Patti Smith e sua recente releitura de “After The Gold Rush”, canção do bom e velho Neil Young

Patti Smith encerra seu mais recente álbum com uma versão bastante rústica de “After the Gold Rush”, faixa composta pelo deus canadense Neil Young. Os acordes de piano foram mantidos, mas o grande diferencial na versão de Patti é o coral de crianças que cantam nos refrões finais da música. A própria cantora explicou, em entrevista à Billboard, o motivo de incluir uma versão em seu primeiro álbum de inéditas em oito anos (tradução de Letícia Ribeiro Carvalho):

“Constantine’s Dream”, a música anterior, é uma música tão sombria. Ela termina tão sombriamente, com Colombo sonhando com o apocalipse ambiental do século 21. Ainda que eu mesma tema isso, não queria terminar o álbum dessa maneira. Eu queria escrever uma música que passasse algum tipo de esperança. Então acabei ouvindo “After the Gold Rush”; eu estava sentada em um café e achei que pelo menos dois versos da canção de Neil dizem o que eu queria dizer, porque ele tem um senso de otimismo, mas isso também tem um preço. Então eu pensei que cantaria isso mesmo, pois era isso o que eu queria dizer… e ter as crianças com toda sua inocência e pureza cantando essa canção, me fez sentir que elas traziam a tona o perigo do que ele escreveu.

Os temas das letras continuam variando entre o delicado e o politizado (às vezes os dois juntos), mas “After the Gold Rush” merece destaque por ser uma das canções mais confessionais de Neil Young (o músico criou boa parte das músicas do álbum homônimo impossibilitado de empunhar a guitarra elétrica devido a um machucado em suas costas, além de não conseguir produzir muita coisa com os companheiros da Crazy Horse pela deterioração do estado de saúde do guitarrista Danny Whitten). Por essas e outras, Patti Smith e seu novo LP Banga mostram que vieram em ótima hora. Um dos melhores lançamentos do ano, com certeza.

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