Ottomatopeia é um resumo do que é o próprio artista: amor

Capa de “Ottomatopeia” com foto de Kenza Said/Divulgação.

Fundamentalmente, o sexto álbum de estúdio do pernambucano paulistano Otto fala sobre amor, mas ele usa do tema como plano de fundo não só para dores de cotovelo, como em “Atrás de Você” (“Mas o amor me deixou, não quer mais), ou de relações deliciosas de se viver como em “Carinhosa” (“essa noite passada eu sonhei com você e adorei, carinhosa”) – uma parceria com Zé Renato -, ele também aborda temos da cotidianos da nossa política, como em “Bala”, música que abre o disco e é um tiro de poesia. Durante todo o disco, ele vai soltando algumas “farpas” e criticando o atual momento do país. Na citada canção, por exemplo: “Bala que dispara contra o tempo volta/Palha quando queima na beira da estrada”.


“Algumas composições são tão profundas que a compreensão, na verdade, é de quem escuta. Mas geralmente falo de coisas contemporâneas, e o amor continua sendo o tema principal. Por meio do amor vou abrangendo tudo, e falando sobre a vida”, contou em nota enviada à imprensa.

O disco tem onze faixas e demorou cinco anos para ser gestado. O último álbum de Otto foi o excelente The Moon 1111 (2012). E tem participações que até Deus duvida, Andreas Kisser está em “Orumilá”, Roberta Miranda canta em “Meu Dengo”, única versão do álbum da própria Roberta e ainda temos Céu, Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro, Donatinho. Pupillo, o produtor de Ottomatopeia, também participa em alguma faixas e convocou amigos como Bactéria e Gustavo da Lua para tocarem/cantarem nos backings.

O álbum passou pelos estúdios da Red Bull em São Paulo, no de Pupillo e do produtor e também músico Kassin, que também toca na faixa “Dúvida”, numa pegada bem Boogarins. Sim, pode acreditar. O novo trabalho tem como base as seguintes influências: “rock como sonoridade e comportamento; a África e a sua cultura ancestral; o romantismo alemão; o trabalho do fotógrafo japonês Araki Nobuyoshi; tortura política; e o mundo contemporâneo”.

Daí, tem música para dançar, para dançar agarradinho, como “Teoorema” com os Cordeiros, tem uma sofrência básica em “É Certo o Amor Imaginar?” ou rebolativo sensual em “Pode Falar, Cowboy!”.

Mais uma vez Otto segue no mais alto patamar da música nacional, três álbuns seguidos em que cutuca a ferida, fala de amor (em algumas horas com amargura, afinal o amor nem sempre é bonito e se relacionar é complicado mesmo) e mistura a MPB com batuques africanos e agora eletronices de Donatinho. Grande canditado as listas de melhores do ano, com certeza!

E quando se trata de Otto, né? Tem polêmica. E nada tem a ver com o disco, que como já falamos aí, é ótimo. Mas por uma entrevista que ele deu ao programa Morning Show, na Jovem Pan, que é comandado pelo Edgard Piccolli. Acontece que ele é um artista de esquerda e sempre se posicionou assim. Durante a entrevista que rolou na sexta (28), ele se exaltou a falar de política, da condução do país e defendeu Dilma Rousseff, dizendo que ela merecia um pedido de desculpa. O jornalista Augusto Nunes acabou lhe tirando um pouco da paciência ao dizer: “Não tem partido?”, querendo dizer que ele era um “petista”. Bem, para saber o que aconteceu, dê uma olhada na versão editada do programa:

 

 

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