Pomegranates – Heaven

Heaven já é o nome de um grande disco desse ano. Falo do sexto álbum do The Walkmen. Em quantos lugares por aí você já não leu que ele pode ser o lançamento do ano? E todos eles têm um pouco de razão. O Pomegranates, a pequena banda de Cincinnati, também lançou seu Heaven. O quarto álbum da banda indie não tem pretensões como as do Walkmen. Aliás, nunca pareceu ter. O fato de a banda ter passado em branco pra tanta gente talvez tenha sido resultado dessa despretensão, e não de uma possível falta de qualidade nas músicas dos rapazes, pois isso não há.

O indie rock sempre precisou de bandas como o Pomegranates. E apesar de não ser fã do termo “indie rock” (apenas do termo genérico, porque eles são independentes mesmo), não há encaixe melhor para o quarteto.  Soar como Frog Eyes, lembrar Modest Mouse ou Wolf Parade, ser similar ao Islands, Cymbals Eat Guitars… que seja.  Essa postura, essa atitude de lançar disco que é apenas um conjunto de canções soltas (uma ótimas, outras bem longe disso), essa sensação de desleixo nas apresentações ao vivo, a impressão de que a banda caminha em áreas que não conhecemos, mas que adoraríamos vivenciar.  Isso que sempre alimentou a aura ou espírito (não sei o que soa mais brega) do estilo. E depois de três lançamentos com pouco destaque, apenas com resenhas aqui e ali em blogs e revistas especializadas, a banda chega com seu quarto álbum para NÃO mudar toda essa impressão. Nem pro bem, nem pro mal.

O fato de não mudar nada no cenário, ou não chamar a atenção o suficiente, não faz de Heaven um disco irrelevante. É importante citar que ele é o mais acessível de todos os discos da banda. Com uma sonoridade simples e crua, a banda parece buscar mais coesão para suas canções. Com 10 faixas sucintas (salvem os discos de 10 faixas!), o disco tropeça aqui e ali em detalhes, mas agrada de forma geral.

A faixa de abertura que dá nome ao disco (ou leva o nome dele, tanto faz) começa toda meio torta e esquisita. Ótimo momento para dar stop no seu player. Mas não faça. Não ainda. Deixe a coisa rolar. Apesar da música não se acertar muito, o potencial de “Passaway”, a faixa seguinte, é tão grande que seria um desperdício perdê-la. Dançante e refrescante, a faixa vai te fazer, no mínimo, bater os pezinhos.  E o disco não sai dos trilhos nas seguintes. “Sisters” e “Ezekiel” são daqueles rocks crus adoráveis.  A balada “Something Everybody Wants”, que diz que tudo que a gente precisa é amor (alguém já disse isso, não!?), é de fazer coraçõezinhos com a mão. As três faixas seguintes mantêm o clima interessante. “Letters” tem um arranjo muito bacana. “Dream” é uma balada linda, que na mão de um Coldplay ou Keane, viraria hit. “Night Run” traz um clima soturno, bem como pede o tema.

A penúltima faixa do disco basicamente resume todo o álbum. “Lost Lives” não é uma grande canção, não é exatamente marcante, mas soa tão nostálgica e tão boa pro momento, que traz a sensação de que ouviremos esse disco mais vezes, apesar de todas suas irregularidades. Rápida, suja e visceral. Eu não disse que ainda não era hora de dar stop?

Fechando o álbum com clima de fim de álbum mesmo, “Surfing the Human Heart” é uma bela música, com arranjo de piano simples e batida constante. Sentimental até os ossos.

Heaven, do Pomegranates, não é um Heaven, do The Walkmen. Não tem o valor que o outro disco parece ter. Não sobreviverá tão bem ao tempo, nem parece tão essencial, e provavelmente não é mesmo. Mas em tempos onde o indie cria tantas regras ao seu próprio redor, é gostoso ouvir uma banda ou um disco que não parece estar nem aí pra nada disso, e apenas existe (e resiste).