Paul Banks no Cine Joia (14/03/2013)

Paul Banks no Cine Joia

(foto por Fabrício Vianna)

Chegava bem em cima da hora para o grande show da noite de ontem – Paul Banks subiria ao palco do Cine Joia em instantes, e eu não muito esperava de sua apresentação. Talvez fosse pela última passagem do Interpol, no Festival Planeta Terra, onde não me empolgou tanto quanto esperava, já que o Interpol é uma das bandas mais potentes da leva 00’s. E se a banda “oficial” do sujeito não tinha conseguido, com todo seu cardápio de boas canções pra distribuir, o que seria de Paul Banks e seus discos nada espetaculares? Olhava pro palco esperando o show começar em poucos minutos, quando fitei a camiseta que eu vestia. Nela, estava estampado o rosto de Morrissey, ícone que brilha e brilhou em sua carreira solo, mas que, pra mim, nunca apresentará o mesmo potencial que apresentava frente ao Smiths.

Por um momento, imaginei Banks e Morrissey sob o mesmo panorama: vocalistas, líderes e compositores que colocaram de lado suas bandas por motivos que não necessariamente envolveram a música e seu formato. Você pode achar exagerado, já que Morrissey é ícone e ídolo de toda uma geração. Mas, por instantes, Paul Banks não parecia muito distante disso, na noite de ontem. E isso acontecia no exato momento em que ele me surpreendia.

Nunca assisti a um show do Morrissey. A comparação então se limita à minha imaginação, que pode ser levada ao longe na noite da última quinta-feira. O que se via no palco era Banks e sua banda empolgados e uma plateia entregue, vibrando e cantando junto às canções de Banks e Julian Plenti is… Skyscraper. Intercalando sorrisos com uma atmosfera nada sombria, como a do Interpol, a banda provava que as canções poderiam ganhar mais força ao vivo do que aquilo que se ouve nas gravações em estúdio. Havia uma sensibilidade na voz poderosa de Paul que deixava aquelas músicas comoventes. Elas que, por vezes, pareceram tão dispensáveis.

Paul Banks no Cine Joia

(foto por Fabrício Vianna)

Um show pessoal de momentos tranquilos, como em “No Chance Survival”, a instrumental e ótima “Lisbon” e “Summertime is Coming”, se misturavam com as poderosas “Unwind”, “Over My Shoulder” e “Paid for That”. E, veja só, ainda tivemos momentos para aquelas que soavam como hits, até pelo poder das vozes do público que as acompanhavam, como “Fun That We Have”, “The Base”, “Skyscraper” e as ótimas “Young Again” e “Games for Days”, essa que fechou brilhantemente o show – poucos refrões do próprio Interpol têm a força que esse tem.

Banks foi recebido como um ídolo de uma geração por aquela que é sua geração e que foi lá vê-lo, em meio a tantos que não chegaram assim tão crentes e que talvez tenham saído de lá tão surpreendidos como eu. Ele é talentoso e precisa levar o brilhantismo de sua apresentação de ontem de volta aos seus registros em estúdio. Talvez faltem apenas pequenos detalhes, o que ainda me faz acreditar que não perdemos essa figura que andava adormecida. Ele resolveu acordar ontem à noite e me acordar também. Foi quando minha camiseta do Morrissey pareceu querer me contar uma história sobre surpresas e heróis da qual, dessa vez, Paul Banks era o protagonista.

  • @igordisco

    Também não esperava nada do show, mas achei fodão.

    O batera era muito foda, pqp.

  • Uma pena não ter ido. Paul Banks é incrível. Parabéns pela cobertura! 😉

    Abraço.