Segundo dia de SWU: 56 mil pessoas, coxinhismo geral e a honestidade do Otto

Domingo foi o dia mais pop do SWU. Não lembro qual foi a última vez que ouvi tantas trilhas sonoras de novela sendo tocadas ao vivo em um mesmo dia: “Fidelity”, da Regina Spektor, “Use Somebody”, do Kings of Leon, mais de uma da Joss Stone, “Crua”, do Otto, e mais outras, apareceram em algum momento dentro das 12 horas seguidas de festival. Mais cheio do que no dia 9, sábado, a segunda etapa do evento já tinha a área premium intrafegável por volta das 5 da tarde.

O maior número de pessoas deu corda para que mais problemas estruturais acontecessem. Apesar disso, a produção não parava de tentar somar pontos em uma coletiva de imprensa realizada de surpresa e com muita acidez dos jornalistas: falavam sobre o combate às drogas (46 pessoas foram autuadas no primeiro dia de evento), sobre a qualidade dos equipamentos (quando perguntados sobre as falhas de som do Rage Against The Machine no dia anterior, a culpa foi passada para a equipe da banda – “a mesa de som era deles”) e, principalmente, sobre os problemas nas redes locais: o wi-fi da sala de imprensa não conectava e as máquinas de cartão de crédito mal funcionavam nos bares.

O show do Sublime With Rome, que aconteceu no Palco Água antes de anoitecer, foi o primeiro a ficar lotado. LO-TA-DO. E a grande maratona de shows gigantes começou aí. A sequência veio com a fofíssima Regina Spektor, toda meiga atrás de um piano de cauda, com o apoio de apenas três pessoas: uma no violoncelo, outra no violino e uma outra na bateria. Nesse meio tempo, nada de muito interessante passava pela tenda da Heineken, que encarou o dia mais sem graça de programação (Killer On The Dancefloor, Twelves e MSTRKRFT ficaram pra segunda-feira; Aeroplane, Erol Alkan e o recomendadíssimo Mixhell se guardaram para o último dia de shows).

Vai, Regininha! (Foto: Carol Zaine)

Foi Joss Stone quem preparou o terreno para os headliners da noite, usando um vestidinho de verão, descalça e tentando não tremer com frio e vento inexplicáveis na Fazenda Maeda. Dave Matthews Band entrou logo depois, levando os mais tiozões pra frente do palco Ar, mas foi às 11 da noite que o show mais cobiçado começou. Foi a segunda vez que o Kings of Leon veio ao Brasil, mas dessa vez com uma cara diferente: se em 2005 o espírito da banda era um tipo de caipira-do-interior-da-Inglaterra, agora são os galãs Followill que dominam o palco. Dá pra sentir uma pegada quase boyband, principalmente quando as ovações aparecem: é sempre o coro feminino que predomina.

Quem chegou tarde ou não teve grana pra comprar os ingressos premium não tinha muito do que reclamar: apesar da maior distância do palco, a estrutura da Maeda ajudava a visão do palco com a inclinação da pista.

Enquanto os gringos dominavam os dois palcos principais, quem passava pelo Oi Novo Som ficava deslumbrado. Com Pernambuco correndo na veia, Otto deu um choque de autenticidade em um line-up de artistas comportados demais e setlists calculadíssimos. Além de encher a tenda, o cara conseguiu botar todo o público dali nas suas mãos – dava pra ver muita gente suingando e cantando durante as músicas, que eram finalizadas com manifestações bem calorosas. A banda do cara é poderosa: o time instrumental junta Cidadão Instigado e Nação Zumbi. “Eu tinha mesmo que estar aqui”, disse, satisfeito e surpreso com a aprovação. O espírito da música brasileira todo representado no palco.

O show-lava-alma foi incrivelmente harmônico pra algo que parece ser tão espontâneo, livre e natural. Otto se meteu no meio do público, tirou a camisa mesmo com a friaca e, dessa vez, só deixou faltar uma de suas maiores marcas registradas: o cofrinho do cara estava por dentro da calça, comportado, sem chamar a atenção. Tanto faz: foi bom poder contar com o rapaz pra aliviar todo o coxinhismo do dia.

Hoje, terceiro e último dia de festival, é pra escapar de todas as tensões: pela segunda vez no Brasil, o Queens of the Stone Age toca no Palco Ar ao mesmo tempo em que o CSS, depois de três anos longe do país, vai deixar o Oi Novo Som lotadíssimo. E a tenda eletrônica caprichou no line-up.

O resumão do primeiro dia de SWU tá aqui.

  • Estou ancioso por um retorno Regina Spektor ao Brasil.

  • Uma pena que não tramsitiram o show da Regina Spektor, deve ter sido muito bom!
    e só pra corrigir: o qotsa já veio ao brasil, no rock in rio, em 2001. =)

  • Regina Spektor e Otto valeram o segundo dia, particularmente achei os melhores.

    Mas ó, não é a primeira vez de Queens of the Stone Age no Brasil, eles vieram no Rock in Rio 😉

    =*

  • Guilherme

    “a estrutura da Maeda ajudava a visão do palco com a inclinação da pista”. Que isso? Você estava mesmo no SWU? A visão do palco era péssima devido ao local ruim de instalação dos palcos. Além disso, as mesas de som eram perto demais do palco e centralizadas demais fazendo com que 40% do espaço na frente dos palcos fosse desperdiçado. Repito: desperdiçado. Era só reparar que a maioria das pessoas não “premium” assistiam pelo telão, aliás, telões de péssima qualidade (Pararam durante o QOTSA e outros shows).

    Adoro o blog, mas essas coberturas rasas e passivas sobre o SWU estão me deixando indignado.

    Vamos falar a verdade sobre aquele lixo. E olha que foi um lixo não reciclável!

  • Guilherme

    Nossa, que fail. “Caipiras do interior da Inglaterra”. Inglaterra? Também concordo que a banda piorou, virou pop, comercial. Mas…

  • Melissa

    O segundo dia do SWU teve um excelente line-up no evento em música eletrônica, apenas faltando Tiesto….
    Tivemos Mario Fischetti, Sander Kleinenberg, Sharam, Nick Warren e Markus Schulz, que eu me lembre… se pesquisar, são djs muito bem posicionados no ranking da djmag….
    A tenda da Heineken começou a lotar no segundo dj e permaneceu intransitável até as 2h da manhã mais ou menos quando Markus Schulz parou de tocar….