Oct 29 2008
Ponte Brooklyn surpreende e não decepciona fãs em São Paulo
Sábado, lá pras 8 horas da noite, eu tomei meu rumo até a Arena do Tim Festival. Guiado novamente pelos holofotes azuis e vermelhos espalhados pela marquise, avistei-a, já era noite, as luzes temáticas já estavam todas acesas e não havia mais fila. Quando entrei, era quase hora de começar, e a grade estava completamente tomada, porém o público ainda se encontrava disperso, o que aconteceu até o fim do primeiro show.
A apresentação do Cérebro Eletrônico foi legal, mas não passou disso. Dava pra perceber que as poucas pessoas que realmente estavam se empolgando eram fãs antigos, pois sabiam cantar todas as músicas tocadas. Mas achei-os suficientemente esforçados no quesito entretenimento (cenário fluorescente, bombinhas, pó químico) e qualidade musical. O que atrapalhou um bocado e atrasou um pouco foi uma falha grotesca no baixo, mas logo foi resolvida. Em uma rápida descrição da musicalidade da banda, é uma mistura de pop, MPB e uma pontinha de psicodelia. De qualquer modo, o show não chegou a durar muito mais que meia hora. Um breve intervalo separou o show do Cérebro Eletrônico do melhor show da noite, quiçá o melhor de todo o festival (será? acho que exagerei): The National. Grande parte das pessoas que compareceram na Arena estavam lá para ver o hypado MGMT e foi lindo perceber que a surpresa com o show do The National foi quase unânime, e talvez por isso que a apresentação deles tornou-se a minha favorita da noite.

Matt Berninger: atitude e discreção
Créditos da foto: O Discreto Blog da Burguesia
Mesmo parecendo uma banda séria e sóbria demais em suas gravações, eles conseguiram provar o contrário ao vivo. Foi um show classudo e maduro (uma banda com 4 discos lançados já não pode ser considerada “iniciante”), mas ao mesmo tempo divertido e descontraído. Com uma setlist completamente baseada nos seus últimos 2 discos, Boxer de 2007 e Alligator de 2005, os nova-iorquinos conseguiram juntar os dispersos para mais perto do palco, fazendo-os entoar os célebres refrões de Fake Empire, Brainy, Mr. November e muitas outras. O vocalista Matt Berninger é a simpatia em pessoa, não ficou nem um minuto parado, em uma animação contida, é verdade, mas constante, e estava sempre interagindo com a platéia e incentivando a banda. Outro detalhe peculiar foi a inserção de dois membros anexos à banda, um tompetista e um tormbonista. Mas quem realmente roubou a cena foi o violinista barbudo que os acompanhava, o australiano Padma Newsome (obrigado ao Pedro). Ele tocou seu instrumento com tanta energia e paixão que dava até pra sentir de longe, enquanto fazia uma dança bem introspectiva. Figuraça.
Mais alguns minutos de espera, que para mim pareciam horas, devido ao cansaço acumulado, me separavam da atração supostamente mais importante da noite. Vai aqui a minha dica: não vá a um show do MGMT pensando que você vai ouvir aquele pop psicodélico comportado do Oracular Spetacular. Logo você entenderá o que quero dizer. Com os equipamentos prontos, começa a passar no telão pela milhonésima vez a propaganda do BOOORN TO BE WIIILD. Entrou primeiro sem cerimônia nenhuma o primeiro integrante, Ben Goldwasser, tomando seu posto no sintetizador. Logo, entra Andrew VanWyngarden junto do resto da banda, motivo suficiente para provocar gritos histéricos de meninas e meio-termos ao meu redor, trazendo uma arara (de roupas, não o animal) com alguns objetos pendurados, e lá iniciaram uma espécie de “ritual de enforcamento de bichinhos de pelúcia”, oi, viagem ácida mode on. Mas até que foi bem engraçado. Acho que um adjetivo que cairia bem para o show seria: ALTO. Sim, o show foi ALTO. O som estava ensurdecedor e a dupla, que mais tem fama de “eletrônica” arriscou marcar uma imagem de “roqueira”. Não que isso esteja errado, foi apenas….surpreendente!

O baixista jogando cerveja nos “criminosos mais perigosos que ele já viu na vida”, antes do enforcamento
Créditos da foto: Flickr de Natalie Gunji
Veja, o MGMT tem bastante potencial, mas senti que faltou alguma coisa. Realmente a voz do Andrew deixou um pouco a desejar. Mas isso é um detalhe e muitas vezes nem faz tanta diferença. Uma voz limpa e perfeita não combinaria muito bem com a psicodelia freak deles. Começaram com 4th Dimensional Transition, passando por Of Moons, Birds & Monsters e Pieces of What. O ritmo do show foi completamente quebrado pela música de 39439875975982 minutos que ninguém sabia cantar e que ninguém dançou direito, chamada “Metanoia”. Depois, as guitarras o baixo e a bateria foram encostadas e deu-se início à segunda metade do show: os hits. Time to Pretend, Weekend Wars, The Youth, Electric Feel e Kids (obrigado ao Fulano pelo lembrete), foi só nessa parte que eu realmente senti a empolgação sincera das pessoas. O espetáculo de luzes e música terminou lá pelas 00:40 de Sábado, momento em que fui literalmente expulso pelos seguranças, quase que a pontapés.
Quando saí de lá, já sem fôlego, pernas e cordas vocais, só conseguia pensar: QUE FIM DE SEMANA!
Valeu Tim Festival, esse ano vocês acertaram.
Por Cédric Fanti





















Bela resenha!
DD
Ficou faltando só comentar a insanidade que foi quando tocaram Kids!
Várias rodinhas dançando e pulando e até quem tava parado entrou no meio.. até mosh teve, contido mas teve ahahhahaha
valeu muito esse TIM, saí de lá feliz ((:
esse “violinista barbudo” seria o Padma Newsome? se sim, esse cara é FODA. olha aí ele: http://www.smh.com.au/ffximage/2007/01/17/clogs_wideweb__470×305,0.jpg
Esse barbudão mandava muitoo, super empolgadão no teclado.. e quando ele tocava o violino como se fosse violão! Fantástico!
sobre o MGMT, eu gostei bastante da psicodelia deles. tem muito mais pra aprender mesmo, mas ta no caminho, tomara que eles deixem os hits pops como kids e eletric feel de lado no proximo album. the national é legal.
sério, tô com o ouvido zunindo até agora por conta do MGMT.