Jan 29 2009
Por que ouvir… Tortoise?
Um amigo me fez esta pergunta quando reparou no Top 10 do meu Last.FM. “Porque você ouve tanto essa banda?”, a partir daí eu tive a idéia de fazer uma coluna para falar dos artistas que, muitas vezes são esquecidos e/ou desprezados pelo grande público, mas que deveria ser escutados com um pouco mais de atenção. Hoje, mostraremos alguns dos motivos pelos quais deve-se dar alguma atenção a este quinteto de Chicago (EUA).
Em primeiro lugar, o Tortoise é uma das bandas que ajudou a formar e definir o gênero hoje conhecido como post-rock. Mas diferente da grande maioria das bandas de post-rock, que fazem um som distorcido, longo e etéreo (como o Mogwai, Explosions in the Sky e o já falecido Godspeed You! Black Emperor), o Tortoise se apóia num som que faz uma mescla de freestyle jazz com dub, krautrock, música eletrônica e, obviamente, rock. De som instrumental – pouquíssimas músicas apresentam vocal -, o forte do som destes caras está justamente nas melodias elaboradas e acréscimo de instrumentos não muito comuns em bandas de rock como trompetes e vibrafones.
Outro grande feito da banda é o fato de reunir ex-membros de bandas-mãe de dois dos estilos contemporâneos (post-rock e math-rock): Slint e Bastro, o que contribuiu para o som da banda. Seus membros também fazem parte de outras projetos musicais como The Sea and The Cake e Isotope 217. Formado no começo dos anos 90, e até então com cinco discos lançados (mais um de covers feito em parceria com Bonie “Prince” Billy e um Box Set contendo raridades, remixes, b-sides e um DVD com trechos de apresentações ao vivo). Tudo indica que até o fim de 2009 saia material novo. A banda também já se apresentou no Brasil em 2006 em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro – apresentação esta considerada como uma das mais memoráveis do Circo Voador.
Da discografia do Tortoise, destacam-se seu segundo e terceiro disco (Millions now living will never die, de 1996 e TNT de 1998), mais aclamados pela crítica e público. São destes dois discos as músicas mais conhecidas, tais como Glass Museum, Swung fot the Gutters, e Ten-Day Interval (que chegou a ser usada como trilha-sonora de vinhetas da MTV e do Fantástico). Embora a sonoridade não seja imediatamente palatável aos ouvidos menos concentrados, o Tortoise é o tipo de banda que para saborear todos os detalhes sonoros de cada faixa, é necessário uma boa dose de repetições, atenção e um pouco de paciência para que o som contagie e faça você ouvi-los mais algumas vezes.
Por Filipe Torres





















Cara, como eu tinha saudade do Tortoise! Amo essa idéia de fazer uma coluna com galera meio desprezada pelo grande público e penso que a banda de Chicago cabe nessa categoria. Mas, melhor do que isso tudo, é que cinco anos de uma longa espera têm finalmente um final agendado e é já em junho. É certo que depois de “It’s All Around You”, o Tortoise não esteve parado e 2006 até que foi um ano bem ativo, com o disco de covers com Bonnie ‘Prince’ Billy mais o box set de que você fala. Leia tudo sobre este bonito regresso aqui:
http://cotonete.clix.pt/quiosque/noticias/body.aspx?id=42369