Coldplay @ Allianz Parque (São Paulo – 07.04.2016)

Coldplay - Matheus Bonetti

O pop de arena, o pop das massas, o pop das rádios. Eis o Coldplay em São Pauio, nessa noite de quinta-feira (07). Quando poderíamos imaginar que aquela banda britânica que se mostrou a mídia no começo dos anos 2000, de músicas chorosas, introvertidas, de letras (ás vezes) complexas e composições certeiras mudaria o tom do trabalho em tão pouco tempo? Os 16 anos dos londrinos renderam ótimos momentos sim, de Parachutes (2000), A Rush of Blood to the Head (2002) até o X&Y (2005). Seu som ecoou em todos os cantos do mundo de fato, como aconteceu no Viva La Vida and Death and All His Friends (2008), álbum que é humanamente impossível não reconhecer alguma música que ainda mora em nosso subconsciente. E este foi o grande divisor de águas na banda, com declarações que aquele seria o último trabalho juntos – e que até hoje esta ladainha não parou.

E aí que adentramos ao show desta nova turnê e álbum, chamado A Head Full of Dreams, com a música de abertura de mesmo nome. A impressão de se estar numa balada pop sem rumo fica bem clara ali: todos os artifícios (que embora sejam realmente legais) são usados de uma só vez em poucos minutos, como correr pela passarela loucamente, papéis coloridos atirados no ar, fogos + fumaça e o recurso mais inovador, vindo das pulseiras “xylobands” distribuídas ao público – e que piscam de forma colorida quando acionadas por rádio frequência. Fica bonito? Muito! Eu poderia parar por aqui que já poderia analisar bem que…. falta algo na banda atual. E isso fica muito evidente nas apresentações ao vivo, apesar que a deste ano foi infinitamente melhor que aquela de 2010 no Morumbi ao qual também estive. Após a última passagem por aqui no Rock in Rio de 2011, a banda deu uma forte patinada no mediano trabalho Mylo Xyloto (2011) e caiu por terra no seguinte, Ghost Stories (2014) – ao qual nem chegou a excursionar, promovendo-o somente nessa turnê atual, onde foram tocadas em São Paulo as esquecíveis “Ink” e “Magic”, por exemplo. Não dá pra negar que o Coldplay anda se apoiando muito mais no espetáculo de luzes e na euforia vinda dos fãs do que pelo sua própria mão artística.

O sorridente-sincero Chris Martin ainda consegue cativar em suas performances, mesmo que a espontaneidade ainda seja deixada de lado algumas vezes. É de se elogiar que em nenhum momento houve discurso com tom mais político ou de mensageiro da paz, pois não é algo que a banda realmente precise se sustentar em cima de um palco (por outro lado, um duplo pedido de casamento fez interromper a balada eletrônica em “A Sky Full of Stars”, num momento meio brega do show com os casais na passarela declarando seus pedidos. Mas ok…o pop também pode ser brega, não é?). A banda ainda tentou mandar uma versão curta e diferente da belíssima “Heroes”, homenageando David Bowie, mas que de fato não soou muito legal (ao meu redor, nem chegaram a reconhecer de qual música se tratava, por mais que tivessem se esforçando para tal). Sendo justo, temos que lembrar que a banda tem canções fortíssimas e que ainda tem o poder de emocionar e deixar as lágrimas caírem, e que não foram esquecidas no setlist como “The Scientist”, “Yellow”, “Fix You” e “Clocks”; um quarteto de canções que poderia virar um quinteto ou sexteto insubstituíveis se adicionassem “Shiver” ou “In My Place”. Na apresentação paulistana, foi possível celebrar a volta de “Trouble”, executada próxima ao público em um palco no meio da pista e também atender ao pedido dos brasileiros nas redes sociais por “Speed of Sound”, em outro momento mais acústico, sendo o melhor da noite.

Se o Coldplay enfrenta dificuldades na sua identidade atual, os 45 mil fãs presentes no Allianz Parque devem ter saído satisfeitos com todo o espetáculo proporcionado junto com suas pulseiras luminosas – a grande responsável por surpreender e causar grande comoção em cada aparição – infelizmente, não tanto assim pelo seu repertório musical controverso. A positividade e o “Up&Up” do show se resume ao público com suas vozes em uníssono, balões e luzes coloridas, como rolou também no hit-clichê “Adventures of A Lifetime”, single de seu último trabalho. O futuro da banda é sempre visto como incerto por todos, mas nunca se sabe quando e se ainda é possível o Coldplay nos surpreender. Enquanto escrevo esse texto, estou acompanhado da trilha sonora de um álbum chamado The Boy With No Name, da subestimada banda Travis. E sabe aquela lance que falei de positividade? Então…

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Set-List

Introdução:
O mio babbino caro (Maria Callas)

1. A Head Full of Dreams
2. Yellow
3. Every Teardrop Is a Waterfall
4. The Scientist
5. Birds
6. Paradise (Tiësto remix )

B-stage:

7. Everglow
8. Ink
9. Magic

A-stage:

10. Clocks
11. Charlie Brown
12. Hymn for the Weekend
13. Fix You
14. “Heroes” (David Bowie cover)
15. Viva la Vida
16. Adventure of a Lifetime

C-stage:

17. Kaleidoscope
18. Trouble
19. Speed of Sound (acústica)

A-stage:

20. Amazing Day
21. A Sky Full of Stars
22. Up&Up

 

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