Opinião: O que a polêmica envolvendo Karol Conka nos ensina sobre ser de origem humilde e negro no Brasil?

Karol Conka em gravação ao GNT. Foto: Google Images

Para quem não sabe, a Karol Conka foi convidada pela marca Soleah (alguém já tinha ouvido falar dessa marca, gente?), para criar uma linha com a sua assinatura. Acontece que um chaveiro, um chaveiro, custa R$ 89 e uma bolsa sai pela bagatela de R$ 745. Vamos combinar que é caro, né? A notícia foi parar até no EGO, já que Karol é também uma global, pois é a apresentadora do programa Superbonita, do GNT (que faz parte dos canais da Globosat, como o Multishow).

Daí, foi aquela polêmica, de gente reclamando que os preços estavam absurdos, que ela não podia fazer isso porque canta tanto sobre empoderamento feminino, que ela que vem de uma origem super humilde e não pode vender produtos caros! Enfim, aquilo tudo que nós já ouvimos quando outros rappers brasileiros (e veja que eu salientei os BRASILEIROS, porque você já viu alguém falando mal da linha do Kanye West, Yeezy?) resolveram fazer coisas parecidas.

Bem, como vi numa postagem no Facebook por aí, a primeiro coisa e a mais importante antes de começar qualquer discussão sobre o caso é entender algo bem importante: “Onde foi que a Karol Conka assinou uma carta de voto de pobreza para o resto da vida?”. Eu nunca nem ouvi falar que isso existe se não foi ali no meio da religião e você? Pois é…

Se formos analisar as músicas da artista, ela já vinha desde o início de sua carreira falando dessa vontade de progredir, crescer na sua profissão e sim, viver no luxo, o que por talento e sorte está dando muito certo. Dá uma olhada mesmo na música “Gueto ao Luxo”, que está no álbum Batuk Freak (2013), sua estreia na música.

O mais engraçado, é que não faz muito tempo, que a cantora paranense, – finalmente veio morar em São Paulo há pouco tempo e agora está no Rio por conta das gravações do programa que comanda no GNT -,  lançou “Farofei. (feat Boss in Drama)“, em que canta os versos:

“Quando não era famosa e tava cheia de conta para pagar, ninguém queria me ajudar! Agora que sou poderosa e tenho condição para me bancar, todo mundo querendo criticar. Negrita tá se vendendo se esqueceu da onde veio. era do hip-hop e agora se perdeu no meio”.

Ou seja, não é por falta de aviso. Isso com certeza ia acontecer! Então, porque será que as pessoas estão criticando a cantora? A resposta aqui é muito simples, ou é inveja ou as pessoas não entenderam que a Karol estava cantando esse tempo todo. A mensagem que ela passa é muito simples, trabalhe, ganhe seu dinheiro e faça a sua vida, não?

Ela se defendeu via Twitter. Explicou que a grife não é dela, mas que apenas assinou uma coleção:

A outra verdade é que quando você sai de uma condição de pobreza e ascende na escala social, existe uma certa cobrança de que você devolva ao bairro, cidade, favela, que você veio o que você construiu lá. Ou seja, a partir de agora, você pode sim vestir roupas caras, comprar carros, ir à festas, fazer tratamento de beleza, mas… Você têm que olhar para os seus e montar um ONG, fazer parte de algum projeto de emancipação da comunidade, doar grana para instituições de caridade… Afinal, quem é que vai ver pelos seus, senão você mesmo? O Governo que vai agora fechar as 393 famárcia populares no país, duvido que esteja olhando para os pobres deste país. E essa cobrança existe principalmente se você for negro. O motivo também é simples, os negross estão em desvantagem na socidade e todo mundo sabe disso.

Mas a Karol errou ao assinar a coleção? Não! Mas ela precisa sim ter cuidado com as marcas que se associa. Ninguém falou nada quando ela foi cantar na propaganda da Dermacyd ou quando assinou com a Avon, né? Duvido também que se essa coleção fosse para a Nike ou Adidas, que são marcas aceitas socialmente no âmbito do Hip Hop, ela estaria ouvindo qualquer coisa parecida. Mas ela precisa entender que hoje sua marca é seu nome e se você perde a credibilidade, bem, vai acaba voltando para o começo de “Farofei” e aposto que ninguém que isso.