Selva, nova casa da Augusta quer ambiente amigável e inclusivo

Fabio Balestro e Junior Passini, donos e sócios no novo negócio na Rua Augusta, a Selva. Foto: Luiz Fernando C Santana/Divulgação

Faz cerca de um mês que o Selva abriu na Rua Augusta, 501, local que ficou famoso e que abrigou por anos um outro club, o Inferno. Agora com festas e sob o comando dos sócios Junior Passini e Fabio Balestro, a casa oferece um boa opção para quem gosta de dançar. Demos uma passada na abertura da casa no mês passado e o grande destaque é sem dúvida o bom humor. Estão espalhadas pela casa letreiros luminosos com dizeres: “Deus Abençoe o Rolê” ou “Não Seja Cuzão”. Ideia muito boa, deve-se salientar! O local é espaçoso e um vagão reformado foi colocado para quem quiser dar uma descansadinha. Para os mais ousados, o pole dance fica logo ao lado.

Fizemos umas perguntas “basics” para o Junior Passini, grande conhecido da noite paulistana, que está se arriscando numa nova casa da Rua Augusta, que tem a cada dia que passa virado um local de cabelereiros e prédios, muitos prédios. #AugustaResiste

Move That Jukebox: Por que vocês resolveram abrir a Selva?

Junior Passini: Hoje eu faço uma média de 35 festas por mês pelo Brasil todo. Pra quem trabalha com muitos eventos, em diversos lugares, abrir uma casa noturna certamente é sempre o próximo passo. A experiência de aprender com o certo e o errado, do dia a dia, de absorver as histórias de pessoas e lugares completamente diferentes, além de preparar, te instiga a querer fazer a sua própria narrativa. A Selva é um projeto incubado há quase um ano. Ideia por ideia. Só esperando a oportunidade a coragem para o próximo passo. A ideia principal de abrir mais uma casa na Rua Augusta sempre foi respeitar os artistas e os clientes. Construir um lugar que seja mais que um galpão preto com luzes no teto. Investir em ambientação pensado por arquitetos, em climatização pensada por engenheiros, e oferecer som e equipamentos sempre novos e de qualidade pros DJs e bandas. E se valer de um privilégio que poucas casas tem hoje: começar do zero em uma cidade muito diferente do que era anos atrás. Uma cidade mais inclusiva. Uma cidade onde, ainda bem, racistas, machistas, transfóbicos e homofóbicos não tem mais vez.

Ambiente Selva. Foto: Ali Karakas/Divulgação

Move That Jukebox: Como será a programação? O que ela traz de diferente para São Paulo? vai ser mais dedicada a festas?

Junior Passini: O foco é mais dinâmico, em festas. Com shows médios e grandes. A ideia da Selva é ter essa vocação de ser Cool Hunter. De enxergar o que é legal, divertido, bom naquele momento. De entender que o Rincon Sapiência é o artista brasileiro mais interessante do momento e colocar ele no palco. De entender que uma festa de funk pode ser tão legal, ou até mais, do que uma de pop. É enxergar a diversão no Pop, Hip-Hop, Funk, Indie, Rock, Brasilidades sem se prender à formulas.A nossa agenda nasceu com festas e shows de diversos estilos. E o natural, orgânico, é que com o tempo isso só aumente e flua de acordo com a vida da rua.

Move That Jukebox: O que vocês acham desse movimento que está rolando na Augusta? Muitas casas fecharam as portas e deixaram a Augusta aberta para a especulação imobiliária. 

Junior Passini: São Paulo e a Rua Augusta são mutantes, adaptáveis e propícia à diversidade. Uma hora o foco está nas festas de ruas, foodtrucks e hamburguerias. Depois, em festas eletrônicas em galpões abandonados. A Augusta uma hora é indie, depois se transforma em pop, em funk. Uma hora está em alta, é tema de séries e reportagens, outra hora é vista como algo a ser evitado, trocado por outros destinos. A Rua Augusta é referência no Brasil inteiro. É referência mundial. É, provavelmente, a rua de casas noturnas mais divertida do mundo. A ideia da Selva é fortalecer a rua, investir nela, trazer as pessoas pra ela. Resistir contra os prédios e mais prédios, essa verticalização.

A gente espera, também, que o Parque Augusta saia do papel, em algum momento. As pessoas querem ocupar a Rua Augusta. Isso está bem claro. A nossa ideia é, primeiro, criar o ambiente mais amigável possível na Selva para todas as pessoas, sem preconceito de qualquer tipo. Usar o privilégio de começar do zero e poder conversar com cada um que trabalhar na casa, tentando passar a forma como vemos o mundo e São Paulo. E isso inclui abrir a porta da casa pra eventos, debates e palestras sobre os temas sociais importantes em 2017. A vocação do centro é unir, adaptar e criar. E temos muita vontade de lutar, pressionar e se unir com outras casas, produtores e agitadores, para criar formas da Rua Augusta e o centro terem mais espaços e condições para entretenimento.

Foto: Luiz Fernando C Santana/Divulgação

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