Planeta Terra ’09 – Primal Scream (parte 4/9)

O show do Primal Scream era, de longe, o que eu mais queria assistir no Festival Planeta Terra – não por causa de um fanatismo cego ou por ser fã de longa data, porque não me encaixo nesses perfis, mas por reconhecer que o som dos caras é, e me perdoem pela expressão, foda pra caralho. Dias antes do festival, minha ansiedade para ouvir grandes músicas do mais recente Beautiful Future, como “Can’t Go Back” e a própria faixa que dá nome ao disco, mal podia ser expressa. Também torcia para “Kill All Hippies”, “Zombie Man”, “Loaded” e “Hell’s Coming Down” aparecerem pelo setlist, mas nem todos os nossos desejos podem ser realizados sempre. E não foi só isso que me decepcionou.

O show começou com “Can’t Go Back”: Super ponto pra turma de Bobby Gillespie, que usou os backing vocals grudentos e as porradas da música de abertura para introduzir um bom punhado de hits. Na sequência vieram “Miss Lucifer”, do Evil Heat, a queridíssima “Country Girl”, recebida por berros incessantes da platéia e ovacionada ainda mais durante um solo de guitarra, e o refrão pop de “Jailbird”, também cantado a plenos pulmões pelos presentes. Mesmo depois de uma sequência matadora feito essa, ainda sentia-se falta de uma coisa: Simpatia. A cada minuto de show, o Primal Scream fazia questão de mostrar que vieram até o Brasil exclusivamente para tocar – e isso, convenhamos, eles fizeram muito bem.

primal scream

As músicas estavam mais aceleradas do que de costume, como uma pista de que o sexteto não quisesse permanecer no palco por muito tempo. As músicas da fase mais eletrônica da banda, “XTRMNTR” e “Shoot Speed / Kill Light”, também apareceram, mas não acrescentaram muito à apresentação: O grupo continuava seco, subindo em um pedestal muito mais alto do que o público poderia alcançar. O Screamadelica, terceiro álbum de estúdio do Primal (e o preferido dos fãs), também teve seus momentos no Planeta Terra. “Damaged” veio primeiro, antes da segunda metade de show, enquanto “Movin’ On Up” brilhou nos momentos finais da apresentação, sincronizando o público com toda uma vibe woodstockeana – a maconha, pelo menos, estava lá aos montes.

O show terminou bem, com “Accelerator” (em uma versão ironicamente mais acelerada), mas ainda faltavam sinais de interação banda-público, que não vieram. É provável, até, que esse tenha sido um dos principais motivos de muitas pessoas (e eu me incluo aí) terem saído do Main Stage, naquela hora, perguntando-se se aquilo era tudo – mas o show realmente terminou assim, sem magia. Ainda bem que, logo em seguida, o Sonic Youth veio vingar.

Setlist:

1. Can’t Go Back
2. Miss Lucifer
3. Country Girl
4. Jailbird
5. Damaged
6. Xtrmntr
7. Suicide Bomb
8. Shoot Speed Kill Light
9. Swastika Eyes
10. Movin’ On Up
11. Rocks
12. Accelerator
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  • Gabriel

    Não rolou Damaged como vocês disseram… Vocês provavelmente levaram o setlist pra casa e tinham fumado essa maconha toda eu e vocês sabemos que existia aos montes lá, aí esqueceram no outro dia, rs. Eles tentaram começar a música várias vezes, mas estavam com algum problema técnico. O Mani (baixista, ex-Stone Roses) tomou o microfone do Gillespie e vociferou algumas coisas em dialeto “Mancunian” (o inconfundível sotaque de Manchester) do qual só consegui entender “fock” e “shite”. Depois o Gillespie parou novamente o show e disse “next song” seguindo direto para XTRMNTR. No final do show o Mani virou de costas, jogou a palheta e saiu caminhando abanando de costas logo que acabou a parte dele em Accelerator. Primal Scream era quem mais eu estava aguardando, e me decepcionaram bastante pois não foram a banda que eu sei que são. Presenciei a “aura”, mas isso logo perdeu a graça quando percebi que faziam um show de merda, loucos pra voltar pra casa.