27 dez 2012

Os Melhores Discos Internacionais de 2012

Por  @16:01

As listas nacionais já foram. Catalogamos os grandes lançamentos de músicas e álbuns que apareceram ao longo do ano em nossas terras. Na parte gringa da coisa, você deve ter visto nossas escolhas com as faixas mais marcantes. Agora, chegou a vez dos 20 Melhores Discos Internacionais de 2012:

20) Father John Misty – Fear Fun

O capricho de Joshua Tillman ao encarar o personagem Father John Misty é impressionante. A criatividade para criar canções tão fora do que ele estava acostumado em seu trabalho solo, ou com o Fleet Foxes, é outro ponto alto. Fear Fun é um álbum pessoal de um personagem. Pensa como isso pode ser interessante? E é mais. Com canções poderosas e marcantes, se torna a estreia-não-estreia mais relevante do ano. Aproveite. – Iberê Borges

19) The Walkmen – Heaven

Lisbon, de 2010, havia marcado o ápice da qualidade musical do The Walkmen. E Heaven é a prova de que eles são capazes de se manter no topo por mais de um disco. Com um capricho pouco visto por aí, ele equilibra faixas lentas e bonitas com outras um pouco mais animadas e próximas do que a banda fazia em seu início. Nem mesmo a música que dá nome ao álbum e uma canção sobre amor são capazes de se descolar do clima caprichosamente melancólico que permeia suas 13 canções. – Victor Caputo

18) Passion Pit – Gossamer

Gossamero novo álbum do Passion Pit acerta, exatamente, por não procurar te surpreender. Não há nada que a banda esteja fazendo agora que não tenha feito antes. Talvez as influências R&B aguçaram, Michael Angelakos, líder da turma, se firmou como um compositor excelente e se expôs um pouco mais, os holofotes também não estejam tão de olho neles, mas, enfim, é basicamente um Passion Pit de Manners, disco de estreia da banda, mais apurado que você encontrará em cada faixa. E não é preciso (só) agora dizer que o grupo continua pop até os dentes. As melodias fáceis feitas de falsetes e sintetizadores continuam apaixonantes. Mas e se passar a paixão? Passou. Angelakos sabe que vai ficar tudo bem e quer que você saiba disso também. -Iberê Borges

17) Cloud Nothings – Attack on Memory

A banda que começou com apenas um homem, Dylan Baldi, sempre havia sido bem desinteressante – até a chegada de Attack on Memory. A mudança já pode ser vista na capa do álbum. Saem as cores do autointitulado, de 2011, e entra uma paisagem desfocada e com um toque de solidão. Isso se reflete no álbum. Com produção de Steve Albini, o disco mostra um amadurecimento absurdo em pouco mais de um ano. Músicas muito mais pesadas, longas e com um toque dark marcam o ótimo disco. É difícil acreditar que se trata da mesma banda. – Victor Caputo

16) Band of Horses – Mirage Rock

O Band of Horses chegou ao seu quarto álbum. E apesar de ter esse disco produzido pelo lendário Glyn Johns, o lançamento não chega a ser realmente um “disco de rock”, fazendo o nome de “miragem” vir bem a calhar. No caso da banda de Seattle, isso não é necessariamente ruim, visto que Infinite Arms, trabalho anterior de 2010, já sugeria um afastamento da sonoridade que a banda apresentava até então e foi um sucesso mesmo assim. Sucesso já que se tratava do primeiro disco por uma grande gravadora e que conseguiu, assim, evidenciar um pouco mais a banda. Porém, Infinite Arms nem de perto carregava a força das canções simples e sinceras de Cease To Begin. Talvez um pouco da insegurança ao abordar o grande público, presente no álbum de 2010, tenha ido embora no novo lançamento. As músicas parecem mais Band of Horses e, mesmo que o clima não seja aquele tão simplório de tempos idos, o poder de cada canção convence demais. – Iberê Borges

15) Smashing Pumpkins – Oceania

Quando iniciou o projeto Teargarden by Kaleidyscope, Billy Corgan dizia não acreditar no futuro dos álbuns, e queria lançar 44 faixas individualmente, agrupando-as em EPs de quatro canções. Parece que ele mudou de ideia, lançando Oceania com o Smashing Pumpkins, um álbum com 13 faixas. Teoricamente, Oceania faz parte do tal Teargarden by Kaleidyscope. Só perdoamos a gafe pois o novo disco ficou melhor que tudo que a banda tinha feito nos anos mais recentes. – Gregório Fonseca

14) Kendrick Lamar – Good Kid M.A.A.D. City

Quando todo mundo achava que Cruel Summer, do coletivo G.O.O.D. Music de Kanye West, levaria a melhor nos álbuns de rap de 2012, Kendrick Lamar apareceu em outubro chutando todas as portas com seu good kid, m.A.A.d city. Contando com o mito Dr. Dre na produção, Kendrick entrega um disco que soa agressivo e sensível na medida certa, dois lados de uma ambientação hip hop com letras maduras e convidados promissores. Se “Backstreet Freestyle” carrega a ferocidade e o peso épico digno de uma “Niggas in Paris”, “Bicth, Dant Kill My Vibe” equilibra o clima com a serenidade de uma das canções mais contagiantes e emblemáticas de 2012. - Hick Duarte

13) Garbage – Not Your Kind Of People

2012 foi um ano em que a gangue dos anos 90 contra-atacou: tivemos lançamentos de No Doubt, Dandy Warhols, Cranberries, Wallflowers… até o Nirvana gravou uma música! Mas quem se saiu melhor foi o Garbage, que apostou nas suas especialidades: guitarras distorcidas, efeitos eletrônicos e as letras de amor e ódio de Shirley Manson. Se tivesse sido lançado na época de ouro da banda (1998-2001), o novo disco teria ido para o topo das paradas. – Victor Bianchin

12) Alt-J (∆) – An Awesome Wave

Os ingleses do Alt-J chegaram de mansinho em 2012. Lançaram seu debut — que nem foi resenhado por boa parte da mídia — e, com ele, levaram o importante Mercury Prize. Um dos pontos mais interessantes é a coragem de arriscar. A segunda música, por exemplo, é apenas com vocais. An Awasome Wave é uma medida perfeita entre experimentalismo e pop. A produção é tão pretensiosa que chega a ser difícil acreditar que o álbum é a estreia da banda. Se eles continuarem com tanta coragem nos próximos discos, essa deve ser a primeira de muitas listas de melhores do ano nas quais eles irão marcar presença. -Victor Caputo

11) Tame Impala – Lonerism

Assumir a alcunha de bandinha psicodélica do verão, cheia de influências de Revolver ou Pink Floyd ou Supertramp, é fácil. Manter, nem tanto – vide a quantidade de MGMTs que vimos surgir e morrer nos últimos anos. Para Kevin Parker, que leva essa brincadeira a sério, a coisa tem parecido mesmo brincadeira. Complicado? Não pra ele. Lançando seu segundo disco espetacular com o Tame Impala, ou sendo o Tame Impala, ele faz daquilo que parecia já tão batido (falo do rock, mesmo) algo interessante novamente. Parece John Lennon, parece Led Zeppelin, parece pop (e tem hits), mas é Tame Impala. E isso já tem dito muito ultimamente.- Iberê Borges

10) Hot Chip – In Our Heads

O LCD Soundsystem vestiu o paletó de madeira, mas o espírito inquieto de James Murphy parece ter visitado os estúdios de gravação do Hot Chip. Só a épica “Flutes” já valeria o disco, que ainda conta com outros passeios inspirados e regados a pop, linhas de baixo certeiras e sintetizadores com melodias grudentas, como na deliciosa “Night And Day”. Um dos shows imperdíveis do próximo Lolla em nossas terras. – Neto Rodrigues

09) Keane – Strangeland

O EP Night Train marca um período estranho (e ruim) do Keane, que forçou nas experimentações e afastou o público. Com Strangeland, a banda voltou às suas origens, mas sem dispensar a guitarra. Não tem nenhuma faixa com cara de mega hit ou trilha sonora de novela, mas é um disco denso e coeso. -Gregório Fonseca

08) The Shins – Port of Morrow

James Mercer demorou, mas provou mais uma vez que cumpre bem o papel de frontman. Depois de uns anos longe da cena, trouxe um belo disco para apresentar a banda a um novo público. Ora fofo, ora sombrio, ora psicodélico, Port of Morrow é impecável da primeira a ultima faixa. – Gregório Fonseca

07) Grizzly Bear – Shields

Com viagem agendada para o Brasil em 2013, os rapazes do Brooklyn do Grizzly Bear marcaram 2012 com um disco lindo. Não sendo melhor que os dois álbuns anteriores da banda (tarefa difícil!), mas também não cometendo falhas, Shields é impressionante por demonstrar que ainda se pode ser totalmente original na música. Mesmo quando a banda se arriscou em um formato mais rock, com a métrica do rock, inovou. Isso é para poucos. Mas pra eles tem parecido fácil. – Iberê Borges

06) The Vaccines – Come of Age

O amadurecimento dos Vaccines foi, para todos os efeitos, como era de se esperar: difícil. Mas a banda tirou o melhor da situação ao ironizar a necessidade de “maturidade”. Musicalmente, há diferenças e até evoluções. Mas a chave para entender o novo álbum é sacar a ironia. – Victor Bianchin

05) Japandroids – Celebration Rock

Música pra externar demônios, urrar de empolgação, encher a cara com os amigos, pegar a estrada sem rumo, ser impulsivo, inesperado, pular em um show aos 30 anos como se tivesse 16. As definições para o inacreditável Celebration Rock poderiam se alongar por tempo indeterminado – e ainda assim não o descreveriam da forma que ele merece. A dupla – eu disse dupla! – Japandroids evoca o que há de mais visceral no rock e transcende as possibilidades de guitarra + bateria, disparando desabafos sonoros como se fossem socos na cara e chutes no estômago. Que fazem você se sentir melhor do que nunca. – Neto Rodrigues

04) The xx – Coexist

Dizer que Coexist é um momento de decepção na discografia do The xx é no mínimo uma incompreensão violenta. Sim, o álbum de estreia é mesmo mais carismático e explica o sucesso hoje global do trio, mas neste último lançamento a estética meio-silenciosa-meio-dançante de Jamie e seus amigos atinge outro patamar de produção. Combinando à guitarra característica do The xx com “steel drums” pontuais e house beats por todos os lados – sem contar a inegável abordagem “sexy sounds” -, Coexist traz consigo pelo menos três das melhores faixas de 2012: “Angels”, “Fiction” e “Swept Away”. - Hick Duarte

03) Frank Ocean – channel ORANGE

Antes escondido como um simples membro do coletivo de rap Odd Future, 2012 foi o ano de Frank Ocean. Libertou-se de um fardo ao revelar ser gay e chamou atenção grande parte da mídia musical ao com channel ORANGE. É difícil falar tanto em poucas palavras, mas Ocean mixa influências clássicas da música negra, como Prince, além de fazer letras contestatórias vindas da tradição do hip hop, como acontece em “Super Rich Kids” ou “Crack Rock”. – Victor Caputo

02) Dirty Projectors – Swing Lo Magellan

Não é nem um pouco arriscado dizer que, mais uma vez, o Dirty Projectors foi a banda do ano, assim como foi quando lançou Bitte Orca. Apesar da fórmula similar entre os álbuns, que envolvem o experimental com o pop atual, Swing Lo Magellan é mais na prática o que Dave Longstreth entende por pop. De momentos intrigantes àqueles que envolvem lindos backing vocals, passando por ótimos riffs, melodias e andamentos muito bem pensados, o Dirty Projectors lançou o álbum mais propenso a virar “clássico” do ano, levou isso para os palcos e nunca esteve tão perto do público. Isso é o que Dave também entende por pop. – Iberê Borges

01) Jack White – Blunderbuss

A estreia solo de Jack White é uma miscelânea absurda e bem conduzida de todas as suas influências – e olha que não são poucas. E o que poderia resultar num pastiche sem rumo nas mãos de outro músico, se torna uma belíssima coleção de pequenas pérolas contemporâneas, com direito a um lote consistente de devaneios em ritmo de rock, blues, folk e toques de r&b. Se restavam dúvidas de como Jack White iria se comportar sozinho, longe de Meg, Benson, Mosshart e outros companheiros de palco, Blunderbuss apareceu para firmar o multiinstrumentista no hall dos grandes nomes dos últimos tempos. Inquieto como poucos, White fecha 2012 despertando curiosidade: o que teremos de novidades em 2013? Se a média se manter, esperemos por algo não menos do que excelente. – Neto Rodrigues

Existem 11 comentários sobre este post.

Comentários

Leocádia Joana 27 dez 2012

álbum do Ben Kweller
cd da Santigold
disco MDNA

Luiz Jr. 28 dez 2012

Gostei bastante de ver Alt-J, Hot Chip e The Shins na lista, realmente são álbuns muito bons, principalmente o An Awesome Wave (belíssima capa). Mas não curti muito o The XX em 4º, achei meio forçação de barra.

Ricardo 28 dez 2012

1. Grimes – Visions
2. Perfume Genius – Put Your Back N 2 It
3. Trust – TRST
4. Dirty Projectors – Swing Lo Magellan
5. Bat for Lashes – The Haunted Man
6. Laurel Halo – Quarantine
7. Jessie Ware – Devotion
8. Purity Ring – Shrines
9. Crystal Castles – (III)
10. Nite Jewel – One Second of Love

miss P0P 28 dez 2012

Pior disco caça-níqueis p/ um final de ano – Rihanna!!!

cristiano radins 28 dez 2012

Brendan Benson-”What kind of world”. A outra metade de Jack White no Racounters também lançou um album com uma regularidade impressionante.

Priscila 28 dez 2012

Adoro Vaccines, mas não consigo concordar que seja um dos grandes lançamentos do ano.A maior evolução que eu ouvi ali foi em relação as letras – Justin Young eh um excelente compositor.

Jack White e Dirty Projectors = FODA.

Retrô 28 dez 2012

Tava olhando os retornos dos anos 90 e fiz uma lista. Não é 100%, 100% … pq alguns colocam como “retorno” a banda lançar discos. Outros, ela se reunir e fazer turnês. E tem uns que fazem os dois, tipo o My Blood Valentine que voltou pra shows em 2011, mas disco é 2013. O Suede voltou esse ano e inéditas é ano que vem. Bem, mas a ideia é só posicionar quem tá voltando como Smashing Pumpkins e Garbage.

Da galera 90, disparado a Fiona Apple foi a que teve mais espaço nas listas. Mas Sinead O’connor e Neneh Cherry … eu acho que receberam até umas menções boas.

Esse do Garbage é muito bom. Dos melhores deles.
Smashing Pumpkins nos dá esperanças de ser bom novamente.

Troféu caça-níqueis vai pra os Pixies que tão há quase 10 anos tocando e sem gravar nada pra “não estragar o legado”. Pavement, Coal Chamber, Faith no More devem ficar na mesma também.

2003
Breeders = 9 anos inativo

2004
Pixies = 13 anos inativo (voltou só pra shows)

2007
Smashing Pumpkins = 7 anos inativo

2009
Alice in Chains = 14 anos inativo
Skunk Anansie = 10 anos inativo
Portishead = 12 anos inativo

2010
Faith no More = 13 anos inativo (voltou só pra shows)
Pavement = 11 anos inativo (voltou só pra shows)
Hole = 8 anos inativo
Stone Temple Pilots = 9 anos parado
Rage Against the Machine = 10 anos inativo

2011
Bush = 10 anos inativo
Jane’s Addiction = 8 anos inativo
Roxette = 10 anos inativo

2012
Soundgarden = 15 anos inativo
No Doubt = 11 anos inativo
Garbage = 7 anos inativo
Sinead O’connor = 4 anos parada
Cranberries = 11 anos inativo
Sixpence none the Richer = 4 anos parado
Soul Asylum = 6 anos parado
Fiona Apple = 7 anos inativa
Smash Mouth = 6 anos parado
Ugly Kid Joe = 16 anos parado
Sebadoh = 13 anos inativo
Coal Chamber = 10 anos inativo
Wallflowers = 7 anos parado
Swervedriver = 14 anos parado
Guided by Voices = 8 anos inativo
Pulp = 11 anos inativo (voltou só pra shows)
Suede = 10 anos inativo (voltou só pra shows)
Man or Astroman = 10 anos inativo (voltou só pra shows)
Blur = 9 anos inativo (voltou só pra shows)
Cardigans = 7 anos parado (voltou só pra shows)

2013
My Blood Valentine = 22 anos inativo

Garibaldi Pinto 29 dez 2012

FELIZ ANO NOVO, pessoal!!! :)

Nicole 4 jan 2013

nossa, cadê Given to the Wild nessa lista? um álbum tão impecável

Rafael 4 jan 2013

Faltou pelo menos um dos 3 (!) álbuns lançados pelo Ty Segall.

RODRIGO 27 jan 2013

Putz!!!!Só faltou na lista o melhor disco de 2012

Given to the Wild – The Maccabees

Lamentável!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!