Otto: o showman

Otto em lançamento do Ottomatopeia. Foto: Camila Ceronte/Divulgação

Quando finalmente assisti a uma apresentação do Otto pela primeira vez há alguns anos, não fazia ideia da catarse que vinha do palco. A cada música uma fala, uma dança, uma blusa puxada até o peito e água, muita água jogada na cabeça. Mesmo no frio, minha gente! No frio! Pois no show em que apresentou no teatro do Sesc Pompeia, foi algo muito mais comedido do que se podia imaginar vindo dele mesmo. Falou até pouco e várias vezes se perguntava “Mas por que eu estou falando isso, meu Deus?”, o que fazia com o que todo mundo caísse na gargalhada.

Não precisou nem de dois acordes de “Bala”, música que abriu o show e abre o seu mais novo disco, o Ottomatopeia (2017) para que grande parte da plateia fosse para a beirada do palco ver seu ídolo de pertinho. Vestido todo de preto com roupas Cavalera (praticamente um uniforme), Otto fez o que vem fazendo já há alguns anos, ousou no “casaco”, que neste caso era um blazer assinado pelo badalado estilista João Pimenta, que trabalha em parceria com Emicida e Fióti no Lab Fantasma. Diga-se de passagem, um belo blazer.

Mas porque estou falando mais da roupa do que do show em si. É simples, Otto nem de longe fez o que poderia fazer no palco. Parece que ele mesmo ainda está se acostumando com as músicas novas e por isso, foi uma noite bem comportada. Com inclusive o disco sendo tocado na íntegra, sem nenhuma grande novidade. Apenas a participação de Marcinho Oliveira no trompete e uma participação completamente inexplicável de Junio Barreto.

Sim, Junio subiu ao palco para cantar duas músicas, “Amigos Bons” e “Qualé Mago?”, que estão em seu primeiro disco homônimo lançado em 2007. Por quê? Não sei! Pareceu mais uma parada de brodagem, algo do gênero: “Amigo, vou te dar uma força, porque a crise tá foda!”. E é essa crise que a cada dia que passa, diminui ainda mais a simpatia pelo governo e por isso, gritos de “Fora Temer” foram soltos no ar em determinado momento do show. Após a discussão que se meteu no programa da Jovem Pan, o Morning Show, Otto, esse ser humano de opiniões fortes e no espectro da esquerda, ficou mais na dele e disse apenas: “Eu só tenho uma coisa a dizer. Não importa quem ganhe, eu só quero o meu voto”.

Muito aplaudido pela plateia, ele continou o show. A citação dele tem uma explicação bem simples, o Congresso Nacional e também o tal presidente da República estão em um concluio para votar que as eleições de 2018 não ocorram e que o próximo presidente seja eleito pelos parlamentares. Pode isso, Arnaldo? Para você entender melhor, dois links, um da Agência Brasil com o Temer(ário) falando (merda), e outro do El País para você entender mais sobre a tal “reforma” política.

Com blazer assinado por João Pimenta. Foto: Camila Ceronte/Divulgação

Voltando ao Otto. 

Por mais que tenha feito um show mais morninho, ótimo para o formato do teatro e para um domingão, o pernambucano é sempre carismático. Impresionante como as pessoas ficam completamente hipnotizadas por sua figura, que dança, pula, e tira e coloca blazer e sobe blusa e… As fotos e os olhares de prazer não param. Os risos muito menos. Otto sabe conquistar sua plateia, sabe o que eles querem e sabe como levá-la até lá. Sim, ele é um showman!

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