Os melhores discos nacionais de 2014

Reunimos alguns dos principais álbuns lançados por bandas e artistas brasileiros durante o ano

Arte: Iberê Borges

Depois de ouvir e escrever sobre os principais lançamentos do ano, o Move apresenta, nesse fim de 2014, os melhores momentos que passaram por nossas páginas desde janeiro. Já mostramos nossas músicas nacionais favoritas. Agora, é a vez de selecionarmos os 25 melhores discos lançadas no Brasil neste ano. A lista começa com menções honrosas em ordem alfabética e segue com o ranking principal, organizado através de votações entre alguns colaboradores do site.

 

Menções honrosas:

fresnoholgerseculos-apaixonados

Fresno – Eu Sou A Maré Viva (EP)

Esqueça o emocore. No seu EP mais recente, a Fresno mira o rock de arena com refrões intensos e melodias grandiosas. Lenine e Emicida se juntam à banda em uma parceria inusitada, mas de resultado surpreendente. (Gregório Fonseca)

Holger – Holger

Quando uma banda muda seus caminhos, toma novas decisões e aposta em um novo formato, não necessariamente ela quer ser outra coisa que não ela mesma. Talvez seja apenas ela mesma, como nunca conseguir demonstrar – e Holger, o álbum, é esse retrato, de um mais melodioso e encorpado Holger, a banda. (Iberê Borges)

Séculos Apaixonados – Roupa Linda, Figura Fantasmagórica

A estreia da banda carioca veio para embalar corações que sofrem por amor até altas horas e que não desgrudam dos programas de rádio da madrugada. A partir de agora, sintonize na frequência do Séculos Apaixonados que não tem erro. (Neto Rodrigues)

 

25. Mombojó – Alexandre

Iberê Borges

Alexandre é o nome que se dá ao Mombojó em seu retorno à inventividade. Ainda que o disco seja estranho e cheio de remendos aparentemente mecânicos, principalmente se comparado ao auge dos recifenses, são saudáveis e muito rentáveis os estudos e experimentos executados em estúdio. Há uma ousadia em forma de despreocupação que combina muito bem com o Mombojó – parece o acaso, mas o importante é que a banda voltou a acertar (e bem) sem precisar recorrer ao óbvio.

 

24. Inky – Primal Swag

Neto Rodrigues

A música eletrônica soa mais orgânica que nunca no debute caprichado da banda Inky, de São Paulo. O clima durante as 10 canções fica entre o tenso e o dançante, com faixas mais diretas (“Echoes In The Groove”, “Baby, Reptile”) e momentos mais contemplativos (“Massive”, “Coincide”). Ao vivo, tudo ganha o dobro da potência. Ou seja, uma estreia pra ser vista e ouvida.

 

23. Skank – Velocia

Gregório Fonseca

O Skank é tão presente no cenário nacional que nem parece que seu último disco de inéditas tinha sido lançado no longínquo ano de 2008. A banda tem tantos hits que poderia durar por mais algumas décadas tocando as preferidas dos fãs e gravando discos ao vivo. Mas Velocia traz novidades: parcerias inéditas, como Lucas Silveira (da Fresno), Emicida e BNegão, e muitas faixas com potencial de se tornar queridinhas do público (como já podemos dizer que aconteceu com “Ela Me Deixou”).

 

22. Titãs – Nheengatu

Gregório Fonseca

Assim que Nheengatu foi lançado, as comparações com Cabeça Dinossauro foram imediatas. Passados alguns meses, o álbum conquistou vida própria e os shows da turnê mostraram que musicalmente os Titãs voltaram ao topo da carreira. Recheado de temas polêmicos, como polícia, miséria, corrupção, pedofilia e respeito à diversidade, a banda se apresenta com o frescor de jovens e a experiência de veteranos.

 

21. Van der Vous – La Fuga

Neto Rodrigues

A pegada neopsicodélica da vez vem da capital baiana, de onde os novatos do Van der Vous liberam seus riffs alucinógenos regados a rock viajadão dos anos 60 e 70. O resultado é La Fuga, com uma dezena de músicas que vão de Beatles a Tame Impala em poucas palhetadas. Destaque para a faixa-título, com seus teclados orientais e solo de guitarra matador.

 

20. Huey – Ace

Neto Rodrigues

Gravado ao vivo em estúdio na Califórnia, Ace é um dos álbuns instrumentais mais vigorosos do ano, carregando o peso de três guitarras, um baixo distorcido e viradas monstruosas de bateria. “Valsa de Dois Toques” é um dos ápices do trabalho, disparando repetições e mudanças equilibradas que martelam na cabeça. A longa “Por Detrás de Los Ojos” também é bom exemplo da usina de barulhos da qual o Huey é capaz.

 

19. Constantina – Pelicano

Neto Rodrigues

Pelicano não é para ouvintes afoitos e inquietos, que esperam ser atingidos por torrentes de barulhos logo de cara. Em vez disso, é um trabalho para ser degustado aos poucos, com detalhes escondidos de forma criativa ao longo de quase 50 minutos distribuídos com paciência entre apenas quatro faixas. O quinteto instrumental de Belo Horizonte cria paisagens progressivas que também funcionam como trilha sonora de dias nublados e preguiçosos.

 

18. Alice Caymmi – Rainha dos Raios

Allan Assis

O exercício de criação não necessariamente passa pela escrita de próprio punho. Em Rainha dos Raios, Alice Caymmi rearranja, em sua maioria, séries de faixas e as coloca sob a visão de uma persona em processo de deterioração. Escolhendo temas já conhecidos nas vozes de outros artistas, recria em seu ponto de vista faixas geralmente tocadas por fator que varia entre melancolia e raiva, tanto em voz, quanto nas instrumentações escolhidas com a ajuda do produtor Diogo Strausz.

 

17. Transmissor – De Lá Não Ando Só

Neto Rodrigues

A poesia agradável do Transmissor se espalha por uma dúzia de novas canções no disco De Lá Não Ando Só, o mais bem resolvido de sua carreira. No terceiro passo do grupo, o produtor Miranda apareceu para deixar o pop rock mineiro da banda mais redondo e acessível. As belíssimas “Queima o Sol”, “Só Um” e a faixa-título são exemplos de que a parceria prosperou.

 

16. Racionais MC’s – Cores & Valores

Gustavo Sumares

Quem esperava, no retorno dos Racionais MC’s, as longas surras de rima que o grupo costumava mandar, quebrou a cara. Mas se antes Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay eram a ponta de lança de um estilo que lutava para abrir espaço na mídia, agora, 12 anos depois, eles são apenas parte de uma grande cena que eles ajudaram a construir. As pílulas de menos de um minuto e as faixas mais concisas de Cores & Valores mostram uma nova cara do grupo, jogando nesse novo cenário o jogo que eles sabem jogar como ninguém.

 

15. Nação Zumbi – Nação Zumbi

Allan Assis

No homônimo Nação Zumbi, Jorge Du Peixe e seus associados finalmente encontraram a síntese. Disco capaz de se resumir em pequenos núcleos de faixa pesados nas guitarras de Lúcio Maia, mas estruturados pelas percussões de Bola 8 e Toca, é, provavelmente, a volta à essência mais sincera que se esperaria dos recifenses. Dando descanso às sonoridades mais diversas de Fome de Tudo (2007) e na melancolia de Futura (2005), quebram o silêncio de sete anos sem lançamentos se apresentando a um novo público em formato mais enxuto e de ligações mais sólidas com o rock.

 

14. SILVA – Vista pro Mar

Neto Rodrigues

Parece que o mar fez bem a SILVA. Se em Claridão o músico testava caminhos e sonoridades, no novo trabalho ele fica à vontade e se entrega a um pop mais rebuscado. A brisa das canções carrega ruídos eletrônicos, sintetizadores e metais bem encaixados com intervenções orgânicas. “Okinawa” e “É Preciso Dizer” são exemplos de como SILVA conseguiu colocar dream pop, chillwave e letras em português numa mistura que mostra evolução e personalidade únicas.

 

13. Lurdez da Luz – Gana Pelo Bang

Neto Rodrigues

A diversidade de sons e batidas experimentadas em Gana Pelo Bang joga a favor de Lurdez da Luz. O leque passa por pancadões nervosos, arranjos mais dançantes, ritmos regionais e influência quase que onipresente do funk carioca. O ritmo frenético também tem a mão de produtores competentes, como Nave e Léo Justi, que pavimentaram o caminho para que a MC paulistana soltasse um dos grandes lançamentos do rap nacional em 2014.

 

12. Luziluzia – Come On Feel The Riverbreeze

Neto Rodrigues

Come On Feel The Riverbreeze soa como uma sessão de gravação inspirada e feita de uma só vez por um grupo de amigos cheios de ideias flutuando em seus instrumentos. A “digestão” não poderia ser mais fácil: rock alternativo simples, com guitarras criativas, cozinha segura e um vocalista de sensibilidade pop apurada para ganchos melódicos. Toques de psicodelia e lo-fi fecham a conta do melhor álbum indie nacional que você provavelmente não ouviu neste ano.

 

11. Adriano Cintra – Animal

Allan Assis

Animal, álbum de estreia do hoje produtor Adriano Cintra, é o exemplar de um disco pop brasileiro como há muito não se avista no cenário nacional. Produto direcionado às pistas, traz beats e instrumentações com clara intenção dançante, mas núcleo de um tino popular que ajuda a ilustrar os frequentadores das noites daqui. Entre o deboche de expressões com trocadilhos sexuais, fábulas sobre caçadas em baladas e declarações de amor com cara de bebedeira, o registro que assume a brasilidade como apanhado que dispensa a dita “elegância” do cancioneiro popular das rádios é divertido, grudento e inteligente.

 

10. Tom Zé – Vira Lata Na Via Láctea

Gregório Fonseca

Depois de ser julgado pelo Tribunal do Feicebuqui por conta de uma polêmica sobre comerciais de TV, Tom Zé se aproximou ainda mais da geração Y cantando sobre e para ela. Cercado de gente nova, como O Terno, Filarmônica de Pasárgada, Trupe Chá de Boldo, Criolo, SILVA e Tatá Aeroplano, ao mesmo tempo em que consolidou parcerias com medalhões como Milton Nascimento e Caetano Veloso, Tom Zé foi responsável por um dos registros mais diversos e atuais desse ano.

 

09. Pato Fu – Não Pare Pra Pensar

Gregório Fonseca

Não Pare Pra Pensar parece até um contraponto com o último disco de inéditas do Pato Fu, Daqui Pro Futuro. Enquanto o trabalho de 2007 evocava reflexão, agora, a banda parece querer aproveitar o momento – ou todos os momentos, com canções inspiradas, envolventes e autênticas. Fernanda Takai canta (lindamente, como sempre) a maioria das canções, mas John Ulhoa também brilha no vocal de “Ninguém Mexe Com o Diabo” e “You Have To Outgrow Rock n’ Roll”.

 

08. Lestics – Seis

Iberê Borges

Seis é o número de faixas suficiente para o Lestics fazer um dos lançamentos do ano. Novamente encontrando-se no rumo criativo que já os permitiu lançar outros bons registros, o sexto trabalho de Olavo e companhia percorre um caminho de perspectivas, encontrando-se ora no otimismo, ora na desesperança. Como trilha, as influências folk predominam, valorizadas por piano, cordas e sopros, que se alternam para que o introspectivo e o acessível se equilibrem de forma delicada – tão delicada que, sob uma situação mais turbulenta, quem se fragiliza é o ouvinte.

 

07. ruído/mm – Rasura

Neto Rodrigues

Em Rasura, a banda curitibana ruído/mm eleva o nível do post-rock instrumental nacional, criando belíssimas paisagens em uma trilha sonora perfeita para um filme inexistente. A absurda “Requiem For a Western Manga” conjura danças entre música clássica e guitarras de um faroeste improvável, enquanto “Cromaqui” e “Inconstantina” disparam riffs pesados. Enfim, uma obra para ser degustada aos poucos, nota por nota, frame por frame.

 

06. Banda Do Mar – Banda do Mar

Gregório Fonseca

A Banda do Mar foi uma das melhores surpresas de 2014. As composições de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães poderiam estar nos discos solo de cada um, mas se encaixam muito bem no novo grupo, mostrando como os músicos estão em sintonia. Praticamente todas as faixas têm forte apelo pop. Não é uma banda que vai gerar uma idolatria como o Los Hermanos, mas certamente irá prover bons momentos para seus ouvintes.

 

05. Juçara Marçal – Encarnado

Allan Assis

Em sua estreia solo, a veterana Juçara Marçal (Metá Metá, Padê e A Barca) inicia seu discurso explorando o fim da vida. Entre as sonoridades dissonantes das guitarras de alguns dos integrantes do grupo paulistano Passo Torto, suprime percussões e baixos lúgubres criando um gênero que se sirva unicamente a suas intenções: híbrido de samba, rock e sonoridades africanas. Fugindo de clichês, reinventa o modo de falar sobre o tema, entre composições inéditas e apropriações de outros artistas, trazendo variações como a loucura, o luto e o desespero de quem se aproxima da morte.

 

04. Carne Doce – Carne Doce

Iberê Borges

A curiosidade é o tempero que mais se destaca no prato que é servido pelo álbum de estreia do Carne Doce. O requinte dos arranjos ricos, a influência de estilos em tão precisa fusão, os temas poéticos tão poucos usuais e a excêntrica voz de Salma são os ingredientes que nos consome, que nos mastiga, e que apura nosso interesse, de forma que é difícil experimentar pela primeira vez e não querer mais. Sirva-se.

 

03. Câmera – Mountain Tops

Iberê Borges

O longo tempo de elaboração de Mountain Tops pareceu extremamente justo quando o resultado estava pronto. O Câmera, sem pressa e com precisão, elaborou o conjunto de faixas mais sedutor do ano, com uma perfeita harmonia entre produção, talvez a mais competente dos lançamentos de 2014, e composição, somada a arranjos sensíveis e poderosos. Explorando o universo rock sem ser pedante, são poucos os exemplos de bandas que compõem 52 minutos sem falhar. Aproveite este.

 

02. Far From Alaska – modeHuman

Neto Rodrigues

Contrariando tendências de consumo de música atualmente, que deixaram o número de faixas em um disco oscilando entre 9 e 11, o Far From Alaska jogou logo 15 temas em seu álbum de estreia, incluindo a monstruosa “Monochrome”, com seus nove minutos. E você percebe que está diante da banda mais promissora do país quando ouve o trabalho inteiro sem conseguir descartar uma canção sequer. Pedradas como “Dino vs. Dino”, “Communication” e “The New Heal” estão aí para não deixar mentir. Vida longa e próspera ao FFA.

 

01. Criolo – Convoque Seu Buda

Allan Assis

Os assuntos que interessam a Criolo são plurais. Em Convoque seu Buda, o rapper passeia por tantos conteúdos, apontando hipocrisias e tecendo críticas, que raramente é possível separar um tema que tome conta por completo uma faixa. Suas letras lançam voz a tudo que merece reflexão: o abandono dos habitantes da cracolândia, a expansão imobiliária que impulsiona o despejo de famílias nos centros urbanos – e principalmente, nosso distanciamento diante dessas questões, transformando absurdos em cotidiano. Musicalmente, se abre ainda mais a ritmos brasileiros abusando da competente produção de Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, expandindo ainda mais seus horizonte a outros gêneros, como samba, baião e reggae. Pouco linear, mas claro em seus detalhes, é Criolo provando que seu talento não se limita a um hit improvável.

2 Comentários para "Os melhores discos nacionais de 2014"

  1. Pingback: FAR FROM ALASKA > A Banda do Ano! | Músicombo

  2. Pingback: ACE – Listas de Melhores de 2014 | HUEY

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