O Music Video Festival fez bela festa no Mis

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MC Linn da Quebrada foi um dos destaques da programação e definitivamente fez um dos melhores shows. Foto: Divulgação

O Music Video Festival (m-v-f) premiou os melhores videoclipes do Brasi e de internacionais no último fim de semana, nos dias 13 e 14 de agosto, sábado o domingo. O evento que contava com uma mostra competitiva, também tinha pockets shows, mesas de debate a ainda dava para ver coisas diferentonas, como videoclipes interativos e participar da gravação do novo vídeo do Liniker. Em tópicos, vou falar o que achei.

Os ganhadores desta edição foram:
Melhor direção em videoclipe nacional – escolha do público para Felipe Sassi, com “Lista VIP”, de BOSS IN DRAMA feat. Karol Conká

Melhor direção em videoclipe nacional – escolha do júri para Alaska Filmes, com “Ai, Ai, Como Eu Me Iludo”, da banda O Terno.

Melhor direção em videoclipe internacional – escolha do público para Canada, com “The Less I Know The Better” do Tame Impala

Melhor direção em videoclipe internacional – escolha do júri para Miles Jay, com “River” de Leon Bridges

Mesas

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Um pouco envergonhado, Silva protagonizou uma das melhores mesas do primeiro dia do evento. Foto: @Foioluis

Pelo menos para a minha pessoa, festivais que se propõem a fazer mesas de discussões já ganham pontos, porque não tem coisa mais legal do que pensar a música. No caso do m-v-f os talks se chamavam “unha & carne” e traziam não só os músicos, mas também os diretores para contar como foi esse processo.
As melhores mesas juntaram o menino Silva com o diretor de dois de seus videoclipes mais recentes, o diretor William Sossai, que veio diretamente de Portugal! Sossai dirigiu “Volta”, que é quase um documentário sobre Luanda, com belíssimas imagens de lá. O clipe foi gravado e 2014 e a música faz parte do disco “Vista Pro Mar”. Ele nasceu de uma viagem que Sossai tinha feito para Angola e como a música tem tudo a ver com a África, não tiveram outra ideia a não ser ir para lá. Foram sete dias por Angola, sendo quatro de gravação. Silva se mostrava encantando com o lugar e disse que quer muito voltar. Sossai disse que vencer a timidez do rapaz foi o mais difícil. O resultado ficou muito bom.

O diretor também está por trás do videoclipe de “Feliz e Ponto”, que já mostramos para vocês aqui e que tem umas cenas meio calientes. Ao término Silva não hesitou e disse: “Foi muito bom gravar este clipe!”. O que levou todo mundo aos risos.
Outra coisa que achei bacana nesta mesa foi a conversa que rolou após a exibição de “Eu Sempre Quis”, que faz parte do disco Júpiter (2015) e dirigido por Julio Secchin. A verdade é que a música não é das melhores e o vídeo pecou demais. Achei os closes feios, cortando o rosto do artista e ainda tem uma pegadinha de queixo muito brega. O Silva também disse que não gosto muito do videoclipe, uma das razões são os closes. Mas achei legal saber que ele estava ali se soltando e faz até aula de dança para poder fazer a dancinha do vídeo. Se empenhou o menino!

A outra boa mesa foi a que reuniu a rapper Kessidy Kess, a Lay e a MC Linn da Quebrada para tratar de empoderamento feminino. Primeiro queria só falar que o festival está só de parabéns por ter chamado a Linn para tratar de empoderamento feminino. Já deu dessa coisa de tratar travesti ou trans como uma coisa, né? Travesti, trans… Tudo mundo é que o que quer ser e acabou o assunto.
Segundo é, que mulheres maravilhosas, meu Deus! Cada uma estava ali mostrando seu novo vídeo. Linn veio com “Talento”, vídeo que foi gravado no Centro de Acolhida, que fica no Carandiru, que recebe travestis e trans em situação de rua. E nasceu de vários encontros que eles tiverem por lá para incentivá-las a criar arte. O vídeo é uma mistura de imagens dessas “aulas”, então tem uma parte documental, com imagens gravadas especialmente para o clipe e me algumas vezes me fez lembrar e muito um clipe que eu amo da Seketh Barbara, em “Bicha, pague meu dinheiro”. O vídeo ainda não saiu, pois foi lançado apenas no festival, mas quando sair, a gente divulga aqui!

Kessidy era ali a mais jovem e falou sobre como é importante ter trabalhos que trazem representatividade. “Nos meus clipes procuro sempre trazer uma luta pela causa. Tem que ter representatividade. A gente não pode deixar de desconstruir e reconstruir as coisas. A gente também é gente e a gente também que voz”.
Lay esta outra maravilhosa é assunto para outra pauta, pois fizemos uma entrevista com ela, que você pode ler aqui.

Pocket Shows

Para mim, a produção poderia ter escalado de outra forma o pessoal que iria tocar. A programação de sábado, por ser mais calminha, ficaria bem melhor no domingo e o batidão de domingo, iria cair melhor no sábado. Mas a escalação estava em suma muito boa. Uma pena o Serge Erege não ter podido ir, segundo a produção ele teve um problema de última hora. A Lia Paris não empolga muito e o Silva teve problemas com o som.
Destaque para o Strobo (essa banda é muito boa para você aí que gosta de eletrônico), as rappers maravilhosas, mas especialmente para a MC Linn da Quebrada. 

O que deu certo?

O talks foram muito legais, algumas vezes a impressão era de que não ia muito além, mas os mediadores ajudavam e faziam perguntas, na maioria relevantes.
Os pocket show serem pockets e começarem no horário.
Poder ter a possibilidade de assistir videoclipes em realidade virtual. Sério, uma experiência para não se esquecer.
O André Pinho, da Bootie Rio, que fazia os mashups de videoclipes durante os intervalos dos shows. Meu pai que talento!

O trabalho de cenografia. O estava especialmente muito bonito.

O espaço para descansar patrocinado pelo Uol.

O que não deu certo?

Museu da Imagem e do Som, queridos, porque diabos, num lugar que circulou 3500 pessoas nos dois dias, vocês simplesmente deixaram um banheiro aberto? Olha, eu ficou tentando entender esse povo que projeta esses lugares enormes, com possível venda de cerveja e um banheiro minúsculo. Só no domingo é que descobri, tinham banheiros químicos, que estavam limpos. Parabéns à produção!
Outra coisa que não entendi foi, a Miller estava patrocinando o evento, mas a cerveja era vendida a R$ 10. Pelo menos, tinha uma promoçãozinha básica compra duas, paga R$ 15. Podia ter sido mais barato, né?

Na média

Amamos! Bem organizado, teve esse probleminhas básicos de cancelamentos e problemas de som, mas o que é bem normal e não tirou o brilho da festa. Só teria dado o prêmio de melhor videoclipe nacional para a Allexia Galvão e Damiel Resende, que dirigiram “Your armies” da Bárbara Ohana. Bem mais interessante do que o do Boss In Drama, embora a música seja ótima. E teria premiado o Collin Tilley ou Jacob Krupnick, pelos clipes do Kendrick Lamar e do Pillar Point, que você assite na sequência, ao invés do Tame Impala, que imagino ganhou por ser a canção mais conhecida:

Fotos do primeiro dia do evento no nosso Facebook

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