Paul Banks – Banks

Lá se vão 10 anos do álbum de estreia do Interpol. Paul Banks, então com 24 anos, apresentava canções intensas e ricas no elogiadíssimo Turn on the Bright Lights – e pouco ainda resta pra se falar disso. Não porque faltam bons motivos, mas porque já foi tão (bem) falado que é chover no molhado insistir no assunto. Quase que basta apenas celebrar esse grande lançamento e, talvez, analisar seu impacto para a cena, vendo assim de longe.

Hoje, com 34, Banks continua tentando atingir algo que atingiu lá em 2002. E não necessariamente ele procura sucesso ou reconhecimento. Parece mesmo que agora ele procura algo que faça o tempo voltar, onde ele era jovem, sem responsabilidades e sem um passado brilhante, de forma que poderia brilhar de novo sem maiores dificuldades. Poderia fazer chover outra vez no solo seco e sem novidades de sua própria música.

Banks, o novo álbum de Paul, é um bom disco. Não é preciso ter medo de dizer isso, coisa que talvez aconteça com o mais recente trabalho do Interpol e da estreia solo, sob o codinome Julian Plenti, desse inglês nômade que já morou na Espanha, México, mas que surgiu para a música em Nova York. É, talvez sejam essas mudanças todas que envelheceram o nosso Paul assim, tão rapidamente.

Mas Banks não é soa velho ou cansado. Pelo contrário, ele soa mais vivo e ativo do que nos recentes trabalhos citados acima. Só que isso também não é sinônimo de algo inovador ou mesmo diferenciado – é se agarrando nas sonoridades que já propôs ao Interpol que Banks atinge seu ápice nas canções. Porém, felizmente, essa talvez crise que o ronda nessa metade da quarta década o faz refletir em suas canções, desde a sonoridade às letras, e o permite se agarrar também ao seu lado mais “experimental” e nos apresentar outros momentos agradáveis que fogem do formato que a banda nova-iorquina costumava apresentar. É o caso de boas canções como “The Base” e “Arise, Awake”, da desajustada “Young Again” e da insturmental e delicada “Lisbon”.

Faixas como “Over My Shoulder”, “I’ll Sue You” e “No Mistakes”, apesar de seus arranjos que fogem do formato quase exclusivo (e bem imutável) que o Interpol propunha, lembram a banda na forma que suas melodias se desenvolvem – mas é claro que lembram mais pela incrível e marcante voz de Paul. Aliás, o ponto mais forte de todo o trabalho continua sendo a voz dominante desse barítono.

Mas se há a presente e intocável voz de Paul e boas canções, tanto no formato que já estamos acostumados, quanto naquelas que gostaríamos de nos acostumar, há também uma leve crise que se poderia se tornar temática: o que falta para Banks deixar de ser apenas um bom disco para ser um lançamento realmente relevante e altamente interessante? Inspiração e coesão, sem dúvida, fariam parte da resposta mais adequada. Mas também acho que já envelhecemos e cansamos de esperar por aquele antigo Paul Banks. Queremos que ele volte de um lugar ou para um lugar onde já não se parece possível estar. A preguiça se torna razão e desculpa para os dois lados – o nosso e o dele.