Real Estate - Atlas

Real Estate
Atlas

Domino Records

Lançamento: 04/03/14

O Real Estate celebra o jangle pop como ninguém atualmente, ainda que de forma modesta e um pouco acanhada. Em um registro como Atlas, novo álbum lançado pelos rapazes, o enaltecer desse cuidadoso e vaidoso estilo, que costura de ponta a ponta as canções com cordas em harmoniosas notas, acontece de forma precisa e perfeita. É o terceiro disco da banda e o melhor dela, indispensável para admiradores de Tom Verlaine (Television), Johnny Marr (The Smiths), Peter Buck (R.E.M.) e para aqueles que admiram gostosos passeios em criativas linhas de guitarra que atingem com sutileza e sentimento nossos ouvidos.

A ode à guitarra elétrica chamado Atlas nos atinge gradativamente. O álbum não opta por se desenvolver apenas nas 10 faixas como se, ao passar de cada uma delas, você já devesse estar gamado pelo todo. As canções pedem novas audições, o conjunto pede para ser revisitado e suas doces melodias cativam sem pressa – são casadas com a tranquilidade de um fim de tarde na temperatura perfeita onde deixamos apenas o tempo passar.

O tempo é também celebrado no álbum. Ou melhor,  o seu passar é lamentado.  “Past Lives” conta sobre as alterações em sua velha vizinhança quando os anos agem,  algo como Wilco fez em “Misunderstood” – aliás, foi no estúdio da grande banda de Chicago que o agora quinteto de New Jersey gravou esse novo trabalho. Em “The Bend”, Martin Courtney diz que faz tudo que pode parar dar sentido a algo e não perder mais um ano de sua vida. Em “Crime”, se preocupa por não querer morrer solitário.  E, na última faixa do álbum, “Navigator”, o autor encara o relógio, esperando que ele pare, já que não sabe onde seus dias foram parar. Felizmente, o tempo passou para o Real Estate e trouxe a maturidade para que criações como essas fossem feitas.

Sincero mas sem grandes saltos, Atlas pode soar sutil demais a um ouvinte mais ansioso – não se trata de um álbum com grandes golpes ou ganchos, é um trabalho de minucioso arranjo, onde as harmonias de guitarra de Matt Mondanile são preciosas. É Matt que consegue explorar a batalha entre toda limitação e todas infinitas possibilidades de seu instrumento. A instrumental “April’s Song” deixa o caminho livre para ele – é bela e tocante sem precisar de palavras para ressaltar sua suave energia.

Momentos de “Had to Hear” lembrarão Stone Roses; de “Talking Backwards”, lembrarão The Smiths; e outros como “Primitive”, lembrarão como uma simples canção pode invadir tão bem nossos sentimentos e fazer estrago.

Foi se distanciando do calor de verão de seus álbuns anteriores que o Real Estate pôde encontrar uma amena temperatura mais humana e construir uma identidade para si. Ainda que não pareça existir tanto espaço para aquilo que a banda celebra, é difícil encontrar razões para não admirar Atlas. Referências a recentes décadas passadas não são saudosistas. Simplesmente, elas mostram que o tempo para a banda é de fazer música da forma que nunca deve deixar de ser feita. Mais do que se fazer com guitarras, é necessário fazer com verdadeiros sentimentos.

  • Sinceramente, não gosto muito dos dois primeiros discos do Real Estate, achava até o projeto paralelo Ducktails melhor que a banda principal. Porém, esse Atlas hein.. que disco! A cada audição fica melhor, mais e mais. Ótimo texto.

    Aproveitando o espaço, gostaria de divulgar uma promoção: Já que esse disco é tão bom, estamos dando um CD do Atlas. Para participar é só responder uma perguntinha: Aqui ó http://www.jooqebox.com/promocao-jooqebox-me-da-o-disco-novo-do-real-estate/

    Se quiser participar, ou compartilhar com os leitores. Obrigado.