Planeta Terra ’09 – Iggy and The Stooges (Parte 8/9)

Todos queriam ver Iggy Pop. E o Iggy que todos viram, e que quase uma centena teve a sorte de ver bem de perto, era um Iggy elétrico e insaciável como sempre foi. Talvez por ter se declarado enjoado de “guitarras idiotas” ao lançar o álbum novo, ele tenha parecido tão ávido e faminto no palco, que definitivamente ficou minúsculo para tanta presença.

Ele entrou em cena cantando “Raw Power”, como se o tempo tivesse parado na longínqua década de 1970. Não se deve ignorar o fato de que Iggy estava acompanhado de ninguém mais ninguém menos que The Stooges, e, juntos, eles ajudaram a gerar o punk. O show possivelmente decepcionaria aqueles que foram ao Playcenter à espera dos sucessos solo do front man.

iggy pop

Foi Bob Dylan, rabugento desde a adolescência, um dos vários compositores a cantar sobre a juventude eterna. Inevitável pensar que Iggy, do alto de seu corpo enrugado e sem nenhuma tatuagem e de seu cabelo no melhor estilo Lord of Dogtown californiano, jamais ficará velho, indisposto, ranzinza e nem terá sua disposição ou sua voz abaladas. Talvez melhor do que toda a performance seja o esmero de Iggy quando se aproxima do microfone e destila notas tão graves quanto afinadas.

O clima punk continuou em “Shake Appeal”, que contou com a presença de dezenas de fãs no palco, já que Iggy estava “se sentindo muito sozinho”. A multidão se divertiu até o fim da música, quando deram trabalho aos (violentos) seguranças na hora de descer. Um fã afoito foi nocauteado e uma discussão com os fotógrafos do gargarejo quase terminou em briga. Iggy, como o rei inconseqüente e insano que é, ignorou o caos e seguiu com seu show.

iggy pop com público

A apresentação não esfriou depois do aparente ápice. Em “I wanna be your dog”, do primeiro Iggy and The Stooges, foi a vez de Iggy ir até o público. “The Passenger” foi dedicada ao guitarrista membro fundador da banda Ron Asheton, falecido em 2009 e irmão do baterista Scott Asheton.

Depois de quase ficar nu em “Lust for Life”, no bis, Iggy provou que ainda gosta, e muito, de guitarras idiotas. E como nas melhores histórias do livro “Mate-me, por favor”, ainda dá tanto trabalho quanto apaixona.

Escrito por Maria Joana Avellar para o Move That Jukebox

Fotos por Limão

Não achei o setlist.

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  • Só pra corrigir: A música que Iggy tocou na hora que o público subiu no palco era “Shake Appeal”, e não “Search & Destroy” e “Loose”.

  • fernando reicó

    é “Loose” e Ron Asheton morreu em fevereiro de 2009, comedor de goiaba!