Os giros dentro e fora do país e as novidades do Black Drawing Chalks para 2014

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O disco de músicas inéditas mais recente do Black Drawing Chalks é de 2012, o ótimo No Dust Stuck On You. No ano passado, o grupo viajou, tocou em várias cidades do país e do mundo, indo pela primeira ao texano South By Southwest. Entre uma apresentação e outra, o quarteto também conseguiu começar a dar vazão a ideias para os próximos passos.

Em um papo por e-mail com o Move no dia do anúncio do BDC no cast do festival espanhol Primavera Sound, o guitarrista da banda goiana Edmar Filho revela que dificilmente o quarto álbum de estúdio do BDC sairá em 2014. No entanto, ainda para o primeira semestre, os fãs do stoner rock do grupo podem esperar por algumas faixas inéditas. Além disso, Edmar fala sobre as experiências internacionais e ainda dá dicas de nomes que devem fazer barulho em nosso território ao longo do ano.

No fim da entrevista, veja a agenda do Black Drawing Chalks para saber onde ver a banda tocar.

Qual é o balanço de 2013 para o Black Drawing Chalks?

Cara, fechamos o ano satisfeitos. Foi um ano bem bom pra banda. Foi um ano em que a gente viajou um pouco menos que 2012, mas foi intencional. A gente fez um ano com as atividades mais programadas, menos na “correria”, e tentando ser mais acertivo. Acho que os resultados foram positivos. Foi um ano em que fizemos coisas importantes e que foram bem legais pra gente.

Para 2014, a banda já têm agendada a segunda participação consecutiva no festival texano South By Southwest, certo? Conta pra gente como foi o giro de 2013.

A participação de 2013 foi mais para reconhecer o terreno. O Sxsw é um mundo de oportunidades. Acontecem mil coisas ao mesmo tempo. É impossível aproveitar bem na primeira vez, porque você precisa estar lá para entender como o festival funciona. Esse ano, bem mais lúcidos sobre a realidade do festival, e as possibilidades que ele apresenta, acho que vamos conseguir aproveitar melhor. A gente fez cinco shows em Austin em uma semana, várias entrevistas e conhecemos pessoas por lá. Desde showcase de última hora num bar pra umas 15 pessoas, até um showcase para a CraveOnline, com Eagles of Death Metal e Alain Johannes! Mas foi uma experiência importante. O choque quando uma banda brasileira é confrontada com a realidade americana é gigante. É um abismo cultural na maneira de trabalhar e lidar com as coisas. Acho que toda banda que pensa em seguir carreira no mercado de música alternativa/independente, mercado pequeno e médio, tem que se expor à experiência do Sxsw pelo menos uma vez na vida.

E o que a banda pretende encontrar e conquistar nesse ano no Sxsw?

Essas “conquistas” muitas vezes acabam acontecendo mais aqui no Brasil do que necessariamente nos EUA. Pensar em chegar lá, fazer um baita show e um agente/booker/selo/gravadora ver o seu show e te contratar é meio que ilusão. Mas dá para você encontrar e conhecer muitas pessoas, das mais variadas partes da cadeia produtiva do mercado ligado à música e artes em geral. Então o lance é tentar fazer o máximo de shows possível, conhecer o máximo de pessoas que fazem aquilo que você faz, ou quer fazer, e manter o contato e o diálogo com essas pessoas ao longo do ano, para firmar parcerias e gerar o máximo possível de lastro pra isso. E tem o lance também de ser fã de música. Você vê a programação e fica louco pra ver 10 shows no mesmo dia. Pra quem não só trabalha com música, mas para quem principalmente é fã de música, é demais o festival. Ano passado, no mesmo dia e na mesma hora em que o Black Drawing Chalks estava tocando, numa quarta-feira, às 21h30, tinha show do Iggy Pop, do Nick Cave, do Flaming Lips e do Vampire Weekend! Cada um em um lugar! O que a gente espera pra esse ano é fazer o máximo de shows que a gente conseguir dentro do festival, conhecer o máximo de pessoas possível e assistir ao máximo de shows que for humanamente possível para uma pessoa.

Você acha que, na prática, o Sxsw é uma vitrine válida e que compense para bandas independentes brasileiras? Digo, todo o trampo de viagens, passagens, vistos e grana rende possibilidades reais pós-festival para seus participantes?

Rende, sim. A banda não pode ser ingênua, como eu disse anteriormente, e achar que só porque foi lá já vai conseguir algo, e achar que por isso vai chegar no Brasil e subir o cachê – ou começar a ganhar cachê – porque “tá tocando em festival gringo”. Tem que ter o pé no chão e entender que o SXSW é uma feira de música. É pra fechar negócio. Tem 50 mil pessoas na rua querendo assistir aos shows, mas tem 30 mil credenciados do mercado de música procurando novidades e parcerias. Tem que acordar cedo, ir pra rua e fazer o corpo a corpo, mapear com antecedência quem são as pessoas que vão estar no festival que podem se interessar pelo que você faz, mandar e-mail e tentar encontrar elas lá. Vale muito a pena se a intenção for essa. Se entrar na de “tomar todas” e acordar no outro dia às 14h, não vai render mais do que uma experiência pessoal incrível, o que já é ótimo. Mas como uma banda, se os integrantes forem pensar em “o que eu posso tirar de proveito disso aqui?”, vale muito a pena o Sxsw – no mínimo, como uma aula de empreendedorismo artístico. O grande lance é estar não só no Sxsw, mas em vários festivais. Tem vários nesse formato no mundo. A gente já participou de alguns, como o Canadiam Music Week, no Canada, o Great Escape Festival e Liverpool Sound City, na Inglaterra. Estar nesses festivais, com certeza, foi uma das coisas principais que fez com que conseguíssemos estar esse ano no line-up do Primavera Sound, também. Essas atividades são continuas. A banda tem que ir todo ano, manter uma agenda anual no Brasil e estar sempre lançando material. Não dá pra querer ir no Sxsw e “se dar bem”. Pode acontecer. Acontece pra alguns. Mas no geral, é uma experiência que posiciona a banda e da qual a banda pode tirar mil ideias, amigos e contatos para trabalhar em cima o ano inteiro.

Vocês ajudaram a firmar Goiânia como uma parada obrigatória no circuito de rock independente nacional. Você sente que, hoje, mais bandas da cidade surgem e se destacam do que quando o BDC começou?

Sim. Tem muita banda em Goiânia que tem um bom público local e que consegue uma certa atenção nacional. São 20 anos de festivais independentes na cidade. Festival Bananada, Vaca Amarela, Goiânia Noise, Tattoo Rock Fest, Go Mosh, Grito Rock, Rock Solidário… A maioria desses festivais tem 10 anos ou quase isso. Bananada e Goiânia Noise estão na casa dos 15-20 anos, além da existência de casas de shows onde tocar. Isso tudo ajuda na formação dessa cena. Acho que o BDC teve sua importância local, das bandas mais novas e da gurizada ver a gente viajando pelo Brasil todo e pensar “A gente pode montar uma banda e fazer isso também!”. Isso empurra as coisas, dá uma injeção de animo nas bandas novas para quererem viajar também, quererem tocar nas casas onde as bandas que elas curtem tocam e quererem participar dos festivais. Hoje, em Goiânia, de bandas novas com um destaque local, a gente tem Overfuzz, Cherry Devil e Cambriana – que todo mundo viu ano passado em todas as listas de melhores do ano, mas da qual muita gente ainda não viu o show. Tem também duas bandas que são de outro rolê, que é mais pro metal, que são A Ultima Theoria e o Aurora Rules, que tocam mais em São Paulo que em Goiânia; tem a Bruna Mendes, que tocou no Auditório Ibirapuera nesse último fim de semana, que tá vindo com um disco bem bom; tem o Shotgun Wives, que é bem nova, mas que já tá tendo um público bom na cidade; tem o DRY, que eu acho foda e que vai lançar disco nesse semestre; tem o Girlie Hell e tem as duas bandas que eu acho que mais vão fazer barulho, que são os Hellbenders e o Boogarins. Os Hellbenders eu acho que são uma das bandas de rock mais impactantes do Brasil nos últimos anos, com um disco incrível e um show muito roqueiro. E o Boogarins, que pra quem está ligado em música nos últimos seis meses no Brasil, não tem como dizer que não ouviu falar. Goiânia tá ai. Cheio de banda foda e de festivais legais! Hoje, acho que a única cidade no quesito “banda de rock” que está bem posicionada nesse sentido no Brasil como Goiânia é Natal(RN), que tem muita banda boa e o Festival Do Sol, que tá no meu Top 5 de festivais independentes no Brasil facilmente.

Em quais bandas ou artistas nacionais os leitores do Move That Jukebox deveriam ficar de olho em 2014? O próprio BDC tem planos de lançar material novo antes de dezembro?

Falando não só de Goiânia, mas do Brasil como um todo, as bandas em que eu acho que todo mundo tem que ficar de olho em 2014 são: Far From Alaska (RN), que lança disco esse ano bem acima da média nacional; Hellbenders (GO), que lançou sua estreia no finalzinho do ano passado; Boogarins (GO), que também lançou disco, fechou com gravadora gringa e vai rodar o mundo em 2014; Dry (GO), que lança disco esse ano, pra roqueiro nenhum botar defeito; Vivendo do Ócio (BA), que cada vez mais cresce e mostra que não era só moda de uns anos atrás; Sugar Kane (PR), que ao vivo é uma banda impressionante, que tem 15 anos de história e que lança disco novo esse ano, também. Quem lança material novo esse ano, além dos citados, é a Bruna Mendes (GO), que é uma cantora nova de Goiânia com um trabalho muito bom e que deve fazer algumas coisas legais durante o ano. Tem o Macaco Bong (MT), que dispensa comentários e que deve soltar material novo. Temos o AMP (PE), de Recife, que acabou de lançar o segundo álbum e que tem um dos melhores guitarristas do Brasil, o DJ Alma, e são os representantes de Recife no rock brasileiro hoje pra mim. Devo ter esquecido alguém, mas indico essas. E o Black Drawing Chalks, muito provavelmente, deve lançar algumas coisas. Não sabemos ainda se um disco e pra qual data, mas já estamos trabalhando bastante em estúdio em novas composições, e tem algumas coisas começando a sair. Tem mais novidades, mas não dá pra anunciar ainda agora (risos)! Mas logo menos, todo mundo fica sabendo. Mas vamos manter o rítmo e continuar rodando o Brasil fazendo shows, tentando tocar no exterior sempre que possível. Não prometemos um disco, mas, com certeza, devemos soltar algumas músicas novas esse ano, logo no primeiro semestre.

Se ligue na agenda do primeiro trimestre do Black Drawing Chalks a seguir. No site da banda e na fanpage, você pode acompanhar os detalhes de cada apresentação.

30/Jan – Campinas/SP
31/Jan – São Paulo/SP
01/Fev – São Carlos/SP

08/Fev – Anápolis/GO
13/Fev – Piracicaba/SP
14/Fev – Bauru/SP
15/Fev – Americana/SP
20/Fev – Belo Horizonte/MG
21/Fev – Uberaba/MG
22/Fev – Goiânia/GO
01/Mar – Goiânia/GO

11 a 16/Mar – SXSW2014 – Austin, Texas, EUA.