of Montreal – thecontrollersphere EP

Aproveitando as sobras de estúdio do último álbum False Priest, o of Montreal lançou o thecontrollersphere EP no mês passado. Embora tenham sido gravadas na mesma época que o citado álbum, as canções do EP parecem ser de uma banda em um momento diferente.

“Black Lion Massacre” assusta. Quem esperava gritinhos em falsete escuta uma voz grave recitando a letra da canção nos primeiros minutos. A alegria glam pela qual o of Montreal é conhecido é substituída por uma pesada melodia trip hop, recheada de distorções. Aliás, a atmosfera mais dark que a média permeia todo o EP.

Depois da abertura inesperada, começa a psicodélica “Flunkt Sass vs the Root Plume” – agora sim com a voz característica de Kevin Barnes. Dá a impressão que a música poderia durar mais. Talvez por esse motivo tenha ficado de fora de False Priest.

Embora a banda já tenha gravado uma canção de 12 minutos que dá vontade de escutar no repeat (“The Past is a Grotesque Animal”), “Holiday Call” não gera o mesmo efeito no ouvinte ao longo de seus arrastados 8 minutos. Ao menos o singelo encerramento da faixa dá a sensação de que ouví-la não foi tempo perdido.


“L’age D’or” é cantada por um Barnes ofegante e é a mais dançante do disco.  É a única que utiliza com maestria a capacidade da banda de criar melodias e refrões grudentos presente na maioria dos álbuns anteriores.

O EP é encerrado com “Slave Translator” que começa com uma melodia de videogame e parte para inúmeras mudanças de andamento, o que soa excessivamente experimental mesmo para o of Montreal. Ainda assim, é o ponto alto do disco.

thecontrollersphere EP é composto essencialmente por lados-B, e deve satisfazer só os mais fanáticos. Não é um disco para ser encarado como um novo trabalho e sim como um presente aos fãs. O grande mérito do trabalho está em mostrar uma faceta da banda que os ouvintes estavam desacostumados a ouvir, mas ainda assim soa um pouco decepcionante.