Otto @ Sesc Pinheiros (São Paulo – 26/06/15)

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Foto: Hugo Sá

“Eles vão ouvir, vocês vão entender!”

Foi assim que Otto justificou o fato de a cada música parar e explicar o que cada uma delas representou em sua vida e como elas nasceram. Tomando whisky puro, visivelmente embriagado e, talvez por isso, muito falante, mas além de tudo, muito emocionado, o cantor e compositor apresentou o show Otto Recupera! em três noites (26, 27 e 28 de junho), no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O Move esteve lá na primeira apresentação.

“Esse show é muito especial para mim, porque eu precisava me revisitar”, disse o cantor – e foi realmente isso que fez. No repertório, músicas de seus cinco álbuns de estúdio, como “Londres”, “TV a Cabo”, “Bob”, “Crua”, “The Moon 1111”, “Miss Apple e Zé Pilantra”, “Único Sino” e ainda emendou “Emoriô”, de Gilberto Gil e João Donato, “Rios, Pontes e Overdrives”, da Nação Zumbi, e “Acontece”, de Cartola. Deu tempo até para “Cauboi”, do disco que vem por aí, Ottomatopeia.

Vestido todo de preto, com uma calça que vivia caindo (alguém compre um cinto para o Otto!), camiseta e bota, Otto já na segunda música se livrou do casaco que vestia, jogando-o ao lado de Bactéria (tecladista). Ao levantar a camiseta pela primeira vez, levou o público feminino ao delírio. Em seguida, faz a mise-en-scène de jogar água na cabeça, depois tira enfim a camiseta e, quando a coloca de novo, ouve gritos de “tira!”, ao que responde como uma criança pequena: “Não, não! Não precisa disso!” Otto também entrou no meio da galera, subiu e desceu as escadas do teatro Paulo Autran dezenas de vezes. Sentou no colo de uma moça, beijou outras tantas mãos, correu pelo palco, tropeçou e por pouco não caiu. Logo que terminou de cantar “Pelo Engarrafamento”, disse: “Não ligo quem vem atrás! Foda-se!”. Ninguém entende, mas ele explica: “Sabe, quem me ensinou isso foi Bukowski”, levando a plateia ao riso. E conta a engraçadíssima história de como o escritor estadunidense (nascido na Alemanha) estava numa suruba e ganhou uma “enrabada”.

Numa dessas andanças pelo palco, pediu para que todos prestassem atenção em um casal ao lado e disse: “Olha que lindo o meu público!”. O casal era composto de um rapaz e uma moça negros. Celebrando a diversidade, Otto ainda citou a notícia da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo pela Suprema Corte dos Estados Unidos. “O mundo pede liberdade (…) e eu acho que esse pessoal, só tratando mesmo com muito chá de rola!”, falou sobre os homofóbicos e pessoas contra os direitos dos LGBTTs. No final, já muito animado, cantou um bis com quatro músicas e ainda deixou Malê (percussão) cantando “A Praeira”, da Nação Zumbi. Sua Jambro Band ainda tem Guri (guitarra), Junior Boca (guitarra), Carranca (bateria), Rian (baixo) e Marcos Axé (percussão).

Domingo, Otto completou 47 anos. Parabéns!

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