Planeta Terra Festival 2012 muda de casa, acerta na organização e entrega shows marcantes

Por Gregório Fonseca

O Planeta Terra Festival mais uma vez teve uma organização primorosa. O Jockey Clube tinha espaço suficiente para as pessoas circularem (o público nem parecia estar 50% maior que nas edições anteriores, as filas no geral estavam curtas, os shows praticamente não atrasaram). É certo que o festival perdeu um pouco do seu charme ao sair do Playcenter, mas a nova casa está aprovada. Quem sabe ano que vem o festival não acontece no Hopi Hari?

Cheguei cedo pra poder acompanhar um pouco das bandas brasileiras. Gostei do que vi no Madrid, apesar do figurino de Marina Vello gerar um misto de admiração e inquietação. A cantora estava maquiada como se estivesse toda ensaguentada. Nem parece que são ex-membros do CSS e Bonde do Rolê, tamanha a diferença na sonoridade (sem desmerecer suas bandas anteriores).

A Banda UÓ quebrou barreiras. Eletrobrega, sertanejo, K-pop, uma grande salada musical que fez os fãs de rock cantarem e dançarem e conquistou os curiosos que passavam pelo local. Quem não gostou das músicas, ao menos gargalhou bastante com as letras debochadas e repletas de bom humor. E se no ano passado o Garotas Suecas surpreendeu trazendo o Jacaré, a Banda Uó trouxe nada menos que quatro dançarinos para o palco. Quem olhasse de surpresa poderia achar que estava no festival errado.

Antes de terminar o show, corri pra ver a Mallu Magalhães que, com o cancelamento do Kasabian, passou a ser a única artista a ter o privilégio de repetir um show na história do Planeta Terra Festival. Só que ela não se repetiu, e apresentou um repertório completamente diferente de quatro anos atrás, mais focado no disco Pitanga. Mallu chegou até a chorar, em um show repleto de emoção. Só pecou em praticamente ignorar os seus dois álbuns anteriores (não apareceu nem um “Tchubaruba”).

O Best Coast abriu a programação internacional do Main Stage e foi uma das bandas que mais surpreendeu positivamente. Com um som mais sujo do que nos discos, fez um show que começou na chuva e terminou com o sol se abrindo. Nada mais apropriado para uma banda californiana de surf pop.

O Suede foi o ponto alto do festival. Show intenso, quase que sem pausas, com o vocalista Brett Anderson tendo a plateia nas mãos. Fez a gente lembrar o quanto o britpop dos anos 90 era legal e perceber que é atemporal.

O show do Garbage foi fantástico. Shirley Manson nem parece uma quarentona tamanha a vitalidade no palco. O show estava impecável, mas tomei a decisão errada de abandoná-lo antes do fim para ver um pouco do show do The Drums. E que arrependimento. Achei a banda melhor em disco que ao vivo – e olha que nem acho o segundo álbum deles bom assim. Show mediano, mas já era tarde pra voltar pro Garbage.

Fechei a noite com o Kings of Leon, headliners super questionados pelo público. Injustamente. Eles provaram seu valor e fizeram um dos melhores shows da noite. Tecnicamente impecáveis (tocando ao vivo exatamente o que tocam em estúdio), fizeram um set que passou por todas as fases da carreira, mas teve seus ápices nas faixas de Only By The Night, disco de apelo mais pop do grupo.

O cancelamento do Kasabian me deixou um pouco frustrado, mas o festival valeu a pena mesmo sem os britânicos. O line-up foi polêmico nos dias que precederam o Planeta Terra, mas na prática se mostrou muito acertado. Mais uma vez saio de lá com a intenção de comprar os ingressos para o próximo ano, independentemente das atrações.

Por Victor Caputo

Mais um Planeta Terra veio e se foi. Arrisco dizer que foi a edição mais irrelevante musicalmente. Mas vamos começar pela organização. Se o Lollapalooza havia mostrado que o Jockey é um ótimo lugar para um festival a céu aberto, o Planeta Terra mostrou que com uma dosagem controlada de ingressos a experiência pode ser maravilhosa. Segundo a própria organização, os 30 mil ingressos foram vendidos. Mesmo com o esgotamento das entradas o espaço interno não ficou lotado, como aconteceu no primeiro dia do Lollapalooza neste ano. Comprar fichas e pegar uma bebida foi uma experiência tranquila—pelo menos para mim.

A distribuição dos palcos também ficou interessante. Assim como é comum em festivais fora do Brasil, os dois palcos foram colocados lado a lado. Mesmo fora do Playcenter, a organização conseguiu manter uma identificação visual parecida com a que era vista nas últimas edições.

Se na organização o festival foi ótimo como sempre, o line-up não foi dos mais interessantes. Colocar Kings of Leon como o headliner principal foi uma escorregada forte. Não quero nem entrar no mérito musical da banda—que já não faz mais música como antes. Em 2010, a banda havia passado no Brasil para um show no SWU. De lá para cá, não houve nenhum fato relevante que justificasse a escalação dos americanos como atração principal do Planeta Terra 2012. E eles estavam inclusives parados há algum tempo.

Tal fato foi comprovado no show. É difícil afirmar com certeza por causa da diferença do espaço de cada palco, mas o público do show do Gossip disputava de igual para igual com o KoL. Era fácil transitar por aqueles que assistiam à atração principal do Main Stage. Exceto por algumas camadas mais fanáticas de fãs, pouca animação foi percebida durante o show—é claro que em momentos como “Sex on Fire” a plateia respondia com maior animação.

Enfim, chega de Kings of Leon. A primeira banda que eu peguei foi o Best Coast, que apesar de me gerar alguma expectativa fez um show morno que não me agradou muito. Em seguida vi os rapazes do The Maccabees. Conhecia pouco deles antes do show. Achei a apresentação interessante, algumas músicas animadinhas, mas nada que fizesse grande volume ali.

A partir dali, começou a parte retrô no palco principal. Suede e Garbage fizeram uma dobradinha que deve ter agradado aos amantes dos anos 90. Ambos veteranos dos palcos, eles souberam muito bem como controlar suas plateias. Acredito, inclusive, que o Garbage conseguiu reunir e animar muito mais gente do que o Kings of Leon faria depois. As duas bandas chamam bastante a atenção pela capacidade técnica, ambas beiraram o impecável.

Meio que entre os dois shows, no Indie Stage rolou o que foi o grande momento do festival, na minha opinião. O nome dela é Azealia Banks. A rapper conseguiu animar a plateia de um jeito que não vi nenhuma das outras atrações fazer. Sem nem ter sequer um LP lançado, a americana fez o show baseado em seu EP, 1991, e na mixtape Fantasea. As música ao vivo funcionam muito melhor do que nas versões de estúdio. As bases eletrônicas e os vocais meio descontrolados da cantora fizeram com que muita gente pulasse e gritasse no meio da plateia. Ponto alto do festival, de alguém que eu não esperava muita coisa.

Fotos: Victor Caputo (exceto Kings of Leon e Garbage, tiradas da divulgação do festival)

  • Como sempre o MTJ resenhas muito coesas.

    O festival pelo menos p/ mim, mostrou mais uma vez competência com a organização. A distribuição dos palcos e dos stands de bebida e comida deixaram a circulação fluida e sem grandes filas.

    O lineup deste ano foi talvez o mais fraco, o que não significa falta de qualidade. Azealia p/ mim foi a “grande surpresa” do festival, o hype que veio na hora certa, um show eletrizante e dançante. Achei que foi um festival de vozes femininas, pois os shows mais expresivos e significativos vieram de vocalistas mulheres, como Garbage e The Gossip.

  • Henrique Vieira

    Achei duas resenhas muito boas, embora discorde de pontos nas duas, afinal, são opiniões.

    Quanto a organização acho que não houve o que reclamar, pois tudo funcionou, de comes e bebes a horários de shows. Até as tendinhas de patrocinadores e o mercadinho indie estavam divertidos.

    Quanto aos shows, acho que o fim do festival teve uma tríade perfeita: Suede, Garbage e Gossip. Não conhecia Suede, mas um amigo que foi comigo era super fã e acabei indo ver o show. Os caras fazem um show de primeira, super animado e mal dão tempo pra o público respirar! É uma música atrás da outra. Foi a maior e melhor supresa do festival pra mim. Garbage não fez menos do que eu esperava e fez um belo show,sem mais. Vi Kings of Leon no SWU e por nada no mundo eu iria num show deles de novo, e como músicas dançantes me atraem, fui pro show da Gossip. Fazendo justiça ao show, não acho que ele tenha sido espetacular, mas a vocalista era tão carismática e as músicas tão divertidas que me ganhou.

    Quanto ao show da Azaelia, confesso que só vi a primeira metade do show e achei MUITO, mas MUITO chato. Ela não tinha presença de palco, as batidas estavam baixas e o hip hop dela não me pegou. Corri pra pegar o show do Garbage inteiro.

    No geral, fui com a expectativa baixa de quem comprou o ingresso antes da confirmação de todas as atrações e se decepcionou um pouco com o line-up, mas o saldo no final do festival pra mim foi positivo. Cheguei no finzinho de Madrid,vi Banda Uó, Mallu, (um pouco de) Little Boots e Best Coast, Suede, início do show da Azaelia, Garbage (um beijo Shirley) e Gossip e saí de lá satisfeito.

  • Jose Rocha

    Tenho que discordar da resenha do Victor, sobre o KOL. Achei o show deles muito bom, super bem tocado e uma platéia que participava, mesmo em momentos de pausa entre uma música e outra. É importante levar em consideração que no show do SWU, a banda estava afetada pelos problemas pessoais do Caleb, fato que hoje praticamente não o acomete mais.

  • Priscila Aranha

    Gostei das resenhas, mas discordo em alguns pontos. Comprei o ingresso antes da divulgação do line-up, mas não me arrependi, pois tiveram boas bandas no festival.
    O show do Kings of Leon foi bom, e vi muitas pessoas bem empolgadas com a banda, concordo que o show assemelha-se bastante com o som de estúdio, mas ao meu ver, isso não é ruim.
    O ponto alto do festival foi, definitivamente, o show do Garbage. Tocaram músicas do álbum novo, Not your kind of people, e souberam intercalar com suas músicas mais famosas e esperadas pelo público. Isso sem falar na Shirley Manson, que tem um ótima presença de palco e, como sempre, estava maravilhosa.
    Duas bandas me surpreenderam, Little Boots e Best Coast, não as conhecia e gostei do som, tão agradáveis que me deixaram com vontade de conhecer mais o repertório de ambas.
    E uma pena foi realmente o Kasabian, tava animada para ver o show, fiquei na expectativa para uma próxima oportunidade.

  • Sérgio

    “Mallu chegou até a chorar, em um show repleto de emoção.”
    Ela chorou porque deu tudo errado e não porque o show foi emocionante.

  • Henrique Vieira

    Fato o comentário do Sérgio!

  • Compadecida

    tadinha, gente!!!