Resenha: Arcade Fire mostra músicas inéditas em estacionamento de Montreal

Pela Internet, rádio, tv ou amigos histéricos, a notícia começou a circular aqui em Montreal só na quarta de manhã, dia 9: show do Arcade Fire hoje à noite. Gratuito. Não havia o que questionar. Eu, que estava me torturando por ter perdido o show secreto que a banda havia feito na sexta, agradeci pela segunda chance e já pedi a rota para o Google Maps. Lugar bem inesperado (até entenderia se Mr. Google viesse com um “você quis dizer…”): o estacionamento de um centro comercial de Longueuil, cidade vizinha de Montreal. Pois é, aproximadamente 10 mil pessoas (e uma quantidade incrível de crianças, por sinal) foram conhecer os subúrbios de Montreal.

Quinze minutos antes do horário marcado, eles entraram já mandando duas novas – “Ready to Start” e “Month of May” – e mostrando que The Suburbs, que será lançado em agosto, pode ser bem diferente dos dois primeiros álbuns da banda. Com duas baterias (Jeremy e Régine) e o ritmo mais acelerado, “Ready to Start”, em particular, foi uma grande surpresa. Uma pegada meio pop em comparação ao som denso e desesperado tão característico do Arcade.

Enquanto “Wake Up” e “Intervention” pedem um estádio, “Month of May” ficou perfeita no estacionamento. Não por uma questão de qualidade, mas a orquestração com mais espaço para os violinos e os coros feitos para serem acompanhados por toda a platéia (inclusive as crianças!) amplificam enormemente as primeiras músicas. Já as novas (foram seis no total) soaram discretas e menos ambiciosas – com exceção de “Rococó”, em que Win Butler pesa a mão no piano.

Mas a energia no palco não diminui em nenhum momento. E, por isso, arrisco dizer que esse foi um dos melhores shows que já vi. A banda parecia extremamente satisfeita mostrando o trabalho novo e talvez o lance de ter sido um show surpresa, confirmado de última hora (a banda só recebeu o aval da prefeitura na noite anterior), tenha criado uma empolgação maior por parte do grupo e do público. Mas conta também a urgência que parece mover a banda, como se cada música precisasse ser cantada.

Will Butler, correndo de um lado ao outro do palco, pareceu personificar toda essa energia, sobretudo nos momentos em que atacava na percussão. A voz de Régine, depois de ter roubado a cena em “No Cars Go”, apareceu em “Haiti” não como um canto, mas como expressão quase involuntária. No entanto, a catarse veio mesmo em “Neighborhood #1”, que não consigo mais escutar nos fones do meu Ipod, tão forte que ela foi no momento. Em seguida, “The Suburbs”, ainda bem nostálgica, mas já em um clima mais leve, equilibrou bem o setlist – afinal, precisávamos respirar de vez em quando. E nada foi mais prazeroso do que cantar o verso “in the parking lot we’re still waiting”. Nenhum Madison Square Garden poderia bater aquele estacionamento no meio do nada.

Bem, eu precisava ver um show do Arcade Fire antes de deixar Montreal. Não poderia ter sido ser melhor. Essa prévia mostrou que a banda está preparada e disposta a fazer uma grande turnê. Agora é aguardar para ver o que eles ainda têm para nos mostrar. E esperar que eles confirmem uma data para o Brasil…

Setlist:

Ready to Start
Month of May
No Cars Go
Haïti
Intervention
Modern Man
Rococo
Neighborhood #1 (Tunnels)
The Suburbs
We Used to Wait
Neighborhood #3 (Power Out)
Rebellion (Lies)

Bis:
Keep the Car Running
Wake Up

Esse texto é uma colaboração de Thaís Viveiro, outra nova colaboradora que – esperamos – irá aparecer nas páginas do Move That Jukebox casualmente. Ao lado de Eduardo Hiraoka, que também entrou pro nosso time, Thaís editava o blog Untuned.

Na noite anterior ao show em Longueuil, o Arcade Fire apresentou mais ou menos o mesmo setlist em Sherbrooke. Alguma boa alma gravou todo o show e liberou o download no megaupload e no hotfile.

4 Comentários para "Resenha: Arcade Fire mostra músicas inéditas em estacionamento de Montreal"

  1. Se a capa do nosso novo álbum tem um carro estacionado, fazemos um show surpresa em um estacionamento, simples, rs.

  2. Pingback: fresh new blood #2.2 (edição extra: as novas do arcade fire #2) | PopSalva!

  3. Espero um dia ver o show deles,
    gostaria ver de outras bandas,
    mas trocarias sem titubear por um show
    dessa trupe fenomenal!

  4. Parabéns pela resenha, me arrepiei só de ler. O show deles deve ter uma energia indescritível, se só com os vídeos a gente já fica em êxtase, imagina ao vivo!

    Espero que o Planeta Terra, SWU, ou um desses festivais que irão acontecer no Brasil no segundo semestre tragam eles, ia ser fodônico.

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