Phantogram - Voices

Phantogram
Voices

Republic

Lançamento: 18/02/14

Cinco anos entre o álbum de estreia e o seguinte é bastante tempo. Mas apesar desse longo intervalo, pouca coisa mudou na sonoridade do Phantogram, dupla formada por Josh Carter e Sarah Barthel. Os nova-iorquinos ainda fazem um som fortemente calcado no trip-hop, mas com uma pegada mais pop e extrovertida do que se poderia esperar de um disco do Tricky ou do Massive Attack. O resultado é um pop eletrônico que, em seus melhores momentos, soa moderno, lindamente produzido e envolto numa aura de mistério muito sedutora. Pena que esses momentos não sejam muito frequentes e que, no geral, Voices, o segundo disco da dupla, soe genérico e desinteressante.

A ótima “Nothing But Trouble” abre o álbum numa nota muito positiva. Embora ela não contenha nenhuma melodia instantaneamente memorável, a bela voz de Barthel, o arranjo de várias camadas e a excelente produção, que dá um brilho cromado irresistível mesmo às batidas mais sem graça, criam um clima envolvente e sensual, que abrem o apetite para o que vem a seguir da mesma forma que os primeiros minutos de um bom filme hollywoodiano. O pico do álbum chega cedo demais, logo em seguida, com as ótimas “Black Out Days” e “Fall In Love”. A primeira delas tem o que talvez seja o momento mais imediatamente marcante do álbum em seu refrão, com vocais recortados de Barthel empilhados em várias camadas. A segunda, por sua vez, além desses belos vocais, também conta com um synth-bass estouradão e uma colagem impressionante de samples, que dão um tempero especial de drama à canção.

Infelizmente, porém, são poucas as surpresas positivas depois da terceira faixa. Uma delas é o excelente loop de bateria acústica em “Bad Dreams”, que ajuda a criar uma tensão que seu refrão libera lindamente. A impactante “The Day You Died”, que revisita a mistura interessante entre guitarras e sintetizadores que a banda fazia em seu primeiro disco, é outra. Boa parte do resto do trabalho, porém, é composto por faixas que parecem ter sido construídas com tijolos pré-fabricados, tirados de outros lugares, sem que a banda se desse o trabalho de acrescentar nada de mais original ou autêntico. A lenta “Bill Murray”, uma balada insossa que começa e termina sem que nada de muito relevante aconteça, é o melhor exemplo disso.

Pior ainda é o fato de que, no restante, o duo parece ignorar quase que deliberadamente a maioria dos elementos positivos do seu estilo. As maiores derrapadas ocorrem quando Barthel resolve largar o microfone e deixar Carter cantar. A voz dele simplesmente não tem a expressividade da de Barthel. Se a voz dela talvez conseguisse carregar sozinha nas costas faixas como “Never Going Home” e “I Don’t Blame You”, duas canções que buscam uma conexão emocional mais profunda, a dele certamente falha, e, como resultado, essas duas tentativas de envolver e emocionar caem de cara no chão. Seus refrões de uma só frase parecem sintomáticos de uma falta de ideias ou de satisfação com pouco por parte do grupo. Mesmo “Howl At The Moon” e “Celebrating Nothing”, nas quais Barthel volta a assumir os vocais, soam como versões alternativas (e piores) das primeiras faixas.

A última faixa, “My Only Friend”, com sua bela melodia e seu arranjo denso, é a que chega mais perto do ótimo começo do álbum, mas aparece tarde demais. Talvez o grande erro de Voices seja justamente revelar logo de cara o que tem de melhor: deixar “Fall In Love” mais para o fim, por exemplo, poderia tornar o disco menos decepcionante, ainda que não necessariamente melhor. Não é que a banda não tenha qualidades e não consiga fazer boas canções. O problema é justamente que eles prontamente se mostram capazes disso, mas em seguida deixam de lado as partes mais legais de seu som – o que apenas torna Voices mais decepcionante.

Leia também