Os oito anos do álbum de estreia do Arctic Monkeys e algumas memórias do Tim Festival

Arctic-Monkeys 2006

Há pouco mais de oito anos, o universo da música se engrandecia. Lançado em janeiro de 2006, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, álbum de estreia do Arctic Monkeys, chegou como um sopro de novas energias a um certo padrão musical. Hoje, um bom tempo depois, é difícil imaginar o rock contemporâneo sem a presença dos garotos do Reino Unido. Arctic Monkeys já mobiliza um emaranhado de fãs e canções de destaque no mundo todo.

No começo dos trabalhos, apesar do potencial declarado, era difícil apontar rumos para a banda. E uma ida ao já findado Tim Festival, em São Paulo, no longínquo ano de 2007, teve um peso considerável na previsão do que poderia vir a seguir, além de ter sido um show que mexeu possivelmente com a maioria dos ali presentes – inclusive com este que vos fala.

Lembro-me exatamente como foi a apresentação – daquelas que rolam e fazem perceber que o que você ouvia no disco, no conforto de casa, você também escutava ali, no palco do Tim. Houve empolgação, sim. Mas eram, de fato, moleques iniciando um caminho no qual pouquíssimos conseguem se firmar. Agora, alguns álbuns e toda uma carreira mais tarde, não é nenhum desafio definir o quão longe chegaram – e seu potencial de ir ainda mais longe.

A performance no Brasil teve  como característica o fator novidade.  A própria sensação do público em geral, que caminhava entre curiosidade e empolgação, denotava a atmosfera de um “começo de tudo”. Do setlist, o único pecado foi a ausência de “Mardy Bum”. Eles também se atrasaram, faltou cerveja gelada e comida no festival. Mas ainda que muitas pessoas conhecessem basicamente “I Bet That You Look Good On The Dancefloor”, a queridinha do primeiro disco, e “Fluorescent Adolescent”, destaque do segundo, durante cerca de uma hora o que se ouviu foi genuíno. Os caras sabiam exatamente o que faziam.

Embora os Arctic Monkeys, em seu engatinhar, tenham sido definidos dentro de um certo cenário de tranquilidade com algumas agressivas intervenções, foram as mudanças constantes em cada um de seus discos que ajudaram no desenvolvimento e evolução dos macacos.  De presente, a banda veio com AM, um dos destaques do ano passado. E apesar de longe de unânime, o trabalho faz sentido ao ser analisado diante da carreira do grupo de Sheffield, principalmente para quem estava lá quando Whatever foi lançado e quando Alex Turner e companhia fizeram sua primeira turnê em palcos brasileiros.