Relato de um brasileiro: saiba como foi o show de volta dos Strokes em Londres

Na noite dessa quarta-feira, dia 9, os indie rockers de todo o mundo ficaram em êxtase com a notícia de que, depois de quatro anos de recesso, os Strokes fariam um show em Londres com sua formação completa. A apresentação foi feita às escondidas com o fab five apresentando-se sob o pseudônimo de Venison – mas, mesmo assim, uma pequena multidão lotou as partes de dentro e de fora do Dingwalls, casa em Camden que tem capacidade pra pouco mais de 500 pessoas.

No meio do público, vestindo uma camisa da seleção brasileira, estava o jornalista Victor Bianchin, que aproveitou as suas férias pra comprou uma passagem rumo à Inglaterra. Ótima escolha. Numa maré de sorte incrível, o cara conseguiu entrar no show dos Strokes na noite passada, tirou foto com Nick McCarthy, do Franz Ferdinand, e descolou uma entrada de convidado com o segurança. Quer saber como foi tudo? Então confere o relato do cara, escrito com exclusividade pro Move That Jukebox. As fotos também foram tiradas por ele. Já tá morrendo de inveja? Eu também.

Cheguei em Camden umas 18h e dei umas voltas ao redor do lugar. Não tinha ninguém na frente do Dingwalls, o que eu estranhei, mas tinha uma galera na porta do fundo. Perguntei pra uma menina se aquilo era a fila pros Strokes e ela confirmou que sim. A maioria ali não tinha ingresso. Os que tinham, compraram no eBay ou no Gumtree por 150, 200, 250 libras. Ouvi uma história de uma menina que não só tinha pagado 200 libras pelo ingresso, como tinha pegado um avião até Londres só pelo show. Era insano.

Conforme o tempo foi passando, várias celebridades foram entrando: Zane Lowe, o apresentador. Nick McCarthy, do Franz Ferdinand. Luke Pritchard, dos Kooks. Gente do The Cribs e do Biffy Clyro. O Coldplay inteiro (Chris Martin posou pra fotos antes de entrar). E nós lá. Eu já tinha perdido as esperanças. E aí o show começou.

Consegui entrar porque, durante a espera, dei uns xavecos num funcionário da casa. A resposta dele era sempre a mesma: “desculpe, mas não dá”. Só que aí, na terceira música do show, ele veio pra mim na fila com um ingresso de convidado. A galera voou em cima, mas o ingresso era pra mim e os seguranças me ajudaram a ficar com ele.

Agradeci mil vezes ao cara e entrei. Porra, era lindo. O Dingwalls tem uma pista com degraus, tipo o Via Funchal (SP), mas guardadas as devidas proporções, claro. No Dingwalls só cabem umas 400 pessoas. Eu fui pra frente tanto quanto deu, mas preferi não descer no gargalo porque a coisa ali tava infernal. Muuuuuito empurra-empurra, não ia dar pra curtir o show. Então fiquei de boa no segundo degrau.

Eu pirei muito, mas MUITO com as músicas. Um clássico atrás do outro, foi muito foda. Tocaram varias das minhas preferidas, como “Hard to Explain” (entrei com ela rolando), “Someday”, “You Only Live Once” e “Juicebox”. Fecharam com “Heart in a Cage” e Take it or Leave it”, e o lugar quase veio abaixo. O pessoal cantou junto todas as músicas, batendo palma e gritando o quanto dava.  O lugar estava quente, mas melhor que o Franz em SP nesse ano, e o teto pingava água do vapor que subia. Juro, parecia que tinha goteiras em todo o galpão, era incrível a quantidade de água pingando. Você olhava pras paredes e elas estavam molhadas.

Apesar do calor, Albert Hammond Jr. passou o show inteiro de blazer e Julian Casablancas de jaqueta de couro e óculos de sol. Só o Nick Valensi que optou por uma regata larguíssima, que deixava à mostra seus bracinhos finos e seu peitoral, que não é lá muito bombado. Nikolai Fraiture ficava no canto quietinho e Fab Moretti tocava a bateria com muita energia. Strokes é muito foda.

Julian passou o show inteiro falando “I’m just fuckin’ around”. Ele também falava bastante com o pessoal no gargalo, dava as mãos e tal. Em um momento, ele disse “this is like the first show we do in 4 years, so thank you”, e o povo vibrava, e ele respondia “this is too much, guys, this is too much”.

Falando em gargalo, a coisa ficou tensa por ali. Os seguranças desceram até ali e meio que ficaram protegendo as três primeiras filas, que tinham gente quieta. Eles formavam uma barreira que não deixava o pessoal pulador bater neles. E como eles faziam isso? Dando empurrões animais que faziam belas “ondas” na platéia. De cima, de onde eu tava, dava pra ver bem.

Um dos seguranças era um armário de 2 metros de altura e uns 130 kg, no mínimo. O cara era um gigante. Vi ele pegando pela gola da camisa e levando pra fora pelo menos 3 malacos causadores. Imagine ser arrastado pra fora de um clube por um gigante. Era tragicômico.

Foram umas onze musicas no show e mais umas cinco no bis. Adorei todas. Strokes é muito bom e o show foi histórico, de verdade.

Tentei pegar coisas do palco, mas os seguranças enxotaram todo mundo, bem bravos. Deu tempo de pegar uma caneta que tava lá, então, pra todos os efeitos, eu peguei a caneta dos Strokes. No último degrau da pista, ficava um bar. Achei o empresário deles, David (que estava todo pimpão, cumprimentando todo mundo), e pedi se ele conseguia que eles assinassem minha camisa (estava vestindo uma da seleção), mas ele falou que “they’re gone”. Sei lá se tinham ido mesmo, mas tava claro que não ia rolar.

Mas olha só: na frente do bar, eu acho o Nick McCarthy do Franz e ele topa tirar foto comigo e assinar minha camisa. Foda, haha. Fui nos Strokes e ganhei autógrafo de um Franz. Ainda compro uma camisa do show, que vinha como se fosse do Venison, a banda falsa promovida pelo clube. O pessoal que tava do lado de fora me contou que os seguranças deixaram as portas abertas pra eles poderem pelo menos ouvir o show.

Foi lindo, histórico e inesquecível. Strokes continua sendo uma das bandas mais importantes e necessárias do rock.

Fotos e texto por Victor Bianchin

  • Camila

    Ah que inveja cara!

    Vibrei aqui em casa com o relato! =D

    Quero o cd logo!!!!!

  • Nathalia Vianna

    muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito maneiro!

    e po, invejei sério.
    hahahaha

  • Chorei! Tô morrendo de inveja!
    Quero um show do Strokes pra eu ir já!

  • Braghetto

    GRANDE Vic, direto de Sto André diretamente para London num show dos Strokes.
    Maldito sortudo.

  • Gabriel Agnelli

    Que coisa boa, mas nenhuma música nova neste show?

    abraços

  • nenhuma inédita :/

  • Pedro augusto

    aaaaaaaaaa, cara que inveja mt foda mesmo.

  • raphael

    graaaaaaande Vic. aí eu invejei, hein!

  • Paulo Dias

    “Fui nos Strokes e ganhei autógrafo de um Franz.”

    Estava vendo uns vídeos do show e a energia estava contagiante, cara. Lá no meio da muvuca deve ter sido foda demais! Parabéns pelo ingresso e pela matéria!

  • Nathan

    Caaaara, que puta inveja que eu fiquei heim.

    Isso me lembrou o lendário show dos Beatles no Cavern Club :B

  • maluco, se inveja matasse…

  • Marília

    até que os seguranças tiveram coração: deixar a porta para os desafortunados que estavam de fora (ao contrário do relator aí hê) ouvir o show =T
    bah (gaúcha fazer-o-quê), tô inquieta com essa volto dos Strokes…

  • hugo

    caaara, eu te vi la HAHAHAHAHAHA

    eu era o brasileiro com uma camisa de paris que falei contigo quando um dos managers brasileiros do bar tava conversando com a menina da folha de sao paulo ahahahaha

    entrei parecido conrtigo, passei a tarde lá tentando conversar os caras por um ingresso, insisti muuuito e, admito, o segundo desses ingressos guest foi dado pra mim. o manager do dingwalls veio direto pra mim e falou “have fun”. quando tava entrando, o tour manager de strokes, richard, ainda falou “enjoy it”, como um sorrisao tipo “passasse a tarde aqui, tu merece” hahahaha acho que foi ai que começaram a dar tickets guest pra varias pessoas hahaha

    mas, assumo, tive um pouco mais de sorte que voce, fiquei na frente do palco, na frente do albert, peguei a palheta dele (me deu na minha mao) e uma garrafa de agua. e tava lotadao mesmo, teve horas que, JURO, pensei que fosse desmaiar te tanto empurrao, aperto e pulo hahahahaha

    NOITE HISTORICA, VEI, NOS ESTAVAMOS LÁ =DDD

  • Henrique

    Putz, Strokes é foda e ver um show deles, intimista desse jeito e só com os clássicos, cara… Me faltam palavras pra dizer o quanto eu gostaria de estar no seu lugar!
    Parabéns pela matéria e pelo ingresso! haeiuheuihae

  • T

    Estou babando, cara. Que foda!

  • HAHAHAHA

    Incrível o comentário do Hugo.

  • Jessica

    Nossa cara, fico muito muito feliz por você ter conseguido fazer isso tudo!! E que invejinha hehe

  • Camila

    AI QUE LINDO CARA, PARABENS 😀
    como eu queria ter ido, haha, ai me emocionei com esse texto
    que sorteeeeeeeeeeeeeee!

  • Julio

    Mano!!!!
    Representou deu uma de impostor heim
    To paganduhh o mau pau pra ti veiii
    MEGA INVEJAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!
    Deve ter MUito Foda

    Sortudo do caraiuUUH.
    Vai nascer como o cu virado pa lua assim na P…. que pariu!!

  • Pingback: A volta dos Strokes, por Vítor Bianchin - Trabalho Sujo - OESQUEMA()

  • Victor Bianchin

    Hugo, meu rapaz, depois dessa podemos morrer felizes hein?

    Que foda você ter ficado na frente e ter pego a palheta do Albert, foda mesmo. Eu podia ter ido lá no gargalo, mas tava muito forte a coisa lá, e eu queria curtir, sabe, então deixei quieto. Sábado eu tava no show dos caras na Isle of Wight e fiquei no empurra, hehe.

    Foi histórico, e foi foda estar lá. Abraço!

  • Muita sorte sua, cara!
    São momentos assim que nos deixam mais extasiado nessa passagem curta no Planeta Terra.
    Grande abraço.