Rico Dalasam - Orgunga

Rico Dalasam
Orgunga

Independente

Lançamento: 03/06/2016

Desde que “Aceite-C” ganhou videoclipe, Rico Dalasam deixou de ser apenas um rapper negro, assumidamente gay, que morava na periferia de São Paulo. Ele passou a ser um artista a se prestar atenção. A canção está no EP Mondo Diverso, que o fez tocar em vários lugares em São Paulo e muitos festivais Brasil afora. A música, que trata sobre uma pessoa dando seus “corre” e buscando melhorar de vida, é também um hino para quem não tem vergonha de ser quem é: “Ai, eu mudei de classe quando eu decide ser quem só/Eu/Outro não dá pra ser/Sem crise, sem chance/Que a vida é uma/Só”, canta na música que ainda começa com um sample de “O Mais Belos dos Belos”, de Daniela Mercury.

De lá até aqui, muitos foram “os pulo” que Dalasam deu por aí, chegou até a tocar duas vezes num único dia, gravar videoclipe o dia inteiro e depois ir cantar. Esse cara ralou, mais do que mais nada, esbanjou talento por aí. E por isso, nasceu Orgunga, seu primeiro álbum, ou o “orgulho depois da vergonha” de ser quem é. Pelo menos foi o que ele mesmo explicou no show que fez para apresentar o álbum, no Auditório Ibirapuera, numa noite muito espirituosa. Se em janeiro vi uma apresentação do Rico Dalasam, no Ibira, vi um show e um grande artista no palco!

De Modo Diverso, a única música que ficou foi “Riqíssima”, mas na versão de Mahal Pita, no restante todas são novas e o disco começa com a pesada “Milli Milli”, que tem aquele clima de rap do crime (gansgtaaaa), em que Dalasam critica a apropriação da cultura negra pelos brancos. “Riquíssima” abre a sequência queer/glam do álbum, com canções que esbanjam poder e exaltação de sua própria figura, “DALASAM”, é um exemplo, mas todas trazem uma pitada de crítica, daquelas que você ouve, mas se não prestar atenção, passa batido: “D-A-L-A-S-A-M, eu ligo as pessoas, eles liga a sirene”, canta. “Esse Close eu Dei”, que já ganhou videoclipe é a lacração em forma de música.

Daí, vem as duas músicas que mostram o lado romântico de Rico: “Drama” e “Honestamente”, esta a mais melosa do álbum, que me fez lembrar aqueles funks dos anos 90. Seguimos para a parte dançante com a celebração de ter chegado até onde chegou. “Relógios”, uma produção em parceria com Xuxa Levy foi gravada no projeto NU OVO, que vai lançar uma série de clipes e canções inéditas de artistas que são considerados revelação da música brasileira. O objetivo do projeto é liberar um novo clipe por mês, Os 27 minutos e 4 segundos do excelente disco de Rico Dalasam termina com “Vambora”, que nos convida a sair por aí nos divertindo com ele e não tem como delinar ao convite, Dala!

Escute o disco inteiro aqui!