imaginar histórias. Nem as escrevo. Só guardo na cabeça mesmo. E uma dessas histórias se passaria na Inglaterra no fim do século IXX, com um gentleman saindo de casa tarde da noite. A esposa dele o interrompe e pergunta aonde ele vai. Ele diz que vai só se barbear na Barbearia Noturna. E quando ele chega lá, a Barbearia Noturna é um bordel.” Misture relacionamentos desgastados, revanche, amor, harmonias e arranjos poderosos com o inconfundível sotaque cearense e voilà! Temos uma banda promissora e com um som original.

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Assalto Ao Céu

assalto ao céu

Jean Vitor (bateria), Paulo Roberto (vocal e guitarra) e Alan Soares (baixo) formam o Assalto Ao Céu. O trio começou a tocar junto em janeiro de 2012 em casas de show como o Black Jack Club e Baladeyra Music Bar, com músicas que tem como objetivo expressar a voz interior. O nome da banda foi inspirado em um livro sobre Che Guevara, focando principalmente nesse trecho: “é uma forma de tentar dialogar com uma época, com ideias que seguem habitando a imaginação, a prática social ou ambos de uma parte daquela geração. É uma forma de acerto de conta com os sonhos de uma geração que buscou “assaltar o céu””. O Assalto Ao Céu gravou seu primeiro EP de forma independente, com o apoio da produtora e amiga Carol Udyat e do baterista da Capitão Eu Matheus Brasil. Uma de suas músicas, “Ser Livre”, estará presente na trilha sonora do filme Le Fear II, que está sendo gravado em Londres e será lançado em julho. De forma original, o Assalto Ao Céu busca enquadrar os temores e amores de uma juventude que, apesar de independente, necessita de alicerces. Pouco a pouco, o som do Assalto tenta ajudar nesse papel.

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Download do primeiro EP

Capitães D’Areia

O duo Agno César (guitarra e vocal)  e Matheus Oliveira (baixo) são os Capitães d’Areia, com nome inspirado no romance de Jorge Amado. Atualmente, estão gravando material novo em estúdio, de forma totalmente independente e auxiliados por alguns músicos convidados. Porém, em apresentações, Agno e Matheus são responsáveis pela musicalidade. As letras da banda são de protesto, contra injúrias sociais, narrando vidas nas ruas de Fortaleza. Sem figura de linguagem alguma, de forma crua e real. “Vou desorganizar quem me organizou”, esbravejam os Capitães em “Prestes de Patuá”.  A banda busca se desvincular dos moldes das atuais bandas de rock nacional, ousando em suas letras e fazendo arranjos musicais surpreendentes. Os Capitães d’Areia são influenciados musicalmente por uma gama variada de artistas, de Fagner a Rage Against The Machine. Apesar de ser um caminho mais tortuoso e complicado, Matheus e Agno clamam por sua independência e originalidade acima de tudo. Segundo Agno, “Esse tal apoio às bandas cearenses é mito, não existe – pelo menos não pras [bandas] que não fazem questão de se adaptar a alguns moldes que existem na forte panela do rock cearense.” O apoio vem em cada aplauso no final de cada show, porque, enquanto houver quem queira escutar, a música se fará presente.

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Gonzalez

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Foto: Victor Gifoni

Com apenas dezessete anos, Gabriel Gonzalez é um showman. Toca teclado, piano, violão, flauta, saxofone e ukelele, além de compor. Filho de pai argentino e mãe catarinense, Gonzalez cresceu cercado por música e fez dela sua aliada. Mudou-se para Fortaleza em 2010, quando começou a escrever suas próprias canções. No mesmo ano entrou em uma banda, onde ganhou liberdade para cantar e mostrar suas composições, que são inspiradas em seus sentimentos, fases pelas quais ele passou. Gosta de escrever sobre outras pessoas e quando o faz, deixa mensagens nas músicas, além de muitas vezes musicalizar os próprios poemas. Gonzalez preza pela diversidade e escuta desde músicas gaúchas até grupos argentinos. Já tocou em uma banda de axé, onde aperfeiçoou sua habilidade no teclado e aumentou a gama de sua musicalidade. Los Hermanos, Legião Urbana e Selvagens à Procura de Lei são bandas que ele cita como preferidas. A música de Gonzalez é pessoal e ao mesmo tempo espelha toda uma geração. A abordagem de seus sentimentos, com construção de metáforas tão belas que chegam a ser infantis, pode ser comparada ao modo com que Cícero compõe. O que diferencia Gonzalez de muitos outros cantores é sua capacidade de ser um artista completo. A voz do cantor é de um timbre difícil de se encontrar, envolvente e que transmite paz, apesar de grave. Um poeta inesperado que faz poesia de um jeito inusitado. Ao ouvirmos suas músicas, entramos no mundo que Gonzalez anseia tanto em compartilhar.

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