O Terno – 66

O método de chamar atenção através de um clipe esperto deu certo para os garotos do O Terno, trio de São Paulo. Chamar a atenção também não é sinônimo de receber respostas positivas e eles parecem saber disso. Afinal, a música do tal clipe fala também sobre a relação “músico X críticos”. Tim Bernardes, vocalista/guitarrista/compositor da canção, coloca todo esse sentimento em palavras, bem escolhidas, aliás, dentro de sua melodia, que vai misturar tempos, abusando das diferentes referências de rock que ele, provavelmente, recebeu durante sua vida toda, ja que é filho do músico Maurício Pereira (ex-Os Mulheres Negras), que vivenciou mercados e cenas diferentes durante sua carreira. Não há melhor forma de aprender do que estando dentro do ambiente. E tudo leva a acreditar que Tim estava presente pra receber toda essa informação, mas talvez ainda não estivesse pronto pra mostrar o resultado dessa somatória.

Pra ser sincero, o álbum de estreia da banda, 66, perde muito mais pontos por não ser um EP de cinco faixas – como o grupo chegou a planejar – mas sim uma soma de cinco músicas autorais (da faixa 1 a 5) e cinco novas versões para temas de Maurício Pereira (que inclusive participa dessas versões). O problema é que, todas essas canções que receberam novas versões são chatas e datadas demais. Não importa a roupagem dada, soam como tudo que não espero ouvir num álbum de estreia. A decisão infeliz prejudica a audição e avaliação. Você põe em cheque o talento dos três garotos e eles não precisavam disso.

Não que as cinco músicas autorais sejam intocáveis. Também não convencem durante o tempo todo – aliás, não convencem totalmente em momento algum. O carro-chefe, “66”, mostra o melhor desempenho d’O Terno, e ainda assim parece dever alguma coisa. Mas nada que a banda Nevilton, por exemplo, também não tenha ficado devendo em sua estreia também (e foi ovacionado mesmo assim). Pois, apesar de tudo, são garotos com um talento visível. Os arranjos são caprichados (mesmo que passando do interessante para o xarope, às vezes) e mostram bons instrumentistas. Criativamente esforçados, mesmo esbarrando em clichês, procuram caminhos não comuns. O carismático Tim Bernardes é um letrista muito bom, tem facilidade pra brincar com as palavras, mesmo sendo tão difícil criar rock em português.

Então por que, apesar disso tudo, as canções não funcionam?

A melancólica “Morto” soa coesa, mas a coesão vem do lugar comum. “Enterrei Vivo” é exagerada pro bem e pro mal. “Zé, Assassino Compulsivo” acerta na letra, erra no mais-do-mesmo. E é por essas e outras que as músicas não funcionam (exceto “Eu não preciso de ninguém”): a banda parece já ter encontrado sua identidade, daquela que quer se mostrar versátil o tempo todo – mas é uma pena ter achado isso somente após diversas outras bandas, no mesmo cenário nacional, já terem feito da mesma forma, do mesmo jeito.

Sendo garotos talentosos e em busca de novidades, era de se esperar muito mais de 66, o disco. E se o grupo pergunta, mesmo que ironicamente, “tudo que é novo hoje em dia falam mal?”, a resposta é: não. Há quem só fale bem do novo, como também quem só fale bem do velho, e há quem só fale bem daquilo que convence. O Terno, infelizmente, não convenceu. Não por ser novo, ou por ser velho, ou por ser plágio diferente. Simplesmente porque tenta ser tudo ao mesmo tempo, e acaba sendo tudo que outros que já tentaram escapar da mesmice foram. Sobra, basicamente, abrir a porta e gritar “próximo!”, pois essa fórmula não parece se esgotar nunca. E aí não tem ironia que coloque graça nisso.

  • Gabriel

    Essa crítica ta esquesita em cara, parece que você se ofendeu com alguma coisa e escreveu com raiva! haha

  • Hahahah.
    Não, Gabriel. Longe disso. Só tenho um pouco de dificuldade de escrever falando “mal” de alguma coisa. Mas melhoro se treinar. Hahahha

  • Rubens C.

    Eu gostei da crítica, acho que não foi com raiva. É raro ver críticas de bandinhas underground novas, mas estão todas batendo no mesmo saco de pancadas (que é o de “ser retrô com um moderninho, mas mais versátil”). Pra começar que a palavra “retrô” já significa algo ruim, porque é algo novo plagiando algo velho, e não algo apenas inspirado ou influenciado.
    Inspiração e influência são muito diferentes de plágio e versão.

  • Vitor V.

    Escutem primeiro. Depois leiam essa crítica, algumas criticas nos faz entrar com outra cabeça na sintonia da musica, e não curte com o coração

    Eu escutei as musicas gostei de algumas coloquei no ipod, ouço varias vezes.

    Quando enjoar, esperarei um novo CD que tenha musicas que me embale de alguma forma sem me preocupar se parece com alguem ou se tao tentando ser alguma coisa.

  • Felippe Pompeo

    entendi perfeitamente o que o autor da resenha quis dizer – concordando ou não com o que ele disse.

  • Zé, o assassino

    Boa critica, concordo, porém eles não mereciam nota 3, no mínimo um 5 né cara, música boa, raridade na nossa mídia de hoje em dia!

  • jamile

    AAAAFE, vc queria ser músico e não conseguiu? crítica de meia-tigela, na boa… eu ouvi o disco e, perdão, não conheço nenhuma banda de rock brasileira dessa faixa etária que chegue perto da maturidade, originalidade e destreza técnica apresentada por esses meninos. ainda bem que você é um pequeno crítico, apenas. vai falar bem de quem? fresno? a banda mais bonita da cidade? kkkkkkkk…geralmente leio merda na internet e fico quieta, mas fiquei revoltada com essa patifaria, um desserviço à música brasileira.
    Aos que lerem este pedacinho de asneira postado por Iberê (rs) Borges, sugiro que escutem as músicas de fato – não tomem para si a amargura deste ser.