Regina Spektor – Credicard Hall (SP – 10/04/2013)

 Regina Spektor - Credicard Hall - Rodrigo Waldorf
(Foto por Rodrigo Waldorf)

Infelizmente, serão os problemas técnicos que marcarão essa passagem da Regina Spektor pelo Brasil, ao menos em São Paulo. E isso não porque o show da russa tenha sido ruim ou limitado, longe disso, mas sim porque o show se encerrou por uma dessas falhas que comprometeu o bis e deixou de fora três músicas que, com certeza, o público esperava – uma delas, inclusive, o maior sucesso da cantora no Brasil. Um problema na estrutura do palco fez uma corda que segurava um cano arrebentar e atingiu o engenheiro de som de Regina (mas nada de grave aconteceu com ele), e a falta de segurança forçou o fim do show, mas ninguém presente ficou sabendo o que tinha acontecido, apenas viu a apresentação acabar sem mais, nem menos e poucos agradecimentos. Esse encerramento deixou todos com a pulga atrás da orelha e uma má impressão, não sobre a artista, mas sobre o espetáculo proposto. Mas entre o intervalo do atraso para subir ao palco para um abandono de quase 10 minutos durante o show e esse fim inesperado, Regina Spektor comandou a plateia com facilidade e graça.

Ainda que a noite fosse para uma plateia sentada (de quem foi a ideia de colocar as pessoas sentadas em um show pop?), o público estava envolvido. A cada intervalo de música, declarações de amor, pedidos de música e de casamento chamavam a atenção de toda a casa, inclusive de Regina, que respondia com toda simpatia do mundo. E foi com essa simpatia que mesclou hits ou momentos mais pesados, mostrando o poder de criar climas diferentes apenas com sua voz (perfeita, apesar da tosse que não parava) e seu piano. Fazendo companhia ao piano, um violoncelo, bateria e teclado compunham a banda que apoiava muito bem cada canção e deixava a cantora brilhar à frente. As atenções não se dividiram nem quando dividiu uma canção com seu marido, Jack Dishel (“Only Son”), que também abriu o show. Destaque para as canções novas que brilhavam bem, como “Small Town Moon”, “Don’t Leave Me (Ne Me Quitte Pas)” (em sua nova roupagem, visto que foi gravada lá em 2002 pela primeira vez) e  “All The Rowboats”, e também para as de reações garantidas como “Blue Lips”, “Better”, “On the Radio” e “Us”, que acabou fechando o show. Tava fácil pra Regina sair dali ovacionada. Aí que o inesperado problema técnico fez sua parte para (quase) estragar tudo.

Regina Spektor - Credicard Hall - Demétrius Daffara
(Foto por Demétrius Daffara)

Os fãs, que conseguem relevar tais problemas por tamanha admiração à artista, e os menos atentos, que não se importam ou não são acostumados a notar essas falhas no repertório, saíram provavelmente satisfeitos. Como disse, não por menos. Mas ainda restou espaço para uma sensação de que faltou algo. Regina Spektor lamentou os fatos ocorridos em seu Twitter e prometeu voltar pra compensar as falhas, das quais ela nem deve ter participação na culpa, mas tamanha fofura a impede de deixar isso barato. Com sorriso bobo diante de tamanho carisma e talento, a gente só torce pra poder dar essa segunda chance logo, logo.