Passion Pit – Gossamer

2009 e o Passion Pit lançava Manners, disquinho mais do que adorável. Todos comentavam, adoravam e babavam. O hype estava feito. 2010 e eles estavam num festival aqui no Brasil, em que eu estava presente, mas perdi o show. Todos elogiaram, diziam que aquele tinha sido o melhor do festival. Eu estava decepcionado por ter deixado passar. E ter esperado mais dois anos por novidades (e três por um disco novo), confesso, esfriou um pouco as coisas. Já não ouvia o debute da banda há bastante tempo e esperava por uma volta sem graça da banda. Então, eis que surge Gossamer e me faz quebrar a cara.

O novo álbum de Michael Angelakos e sua turma acerta, exatamente, por não procurar te surpreender. Não há nada que o Passion Pit esteja fazendo agora que não tenha feito antes. Talvez as influências R&B aguçaram, Angelakos se firmou como um compositor excelente e se expôs um pouco mais, os holofotes também não estejam tão de olho neles, mas, enfim, é basicamente um Passion Pit de Manners mais apurado que você encontrará em cada faixa. E não é preciso (só) agora dizer que a banda continua pop até os dentes. As melodias fáceis feitas de falsetes e sintetizadores continuam apaixonantes. Por que então não se entregar facilmente nos braços da banda? É isso que, a cada momento doce ou empolgante, Gossamer parece querer te dizer. E se passar a paixão? Passou. Angelakos sabe que vai ficar tudo bem e quer que você saiba disso também.

Essa segurança para compor, apesar de toda insegurança do compositor exposta em algumas de suas letras, é o que move o ouvinte da primeira até a décima segunda faixa. Mas, mesmo com tudo isso, as músicas não convencem a todo o momento, é claro. “Mirrored Sea”, por exemplo, parece uma versão remix ruim de si própria. “Cry Like A Ghost” parece vazia e automática demais. “It’s Not My Fault, I’m Happy” soa como encomenda da Disney. Porém, os deslizes por excesso de confiança não refletem nas outras faixas do disco. “Take A Walk”, “I’ll Be Alright” e “Carried Away” são hits certeiros com a cara do quinteto. A baladinha R&B “Constant Conversations” pode lembrar até Tim Maia em momentos românticos (isso é um elogio). “On My Way” e “Love Is Greed” são pops perfeitos em versão Passion Pit.

Mas é ao observar cada canção funcionando isoladamente, e como elas funcionam mesmo fora de contexto, que se reforça o valor de Michael Angelakos. A habilidade de criar hits poderia fazê-lo ser comparado a grandes nomes da música pop (daquelas comparações que só geram polêmicas), já que mesmo nos deslizes essas grandes figuras não perderam seu prestígio. Se não fossem os detalhes de experimentação em arranjos e timbres, que só o universo alternativo permite tão bem, talvez a banda já estivesse circulando entre nomes de destaque da cena pop atual (onde a maioria mostra até menos talento que eles). Porém, cada vez mais se estreita a distância entre estes universos, onde o pop sempre parece paradão, reciclando as mesmas coisas, e o Passion Pit do outro lado, esticando os braços e quase tocando com a pontinha dos dedos o mainstream.

  • Fiúza

    Nunca tinha ouvido falar dessa banda, mas após ler sua resenha decidi escutar, gostei muito!