“O importante é mostrar que arte é criação, não repetição”, conta membro do Cordel do Fogo Encantado

Em entrevista recente ao MSN Música, o pernambucano Lirinha, vocalista do Cordel do Fogo Encantado, não economizou esforços para filosofar – o que já está acostumado a fazer nas letras de suas músicas. O músico relembrou de quando, em 1997, o grupo teatral de que participava recebeu um convite para participar de um festival de música em Arcoverde, PE, o que se tornou um momento decisivo para a entrada do Cordel nesse novo universo.

lirinha

Então, como eu ia dizendo…

“Começamos a compor, idealizar instrumentação…”, conta Lirinha, que conclui que “o importante é mostrar ao público que a arte é criação, não a repetição”. Com uma frase bonita dessas, a gente realmente pára pra rever nosso conceito de arte – ou, pelo menos, o conceito que muitos artistas criaram por aí. De repente, criar um blog e reclamar de quem faz download ilegal parece ser muito mais importante do que ir trabalhar de verdade e compor algum material novo, IF YOU KNOW WHAT I MEAN.

  • Esse é a grave crise da arte. Leembrei na hora quando li de Camus recente postado em meu blog, que colo aqui:

    “Assim, cada artista conserva dentro de si uma fonte única, que alimenta durante a vida o que ele é e o que diz. Quando a fonte seca, vê-se, pouco a pouco, a obra encarquilhar-se e rachar. São as terras ingratas da arte, que a corrente invisível não mais irriga. Com o cabelo ralo e seco, o artista, barba escassa, está maduro para o silêncio ou para os salões, que vem a dar no mesmo.”
    (Albert Camus, em Prefácio de “O Avesso e o Direito”, explicando sua relutância em republicar esta obra escrita aos 22 anos, e também reconhecendo que a mesma continha sua forma vital como criador.)