Os Melhores Discos Nacionais de 2013

melhores discos nacionais 2013

Arte: Priscila Barker

Após jogar no ar a seleção com duas dezenas de grandes músicas nacionais lançadas durante esse ano, o Move continua seu balanço de 2013 falando sobre alguns dos melhores discos divulgados desde janeiro. Na aba de comentários, participe da conversa e deixe também o seu ranking pessoal de álbuns nacionais. Vamos?

20) Érika Martins – Modinhas

erikamartinsmodinhas

A maior parte das faixas são regravações com uma interpretação muito pessoal de Érika Martins. A cantora escolheu suas “modinhas” (ou músicas para serenata) preferidas e convidou músicos como Otto, Nevilton, Fred (Raimundos) e Gabriel Thomaz para participarem da empreitada. Mas também há faixas inéditas, como a ótimo “Fundidos”, que abre o disco. – Gregório Fonseca

19) Bárbara Eugênia – É O Que Temos

bárbara eugênia

O cabaré esfumaçado do primeiro álbum de Bárbara, Journal de BAD, ganhou tonalidades mais puxadas para o verde e amarelo neste segundo ato. Entre parcerias bem encaixadas, a cantora absorve a música brega e outras influências nacionais para entregar baladas charmosas, canções sofridas e alguns raios de sol, como a feliz “You Wish, You Get It”, que faria bonito num disco do She & Him.  – Neto Rodrigues

18) Os Amantes Invisíveis – Novo

Novo

A banda que começou como uma dupla formada pela brasileira Marina Ribeiro e pelo grego, Alexis Gotsis já chegou a ter oito integrantes mas hoje conta com cinco membros em sua formação. Novo é seu segundo EP, tão bom que só faz aumentarem as expectativas para um álbum completo. Definindo o som em poucos termos, poderíamos dizer que Os Amantes Invisíveis são uma mistura de The National com Ludov temperada com raízes brasileiras. – Gregório Fonseca

17) Cambriana – Worker

Um ano após ter lançado sua estreia, com o ótimo House Of Tolerance, a Cambriana, de Goiânia, mostra que o debute não foi sorte de principiante. No EP Worker, o grupo percorre meia dúzia de faixas com maturidade e jogando na cara uma sonoridade rica e cheia de detalhes. A sensibilidade e as referências de Luis Calil, fundador do projeto, ainda irão render muitos momentos dignos de nota. Pode escrever. – Neto Rodrigues

16) Boogarins – Plantas Que Curam

boogarins

O segundo semestre de quem está sempre à caça de novidades nacionais foi inundado pela chuva psicodélica proposta pelos meninos do Boogarins. O rock viajadão dos anos 60 e 70 revivem nas guitarras do quarteto de Goiânia, que soa como se o Tame Impala fizesse uma road trip esfumaçada pelo cerrado brasileiro.  – Neto Rodrigues

15) Clarice Falcão – Monomania

Clarice Falcão - Monomania

O álbum de estreia de Clarice Falcão foi concebido ao lado do público, que por meses acompanhou cada nova composição através de vídeos no Youtube. De webhit à queridinha do Brasil (com um empurrão significativo do Porta dos Fundos) foi um pulo. Reconhecimento merecido. As letras repletas de ironia e humor nonsense só não arrancam gargalhadas do público porque a plateia já está cantando junto cada uma de suas canções. – Gregório Fonseca

14) Arnaldo Antunes – Disco

Disco - Arnaldo Antunes

São quinze faixas que, embora não passem uma imagem de uniformidade, se sustentam como singles isolados. Disco não parece um álbum conceitual: tem cara de coletânea de greatest hits. No entanto, há uma significativa diferença: todas as gravações são inéditas. Com mais de trinta anos de carreira, Arnaldo Antunes é um dos poucos representantes do rock brasileiro dos anos 80 que ainda produz material tão relevante quanto o de décadas atrás. – Gregório Fonseca

13) Tom Zé – Tribunal do Feicebuqui

zé tom

Tom Zé não estava habituado ao ambiente selvagem da internet. Após virar garoto propaganda de uma marca de refrigerante foi julgado pelo tribunal do Feicebuqui e se surpreendeu com a reação do público. Mas será que realmente era seu público, ou eram apenas trolls? Sua réplica não poderia ser melhor: um EP inteiro dedicado ao caso e um de seus trabalhos mais inspirados dos últimos anos. – Gregório Fonseca

12) Don L – Caro Vapor/ Vida e Veneno de Don L

don l

Divulgada como uma mixtape, a nova criação do rapper cearense Don L é cheia de recortes de sua vida, participações especiais, samples e batidas charmosas e urbanas. É aproveitar a vida sem ostentar, basicamente. Em pouco mais de uma hora, dá pra ouvir hip hop, r&b, blues, auto-tune, pop sensual-sem-ser-vulgar e alguns riffs perdidos de rock. Tudo isso faz a cama para o flow preciso de Don e suas rimas disparadas com malícia e consciência.  – Neto Rodrigues

11) Baleia – Quebra Azul

baleia

Durante toda a duração de “Quebra Azul”, há sempre aquela curiosidade sobre o próximo acorde, a próxima virada, a mudança de ritmo e andamento que está logo ali na esquina. Isso tira o registro da monotonia e pinta um quadro cheio de nuances especiais, possibilidades de estilos e letras enigmáticas. Da abertura ensolarada, com “Casa”, ao final apoteótico, com “Despertador”, Quebra Azul convida o ouvinte para um passeio curioso e longe do senso comum. – Neto Rodrigues

10) CESRV – One Thousand Sleepless Nights

cesrv

CESRV é Cesar Pierri, do selo paulistanoBeatwise Records. E One Thousand Sleepless Nights é seu disco mais recente. Curtinho, o trabalho contempla recortes diversos e dá um giro por influências de soul, black music e R&B, com beats e grooves pra dançar até amanhecer e melodias mais apropriadas para um dia preguiçoso. A música eletrônica dos anos 90 também marca território, como dá pra perceber, obviamente, em faixas como “How I Miss 90’s” . – Neto Rodrigues

09) Dorgas – Dorgas

Dorgas

O Dorgas basicamente nem se esforça para esconder o tom irônico e as zoações de suas letras e arranjos. No entanto, esse lado desencanado joga a favor se você aceitar os falsetes estranhos, os timbres pouco usuais e os temas improváveis das canções. É como estar no meio de uma jam session de amigos entrosados, cheios de boas ideias e influências, que vão do pop de vanguarda ao jazz fusion. Uma estreia pra fazer você ficar de olho nos próximos passos da banda carioca. – Neto Rodrigues

08) Phillip Long – Gratitude

Phillip Long - Gratitude

As composições vêm em grande quantidade e com facilidade nos últimos anos para Phillip Long. Gratitude foi o primeiro de dois discos lançados nesse ano, e o sexto dos últimos três anos. Neste, ele também acertou na sensibilidade das músicas, dessa vez com todo amor do romance que vivia e depositou nas faixas. Há algo sincero e voraz no que diz e na forma como compõe, que não há atualmente no cenário brasileiro. – Iberê Borges

07) Garotas Suecas – Feras Míticas

Garotas Suecas - Feras Míticas

O período entre o lançamento do disco de estreia e a divulgação de Feras Míticas fez muito bem à banda paulistana. Sua prova de fogo com o segundo álbum foi vencida com sucesso, deixando a jovem guarda e o psicodelismo retrô um pouco de lado para explorar outros caminhos, apesar de não ter aberto mão do suingue e dos grooves pontuais. O resultado da nova fase fica claro com a linda balada “A Nuvem”, com o reggae mansinho de “Bucolismo” e com a inocente “O Primeiro Dia”. – Neto Rodrigues

06) Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra

Antes Que Tu Conte Outra

Nada poderia antecipar a pedrada que seria o novo disco do Apanhador Só. De banda promissora em seu primeiro disco, que apresentava uns “bons rocks” e ideias interessantes, os gaúchos pularam para o posto de grupo que arrisca e que não tem medo de experimentar. O estranhamento acontece a princípio, mas é substituído por admiração e reconhecimento. Nada mais justo pra uma banda que pariu pérolas como “Despirocar”, “Rota” e “Vitta, Ian, Cassales”. – Neto Rodrigues

05) Nevilton – Sacode!

Nevilton - Sacode

Tendo a esperteza na composição, que já era visível nos primeiros trabalhos, aliada a uma experiência que esses anos que se passaram trouxeram, o paranaense Nevilton une arranjos simples e bem pensados com letras despojadas, que não querem soar engraçadinhas, mas são de simplicidade tocante – daquelas raras no rock nacional.  Ponto pro Nevilton. – Iberê Borges

04) Wado – Vazio Tropical

Wado-Vazio-Tropical

A carreira de Wado lhe pedia um disco só de canções e Vazio Tropical veio preencher essa lacuna. Com produção detalhista de Marcelo Camelo, Wado chama uma porção de participações para dividir seu sentimento conosco, e a forma de fazer isso tudo foi a melhor possível: veio em 11 faixas. – Iberê Borges

03) Marcelo Jeneci – De Graça

de graça

Jeneci filtrou suas vivências, alegrias, tristezas e decepções que rolaram desde o festejado lançamento de seu disco de estreia para construir um registro fresco, honesto e sensível, mas sem parte da perigosa carga piegas de Feito Pra Acabar. Abusando de arranjos grandiosos e fugindo de rótulos fáceis, Marcelo criou um dos momentos mais bem produzidos da música pop brasileira em 2013, que contam histórias, fazem dançar, emocionam e exaltam que o melhor da vida sempre vem de graça. – Neto Rodrigues

02) Vanguart – Muito Mais Que O Amor

vanguart

O Vanguart não tem receio do pop. Se precisava apurar a simplicidade, mergulhou de cabeça e coração nisso. Num clima mais otimista, a banda lança seu álbum mas conciso, maduro e acessível, não cabendo apenas a uma cena específica e deixando a amplitude tomar as rédeas. – Iberê Borges

01) Emicida – O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui

Emicida

O milionário do sonho do rap paulistano finalmente soltou seu álbum de estreia. Após “gastar” tanta munição em EPs e mixtapes anteriores, a curiosidade pairava sobre a capacidade de Emicida manter o ritmo de seus lançamentos menores. A resposta é fulminante. Em menos de uma hora, o rapper joga na roda debates sobre preconceitos, rimas implacáveis, batidas agressivas e letras que mais se parecem manifestos sobre desigualdades e injustiças. Mas no meio desse turbilhão de polêmicas, ainda há espaço para voltar a ser criança (“Sol De Giz De Cera”), para rir daquelas figuraças encontradas em toda vizinhança (“Zóião”), para sambar ao lado de Wilson das Neves (“Trepadeira”) e também para espalhar o amor pela música por aí (“Ubuntu Fristili). Música essa que, pra nossa sorte, é a religião de Leandro Roque de Oliveira, nosso Emicida. Amém.  – Neto Rodrigues

  • royston evelyn clarke

    Nada mal..muito bom pra acordar tirar a cera do zouvidosssss e olhar a cena do dia dia