Os cabelos mais bonitos da cidade

Estão lá os quatro prontos no palco para começar o show em uma casa de baile para terceira idade na Pompeia, bairro de São Paulo. É quase impossível não notar os cortes de cabelo dos integrantes do Yuck; desde o black power do baterista Jonny Rogoff, passando pela franjona de Mariko Doi, a baixista japonesa natural de Hiroshima,  e terminando na cabeleira na cara do guitarrista e vocalista Daniel Blumberg. Ainda resta o guitarrista Max Bloom, que apesar de não se destacar no quesito capitar, é o responsável pela ótima sonoridade da guitarra solo das músicas.

Yuck @ União Fraterna

Com data marcada para subirem nos palcos do mitológico festival de Glastonbury, na Inglaterra, no dia 25 de junho, os caras foram chamados para um showzinho particular no Brasil. A ocasião foi a terceira edição da Puma Social Club.

Entre bebidas, mesa de sinuca, boliche, entre outras distrações, a banda sediada em Londres, mas com integrantes também do Japão e dos Estados Unidos, fez uma rápida apresentação. Apesar do álbum de 12 músicas lançado recentemente, eles não chegaram a executá-lo na íntegra.

No palco a banda não se esforça de maneira nenhuma para tentar ganhar a plateia. Com um ar totalmente blasé e alheio à toda a audiência, o quarteto toca de maneira que as sensações são quase as mesmas do CD. Alternando músicas boas e outras nem tanto, falta um pouco de experiência e um repertório mais sólido para eles.

Aparentemente, a maior parte da plateia colocada frente ao palco estava disposta a ser conquistada pela banda e o grande momento para isso foi durante a execução da faixa que abre o álbum, “Get Away”, uma pérola da música pop. Com uma força e um apelo que falta às outras faixas, ela fez com que o público quebrasse o comportamento “um pouco animado, um pouco nem aí” por pouco mais de três minutos.

Yuck @ União Fraterna

Apesar do grande destaque da faixa em questão, outras também soam bem ao vivo – mas mesmo assim não chegaram a ter tanta força quanto “Get Away” teve. Os destaques ficam para faixas que também estão entre as mais interessantes do álbum, como “The Wall”, “Shook Down”, “Operation” – esta cantada pelo guitarrista -, além de “Georgia”.

O restante do show não surpreendeu – mas não deixa a desejar também -, principalmente o comportamento da banda, que pôde ser sacado antes mesmo que eles começassem a tocar. A cozinha, do baterista Jonny Rogoff e da baixista Mariko Doi, segura o som enquanto que as duas guitarras distorcidas passeiam tranquilamente entre alguns solos e bastante microfonia bem calculada. Microfonia essa que finalizou o show com a psicodélica “Rubber”, que também fecha o debut da banda.

Fotos: Eve D.

  • Sagaz Mordaz

    “Com ar blasé”: tem neguinho que odeia indie rock justamente por causa disso!

  • Nathanna

    Eu tava lá, e posso falar que quem é fã não se decepcionou.