Sangue, Suor e Diversão: Não é Carnaval, é Bonde do Rolê

Texto: André Vinicius
Fotos: Diana García e Will Reichelt

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Bonde do Rolê em Sydney, 2008

Show do Bonde do Rolê em São Paulo é praticamente show internacional. Embora Rodrigo Gorky sempre dê as caras por aqui, seja na festa Crew ou em qualquer outro DJ set, show da banda mesmo é raro de se assistir em SP. Ao entrar no Studio SP na Augusta, você se depara com pôsteres de shows do passado, quando ele ainda era na Vila Madalena. Cansei de Ser Sexy em janeiro de 2006, Hurtmold em 2005 e até o próprio Bonde do Rolê, que tocaria na casa mais uma vez nesta noite. Porém, o pôster contava ainda com a Marina. Uma saia-justa? Talvez. Encarei como uma ironia do destino.

O DJ já aumentava os BPMs perto das 2 da manhã preparando o público pro show. Público que, por sinal, lotava a casa e mais ainda, se espremia perto do palco como num show de rock. Gorky sobe ao palco primeiro, fantasiado de enfermeiro (ou açougueiro?) e já se posiciona atrás do CDJs, que trariam muita animação mais tarde. À primeira batida característica do som do Bonde, a galera vibra.

Podem falar que Laura e Ana não têm voz pra cantar – e não têm mesmo -, mas as duas estão cada vez mais confortáveis no papel de front-women e, pouco a pouco, vão adquirindo o respeito de todos aqueles que reclamam ainda da saída de Marina. Ainda em dúvida se eles estão fantasiados de enfermeiros ou açougueiros, a única certeza que eu tenho é que a encenação com sangue falso, que pode parecer banal à primeira vista, encaixou totalmente com a “pilantragem” (segundo o próprio Rodrigo) da banda.

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Dá pra ter uma idéia do que eu quis dizer com “sangue”?

Ao som das já conhecidas“James Bond”, “Geremias” e “Tieta”, cantadas em uníssono, você percebe que eles realmente têm algo de especial. Seja pelo ar de irresponsabilidade ou simplesmente por eles não terem vergonha de se divertir, é muito legal estar num show do Bonde. Quando “Office Boy” começa, um princípio de mosh pit surpreende a todos. MOSH num show de funk. Incrível. Tocam algumas músicas novas, muito bem apresentadas por Ana, com refrões como “Meu piru pra fora” ou algo parecido. Típico. O som da banda não vai mudar no próximo disco.

Pedro está cada vez mais cativante e  seguro do seu papel no palco, as danças a 3, as simulações de sexo de forma escrachada, tudo se encaixa, nada parece forçado. Eles são isso mesmo. E isso é muito legal. Pedro joga sangue falso no público, Ana beija um dos rapazes da primeira fila, Laura tem que se esquivar dos mais atirados e Rodrigo, que na maioria das vezes fica lá quietinho atrás dos seus CDJs, grita e dá uma energia extra em algumas músicas (como se precisasse).

O ápice vem com “Solta o Frango”, quando aproximadamente 50 pessoas sobem ao palco pra cantar e dançar junto com eles (esse que vos escreve não resistiu e também subiu). Intenso, divertido e inesquecível. Depois do alvoroço, o povo desce do palco e o bis vem direto, sem eles precisarem sair.

E algo especial acontece nessa hora. “Melo do Vitiligo”, uma música que brinca com algo não engraçado e que foi o primeiros sucesso do Bonde, é cantada por todos com aquela sensação de ser já um clássico. Imagine “Supersonic” do Oasis, “There’s No Other Way” do Blur e, pros mais jovens, “Somebody Told Me” do Killers ou “I Bet You Look Good on the Dancefloor” do Arctic Monkeys. Eles já tem seus Top 40 hits na Inglaterra e seu “clássico” com os fãs. O que mais falta pro Bonde do Role?

Honestamente, eu não sei. Mas espero que muita coisa ainda venha.