Projeto começa este mês e celebra a diversidade da música brasileira

Thiago Pethit é um dos artistas que cata no projeto. Foto: Divulgação/Google Images

Nesta quarta-feira (30), os paulistanos conhecerão o projeto “Caminhos do Música Brasileira”, criado por Maysa Monjardim e Edson Watanabe. O evento será realizado no Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387) e contará com as participações de Arrigo Barnabé, Geo, Ná Ozzetti, Paula Lima, Sander Mecca, Thaíde, Thiago Pethit e Walter Franco.

Com ar intimista, o projeto vai mostrar a diversidade e a sofisticação das manifestações artísticas do Brasil, passando pelo folclore, samba, bossa nova, MPB e rock. Com apenas 270 cadeiras, os shows exclusivos! Os ingressos custam R$ 110 (meia) e podem ser adquiridos aqui.

Para entender melhor sobre o projeto, conversamos com aos responsáveis por colocar a música para tocar. Confira:

Move That Jukebox: Em um país com uma cultura tão diversa e heterogênea como o Brasil, qual foi o critério para definir o repertório que será apresentado no espetáculo?

Guga Stroeter (historiador e diretor musical): O projeto Caminhos da Música consiste numa série de espetáculos temáticos. Em cada episódio trataremos de um aspecto diferente ligado à história da música brasileira. Nessa primeira apresentação nos debruçamos sobre dois mananciais de musicalidade que se fundam em procedimentos opostos, porém complementares: a música de concerto e o folclore. Ambas as tradições estão presentes na música popular radiofônica.

Imagem de divulgação do primeiro show do Caminhos da Música.

Move That Jukebox: Os convidados escalados são bem diferentes uns dos outros, vindo de estilos e gerações distintas. Como escolheram os artistas para esse primeiro encontro?

Biba Fonseca (curadora do show): Foi exatamente esse o critério, unir estilos e gerações distintas. E também tirar o artista da casinha. Apenas duas músicas tinham que ser cantadas por seus criadores, Arrigo e sua “Clara Crocodilo” e Walter Franco, com “Cabeça”. O Thaíde, por exemplo, é do rap, mas vai cantar “Meu Limão Meu Limoeiro”. Thiago Pethit é do rock e vem de bossa nova, com “Insensatez”. E “Asa Branca” ganhou um dueto com a mais nova integrante do lineup, a cantora Geo, e o mais velho, Walter Franco.


(Confira “Insenstez” a partir dos 4min e 37s)

Move That Jukebox: É possível perceber que a equipe teve muito trabalho ao pesquisar as raízes e as influências absorvidas por artistas brasileiros desde o século XVI. Ainda sobre o repertório, o espetáculo conta com canções que vão do clássico de Villa Lobos ao rock radiofônico dos Titãs. Existe a preocupação em traçar uma ponte entre o erudito e o popular? Ou até mesmo reapresentar artistas pouco conhecidos às novas gerações?

Guga Stroeter (historiador e diretor musical): Veremos semelhanças entre Chopin e Jobim, entre as quadrilhas de festas juninas e as “quadrilles” dançadas na corte francesa no século XVIII. E também demonstraremos como algumas canções populares estão diretamente ligadas à religiões e tradições rurais que resistiram no tempo graças à resiliência da cultura oral. De fato, a diversidade musical brasileira é assombrosamente gigantesca! Por isso, merece ser vista é revista, analisada, cantada e interpretada em vários capítulos. O projeto “Caminhos da Música ” só acontece se conseguirmos agrupar artistas de gêneros e gerações distintas. Nosso conceito de brasilidade é amplo, e parte do princípio que não existe nada ” puro” no tecido cultural. O Brasil é um imenso caldeirão sonoro caleidoscópico, onde convivem o hip hop e o choro, o rock e a seresta. Assim, toda contribuição de estilo não é apenas bem-vinda… na verdade essa pluralidade é definidora de nossos roteiros.

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