Profile: Dallas Green/City and Colour

dallas green

A arte de pegar um violão, afiná-lo ao seu peculiar gosto, dar boas dedilhadas misturadas com letras simples mas eficientes e, acima de tudo, ter uma voz que o destaque dos outros inúmeros artistas que se encaixam no perfil citado não é uma das tarefas mais fáceis. Ainda mais se, em paralelo a esse lado mais, hãã, folk, você tenha uma banda de hardcore onde vocais gritados e guitarras com distorções prevalecem, levando embora qualquer calmaria que um violão possa oferecer.

Pra quem não se ligou, estou falando do Dallas Green, cujo projeto acústico, chamado City and Colour, é o tema deste post e que me foi apresentado há um bom tempo pela querida Mariana, mas só alguns meses atrás que dei a devida atenção para as músicas. E pra quem não se ligou ainda, Dallas Green é o guitarrista da excelente banda de post-hardcore Alexisonfire. E é impressionante fazer uma comparação com os dois projetos e descobrir que um não deixa praticamente nenhum vestígio no outro. Nada das guitarras pesadas onipresentes no som de sua banda principal ecoando nos álbuns do City and Colour e nem vestígios de um possível violão no background de alguma música do Alexisonfire. E assim, Dallas Green, com apenas 29 anos, comanda dois dos melhores produtos que o Canadá nos ofereceu ultimamente. (A proposito, por onde anda o Arcade Fire, hein?!)

Dallas abusa da introspectividade em suas canções, o que as deixam um tanto quanto depressivas, ainda mais quando se juntam a lindos e não-convencionais arranjos de violão que chegam a emocionar quem está à beira de um ataque de choro (vide “Hello, I’m in Delaware“). Com temáticas basicamente centradas em (des)amores e a vida em geral, o canadense de Ontário já lançou dois bem recebidos discos de estúdio como City and Colour (sacaram de onde vem o nome, né?).

Sometimes, primeiro álbum do projeto, consiste, basicamente, em violão e voz. “E como ele é diferente de tantos outros do mesmo estilo?”, você deve estar se perguntando. Volto a repetir o quesito “voz”, que aqui se faz presente e é, com certeza, o grande trunfo de Dallas. Ele canta de uma forma tão doce e natural que, às vezes, nem percebemos que sua intenção possa ser soar mais intenso ou mais sério. Como se já não fosse o bastante, Dallas ainda cria arranjos criativos e afinações de violão não usuais para dar uma sonoridade bem original ao disco, que foi lançado em 2005.

Bring me your love, de 2008, traz alguns elementos diferentes para serem somados à tranquilidade acústica que transborda em Sometimes. Estão presentes no segundo álbum do City and Colour bateria, piano, banjo, gaita e até uma ocasional guitarra elétrica. Mas nada disso impede Dallas de manter a característica básica de seu debut, dando ainda muita atenção ao violão e suas letras para os “brokenhearts”.

Neste segundo LP, destacam-se “Body in a box“, uma ótima “balada cadenciada” com precisas intervenções de gaita e piano; “The death of me”, cuja letra sobre álcool, insônia e morte se contrasta com a tímida mas animada bateria que acompanha a sempre notável voz de Dallas; “Waiting…”, primeiro single do disco e, provavelmente, minha música favorita da banda. Ela sintetiza bem todas as facetas apresentadas por Dallas nos dois álbuns – o começo solitário com seu violão e uma tímida meia-lua ao fundo pra depois serem acompanhados por bateria e uma discreta guitarra elétrica dedilhando notas para os ouvidos mais atentos. Tudo isso se juntando num refrão impecável com Dallas cantando “So say goodbye to love/ And hold your head up high/ There’s no need to rush/ We’re all just waiting…/ Waiting to die“.

Infelizmente, com o lançamento recente do novo disco do Alexisonfire, Old Crows/ Young Cardinals, não devemos ver Dallas Green dando muita atenção ao City and Colour em 2009. Mas, com 2 discos lançados (mais um ao vivo, The Myspace Transmission, e 3 EP’s, The Death of me, Missing e The iTunes Sessions EP) mais os 4 de sua banda principal, com certeza há muito o que ouvir e detalhes a serem descobertos na discografia deste incrível talento do folk/hardcore (!!) canadense.

P.S.: Pra baixar os discos é só clicar na foto no começo do post.

  • Bruno Raphael

    belo post, city and colour realmente se destaca no meio dessas bandinhas da nova onda ‘folk’ que cadenciou quase tudo em 2008.

  • Obrigada pelos créditos e por citar o blog!

    http://www.youtube.com/watch?v=iN0LY65KmAM&feature=channel_page
    Os videos do Myspace Transmissions tão mto bons!
    Bjs

  • Xi

    É Neto, mais um gosto nosso que se iguala. Sou simplesmente fanático por esse canadense MEGA tatuado. Tenho aqui esse show da BRAVO! completo, que é simplesmente genial, o DVD dele e mais tudo oficial e ‘oficioso’ no qual o Dallas já participou. Se quiser algo, entre em contato! Abraços!

  • thaisimbroisii

    Ahh, adoro esse cara @.@
    Conheço-o desde 2005 (bendito purevolume), bacaana o post ;D

  • Haha que isso, não chego a ser tãããão fanático assim não, Xi (e sim, MEGAMEGA tatuado). Por enqto ainda me contento passando um bom tempo assistindo aos videos dele no youtube, mas depois eu te procuro sim então pra vc me passar algumas coisas dele. Obrigado =D

  • filipe

    Caramba! Achei que nunca o veira por aqui. ehauh
    É verdade, bendito purevolume. bons tempos aqueles.

  • O Dallas tá entre os meus preferidos. E olha que não consigo ouvir Alexisonfire JAMAIS.
    HAHAHA
    Ótimo post, adorei. Minha preferida dele é “in the water, i’m beautiful”. Fica a dica.

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