Rolling Stones @Estádio Maracanã (Rio de Janeiro – 20.02.2016)

stones

 

Sabe uma listinha pessoal que todo mundo têm de “coisas a se fazer pelo menos uma vez na vida” ? Pois bem, esses quatro caras da foto aí acima estavam nessa minha lista, desde meados da minha adolescência. Não esqueci dela, não rasguei, não joguei fora, apenas esperei e esperei ansiosamente até que mais uma oportunidade surgisse pra eu agarrar. Sim, mais uma, porquê quando tinha meus 16 anos (mais precisamente 18/02/2006), esses senhores apareceram pra fazer um showzáço (de graça, por sinal!) na famosíssima praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Contabilizaram cerca de 1 milhão e 500 mil pessoas, um dos maiores concertos já realizados na história – mas eu não estava lá. Não rolou, não deu certo. Vi ao vivo pela TV. Mágico, impressionante, único, energizante. A lembrança que eu tinha desse dia ainda era de estar a frente de uma tela e isso não era a mesma coisa…

Há coisas nessa vida que acontecem no momento certo, na data, mês, dia, horário e local exatos. Foi aí que tudo começou a se alinhar novamente pra mim. O anúncio da volta da “maior banda de rock ‘n’ roll de todos os tempos” no Brasil era algo muito aguardado por milhões de fãs espalhados pelo país, inclusive eu. Boatos pra cá e pra lá, até que finalmente confirmaram aquilo que eu queria ler: Os Rolling Stones vão tocar no Maracanã, após 18 anos da última passagem no templo do futebol e 10 anos da última presença deles por aqui – sim, aquela lá que eu perdi e vi em êxtase através da TV.

Confirmado a Olé Tour (nome perfeito para uma turnê na América Latina), foi só comprar o ingresso para pagar minha dívida pessoal com esses caras. Nosso reencontro ficou para 20 de fevereiro de 2016, mais uma vez em pleno verão carioca e sabe como é isso, né? Um dilúvio horas antes do show quase danificou de forma séria o mega palco (e um dos telões) que estava logo a minha frente o que atrasou a apresentação – será que mais um obstáculo vai nos separar? Não. Não vai. Não aconteceu. Não teria como. Já se passavam das 21h45 quando tudo se apagou e os primeiros riffs conhecidíssimos ecoaram no lindo novo Maracanã. Eram eles.

“Start Me Up” começa e entra o imortal canastrão do Keith Richards. Uns segundos depois e o melhor parceiro que se poderia ter, Roonie Wood. Charlie Watts abre aquele sorriso tímido atrás da sua simples bateria ali e por fim, vem ele: Mick Jagger e seu jeito único de andar, desfilar, dançar, cantar e agitar. Estavam ali em carne e osso para os mais de 66 mil presentes naquela noite – e agora também pra mim. Impossível não ficar assustado e paralisado com tamanha energia que esses caras produzem no palco, todos com idade acima dos 70 anos (“como isso é possível?” – passava na minha cabeça toda hora). E o setlist foi indo com “It’s Only Rock n’ Roll But I Like It” e “Tumbling Dice”, clássicos de gente gigante tocado de forma tão gigante quanto. Na sequência arrebatadora, aparece a surpresa “Out of Control” (uma das minhas favoritas do fim dos anos 90) e “Like a Rolling Stone” (o cover de Bob Dylan, votada pelo público e que há muito tempo não estava sendo tocada!). Ainda nessa primeira parte rolou a recente “Doom and Gloom” e nada mais e nada menos que “Angie”, “Honky Tonky Woman” e “Paint It Black”. Tudo isso junto, com pouquíssima pausa pra respirar e acreditar naquilo tudo que estava vendo na minha frente, há poucos metros de mim. Jagger ainda falou do calor carioca naquela noite e Keith, espantado e emocionado com a recepção em seu nome, questionou pra si próprio “por que nós sentimos tanta falta de vocês”? Era isso, o casamento perfeito entre Stones – Brasil – Rio de Janeiro acordou. Era essa a fórmula de sucesso a qual todos estávamos sentindo tanto a falta de presenciar..

“You Got The Silver”, “Before They Make Me Run” e a conhecida versão extensa de “Midnight Rambler” mandada pela dupla de guitarristas deu um pouco mais de calmaria nos ânimos do público. Eram famílias inteiras, amigos se reunindo em mais um show da banda, velhinhos e crianças, todos no mesmo lugar pra curtir o quarteto. Como alguém ainda ousa falar que “o rock morreu” quando esses caras estavam ali na minha frente? Não tem como. “Miss You” começou de forma elegante que só Mick consegue fazer acompanhado pelo coro do público. E eis que veio, para mim, uma das partes mais emocionante que talvez eu já tenha vivido em algum show nessa vida: a música “Gimme Shelter” traduz tudo o que eu sinto que a arte em forma de música é capaz de fazer: inspiração, energia, felicidade e emoção. Não tem mais a Lisa Fischer ali, mas tem a Sasha Allen no palco – e como essa mulher canta! De arrepiar a alma! É nesse momento que escorre aquela lágrima no canto direito do olho meio sem querer. Histórico. Ainda veio a energia de “Brown Sugar” pra completar e nada menos que Jagger vestido a caráter para a clássica “Sympathy for the Devil” com a iluminação toda vermelha (e quente!) que poderia se fazer. “Jumpin’ Jack Flash” veio pra coroar a sequência final do Stones. Mas pera lá, ainda teve o clássico bis deles, com “You Can’t Always Get What You Want” com um coral de 30 vozes femininas da PUC-Rio e  “(I Can’t Get No) Satisfaction” – preciso falar algo delas, mesmo? O fechamento perfeito para uma noite épica, marcante e todos os adjetivos possívels. E aplausos, muitos aplausos. O meu “muito obrigado” retribuindo as palavras do grupo e ainda diluindo todo o momento único vivido nessa pouca mais de 2 horas de apresentação. Uma possível volta da banda pra cá daqui alguns anos? Bem difícil. Mas agora eu posso dizer…sim: EU VI OS STONES!

 

Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro - 20/02/2016

Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro – 20/02/2016

 

Start Me Up
It’s Only Rock’n’Roll (But I Like It)
Tumbling Dice
Out of Control
Like a Rolling Stone (Bob Dylan)
Doom and Gloom
Angie
Paint It Black
Honky Tonk Women
You Got the Silver
Before They Make Me Run
Midnight Rambler
Miss You
Gimme Shelter
Brown Sugar
Sympathy for the Devil
Jumpin’ Jack Flash


You Can’t Always Get What You Want
(I Can’t Get No) Satisfaction

 

A banda se apresenta nos dias 24 e 27 de fevereiro, no estádio do Morumbi e ainda tem ingressos para os dois dias. Depois seguem para Porto Alegre, no dia 2 de março. Vai perder? Saiba de tudo no site oficial dos Stones no Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *