Prophets of Rage - Prophets of Rage

Prophets of Rage
Prophets of Rage

Sony Music

Lançamento: 15/09/2017

A fórmula do supergrupo é utilizada no rock desde os anos 60 e parece funcionar muito bem. É possível resumi-la de maneira simples e reducionista: se duas ou mais bandas são boas e possuem boas canções, formar uma nova banda com seus integrantes não pode dar errado, né? Bem, não é o caso da estreia do Prophets of Rage.
A ideia de unir a consciência política e o peso instrumental do Rage Against the Machine com as rimas certeiras de Chuck D e B-Real parecia tentadora para os fãs que ainda esperam por uma improvável volta do Rage. Após alguns shows tocando músicas do catálogo dos três grupos, a banda entrou em estúdio para gravar seu primeiro álbum autoral.
O álbum inicia com gás, “Radical Eyes” e “Unfuck the World” mostram que Tom Morello merece ser reconhecido como um dos maiores criadores de riffs da história do rock, ao lado de gente como Tony Iommi e Keith Richards. A partir da terceira música, o disco perde a intensidade de suas duas primeiras músicas. Considerando a história do Cypress Hill, era de se esperar ao menos uma música pró legalização da maconha. É uma pena que “Legalize Me” se assemelhe mais com a banalidade propagada por rappers adolescentes atuais do que com a obra produzida nos tempos áureos da banda liderada por B-Real.

O álbum é bem-intencionado e abre espaço para diferentes influências que nunca estiveram presentes de forma tão clara na obra do Rage, os riffs e as linhas de baixo estão muito mais funkiedos do que nos tempos da antiga banda de Morello, Timmy C e Brad Wilk, “Take me Higher” poderia facilmente estar em um disco do Red Hot Chilli Peppers. Mas apesar da importância de cada um de seus membros, é impossível não sentir falta dos vocais rasgados e a raiva do vocalista Zack de la Rocha. Mais do que apenas representar a voz dos desfavorecidos, a aura de Zack como líder renegado era a parte vital da química e do fascínio que o Rage exercia sobre o público.

Em tempos sombrios onde a despolitização no meio artístico é comum, o Prophets of Rage ainda é um suspiro de resistência e contestação, mas está longe de ser a autoproclamada “contraofensiva”. As letras estão mais parecidas com bordões midiáticos do que com os versos que aguçavam a curiosidade dos jovens e deixavam os pais desesperados enquanto a MTV exibia clipes como “Killing in the Name” e “Fight the Power”. Se você estiver afim de uma trilha sonora para lutar por um mundo mais justo, é melhor começar pelo álbum de estreia do Rage Against the Machine ou os discos “Fear of a Black Planet” e “It Takes a Nation of Millions to Hold us Back” do Public Enemy.

 

 

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