She & Him – Volume Two

A voz de Zooey Deschanel provoca inúmeras reações. Na maioria das vezes, dá vontade de apertar a atriz (na bochecha seria mais apropriado) e falar mimos e criancices que você geralmente só fala pra bebêzinhos, gatinhos e cachorrinhos. Às vezes também sinto vontade de matar o Ben Gibbard e sequestrá-la só pra mim. Também poderia haver uma loja onde action-figures da Zooey fossem vendidos por um preço razoável – e com um botão que, quando apertado, faria o bonequinho cantar baixinho algum pedaço de música do She & Him. Bem, como disse no começo, mencionei apenas sensações causadas pela voz de Zooey. Ou seja, nem me darei ao trabalho de discorrer sobre a beleza singular dessa californiana de olhos azuis, porque ainda tenho que falar sobre Volume Two, segundo disco da dupla Deschanel + M. Ward.

O primeiro registro do duo veio em 2008, com o delicioso hit “Why Do You Let Me Stay Here?” e um disco cheio de levadas que misturavam elementos de folk, rock e indie a sonoridades retrôs. Pra quem curtiu da primeira vez, vai ficar ainda mais empolgado e satisfeito com o que o She & Him trouxe em seu segundo trabalho. Tudo o que se destaca em Volume One foi aprimorado e elevado a um nível de fofura, simplicidade e descontração que fará você colocar o Volume Two no repeat de seu player e só perceber – se perceber – horas depois.

M. Ward, renomado músico e compositor americano, produziu o disco e semeou todo o caminho para que Zooey pudesse brilhar com sua voz. Ward, que já tocou com gente do nível de Cat Power, My Morning Jacket e Conor Oberst, entre outros, dá seu toque de músico experiente em todas as composições da cantora, dando a elas forma e arranjos impecáveis – de acordo com a Wikipedia, Ward tocou guitarra, bandolim, piano, sintetizador e fez algumas participações vocais no CD, como na ensolarada e juvenil “Ridin’ In My Car”. A música, aliás, é um cover da banda NRBQ.

Em faixas como “Lingering Still” e “Gonna Get Along Without You Now”, cover da cantora Skeeter Davis, Zooey mostra seu lado country de raíz, enquanto o pop retrô de “Don’t Look Back” e “Over It Over Again” nos faz pensar no quão bem a cantora/atriz se encaixaria no primeiro disco das Pipettes. “Me And You” e “Sing” seguem um clima mais lo-fi, que faz você ficar viajando com os olhos fechados e um sorriso no rosto. Juntinho delas também pode-se encaixar a minimalista “Brand New Shoes”, que é quase uma lullaby pra você dormir tranquilamente ao som da voz de Deschanel e do violão de Ward.

Não por acaso, deixei as duas melhoras músicas para serem citadas no final: “In The Sun“, primeiro single do álbum, é a “Why Do You Let Me Stay Here?” de 2010. Baladinha singela ao piano e cheia de interferências bem calculadas da guitarra de M. Ward, que fecha a música com um solinho bem estiloso. Já “Home”, oitava faixa de Volume Two, reúne tudo que a dupla tem de melhor: cantando uma letra que fala de amores e de sua terra natal, Zooey tem uma de suas melhores performances, indo de um começo contido até o refrão, onde alterna entre pequenos falsetes e gritinhos de “u-hul”. Na parte instrumental, o violão e a pontual guitarra de Ward se fazem presentes em bons momentos da música.

Se Zooey não estivesse indo tão bem em sua carreira cinematográfica (esqueça Fim dos Tempos, vai), eu torceria bastante para ela se dedicar exclusivamente à música. Mas pra quê, certo? Ela não só nos brindou, junto com M. Ward, é bom frisar, com dois ótimos discos em dois anos, como também nos faz suspirar ao mostrar seus olhos indecentemente azuis em vários filmes de qualidade. Conduzindo os dois lados de sua carreira tão bem, não há porque não torcer por mais volumes de sua saga com Ward e mais 500, 1000 dias com ela nas telonas, também.

-> Volume 2 foi lançado nos EUA no dia 23 de março, via Merge Records, e teve produção de M. Ward. No Brasil, o disco será lançado em breve pelo selo LAB 344.

  • Vitor

    Hehehehehe, ótimo texto Neto! A Zooey realmente é daquelas de pedir pra embrulhar e levar pra casa. :DD

    P.S.: Só senti falta de alguma referência à Thieves, que eu acho uma das melhores do cd.
    P.P.S: Eu gosto de Fim dos Tempos. 😛

  • Jesus, você gosta de Fim dos Tempos? CORRÃO! HAHA! Cara, é um dos piores filmes que já vi na vida =/

  • Confesso que descobri “She & Him” tarde, na metade do ano passado, mas posso afirmar que o disco Volume One me desplugou, desviou minha atenção de riffs mais pesados e baterias agressivas, isso deve-se muito a doçura da voz de Zooey (sem contar a beleza) e a melodia muito bem construida de todo o disco. O Volume Two veio reafirma o que o primeiro já havia mostrado. Na minha opnião, temos no mercado mais um excelente disco, mais um para curtir e desplugar.

  • Discordo de você, Neto.

    É verdade que a Zooey é linda e canta bem. She & Him é uma das melhores duplas (bandas?) da atualidade e tudo o que você disse sobre Volume Two – que já baixei e ouvi – tem sentido. In the Sun é, de fato, a Why Do You Let Me Stay Here? de 2010, embora eu prefira Sentimental Heart, I Thought I Saw Your Face Today e Sweet Darlin’.

    Mas discordo de você.

    Por mim, Zooey poderia largar de vez a carreira de atriz e se dedicar exclusivamente ao She & Him. Cantando ela é muito mais eficiente que atuando pois, apesar de linda, no cinema ela é apática (mesmo em 500 Days of Summer. The Happening, então, nem se fala). Chega a ser incrível como ela é muito mais expressiva no clipe de In the Sun do que em todos os filmes em que atuou.

    Enfim, expresso aqui minha torcida para que Zooey Deschanel se torne cantora em tempo integral já que seu trabalho como intérprete/compositora é infinitas vezes superior ao trabalho como atriz.

  • Não sei se eu entendi/você se expressou bem, Marcelo, mas parece que você não consegue separar a personagem Summer da atriz Zooey. Não tem como a Zooey transpirar simpatia representando uma personagem que passa a maior parte do filme com o coração gelado. “Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn’t”, como diz a tagline do filme.

  • Alessandra

    Uma coisa a se reparar: só homens comentaram até agora nessa review.
    Outra coisa a se notar: ninguém se lembra do pobre M. Ward.
    O que faz com que eu seja a única a achar que você exagerou no derretimento pra cima da Zooey (calma, eu também adoro ela!).

  • Talvez eu realmente tenha me expressado mal, Alex.

    Mas a questão não é a exclusivamente personagem da Zooey em 500 Days of Summer. São todos as personagens vividas pela atriz no cinema. Em The Good Girl, Cheryl, a personagem secundária vivida po ela é apática e quase depressiva. Em Winter Passing, Reese, a personagem da Zooey, é totalmente desmotivada (a ponto de Will Ferrel transmitir mais emoções que ela, acredite). No citado já The Happening, do Shyamalan, ela interpreta Alma, uma mulher que se diz incapaz de demonstrar emoções. Em The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, Trillian é completamente blasé.

    Não me entenda mal. Admiro (muito) Zooey Deschanel como cantora e é por isso que defendo que ela deveria se dedicar integralmente ao She & Him. Parece que quando está envolvida em um projeto pessoal, ela fica mais a vontade. Talvez por isso sua empolgação soe tão natural no clipe de In The Sun. (ou talvez seja porque o projeto se adequa a ela e não o contrário, mas enfim, estou conjecturando)

    *à propósito: M. Ward é realmente um artista talentosíssimo, Alessandra. é ele quem está por trás da maioria das composições e arranjos dos Volumes One e Two.

  • Alessandra, esse “derretimento” todo foi proposital, até. Adoro ela, haha. Mas não deixei de ressaltar as qualidades de M. Ward e todo seu papel essencial na produção toda do disco. Tá tudo escrito ali em cima. Só que nem se eu quisesse daria pra me aprofundar mais falando dele, já que só o conheço pelo trabalho com a Zooey e superficialmente com o Monsters of Folk.

    Quanto ao lado cinematográfico dela, Marcelo, eu curti MUITO ‘500 dias com ela’. Um dos meus filmes preferidos de 2009. Acho que ela atuou super bem e, se teve algum momento apático, foi por exigência do personagem, e não por incompetência dela, na minha opinião. Quanto a ‘Fim dos tempos’, me recuso a falar, haha. Em ‘O guia do mochileiro da galáxia’, não sei se você leu o livro, mas a personagem Trillian tem um certo ar blasé, justamente como ela representou no filme. Já sobre esses dois outros filmes que você mencionou, não posso falar nada pq não vi. Mas um papel bem legal e descompromissado que ela fez foi na série Weeds, durante a segunda ou a terceira temporada, não me lembro muito bem. Mas até concordo com você quando falou que ela tlz fique mais à vontade em projetos pessoais. Taí o She & Him como bom argumento pra isso.

  • Fellipe

    Já conhecia a dupla mas só pelo nome, mas depois desse review me sinto obrigado em baixar! rs
    E quanto ao talento dela como atriz….Todo mundo se esqueceu dela em ‘Sim, Senhor’ em que ela faz uma personagem mais animada!Nesse ela atuou muito bem, até conseguiu chamar a atenção mesmo estando ao lado de Jim Carrey!

  • Stiff F.

    Pra mim, a Zooey brilha com seu lado musical, mas como atriz não passa do “normal”. Não fede, nem cheira. Vendo os clipes dá pra perceber que ela tem uma capacidade, só precisaria aperfeiçoar para aí sim, arrasar em filmes. Sobre “(500) Days With Summer” deixou MUITO à desejar. Tanto pela Zooey, quanto o filme em si. Sério, esperava algo extremamente melhor. Tem uma ou outra cena legal, o resto é todo dispensável. Portanto, em “Yes, Man” ela soube encarar o papel e fazer uma boa personagem, talvez por questões de identificação. Tirando “The Happening” (que se encaixa nas primeiras linhas deste comentário) não vi mais nenhum filme. Mas é isso, Zooey é espetacular e, um dia, espero que esta também conquiste seu lugar no cinema, como está fazendo com a música.

    E M. Ward é foda, ok.

  • Caramba, eu gosto muito [MUITO] das músicas do She & Him, e tou tentando ver todos os filmes com a Zooey, é impossível escolher um dos dois, ela é foda em ambos. E, sim, eu também me derreto por ela. E, sim, eu também odiei Fim dos Tempos.

  • tais

    tanto faz. ela é só ok nas duas coisas. a cabeça do she & him é o m. ward.
    mas pelo menos ela canta melhor que a scarlett johansson.

  • a Zooey ser uma das minha atrizes preferidas, mas como cantora eu prefiro muito mais ela no Muncausen by Proxy do que no She & Him hehehe

  • Pingback: Move That Jukebox! » She & Him tocam “In The Sun” no talk show de David Letterman()

  • Emilie

    Achei meio siniistra a idéia do Neto sobre a boneca da Zooey cantando… rs
    Destaque pra *brand new shoes*, alguém mais também se apaixonou pela faixa 12? 😀

    A tais falou comparou a Scarlett J. com a Deschanel, eu realmente prefiro a Zooey, diga-se de passagem, mas eu queria saber se alguém já ouviu o disco que ela gravou com o Pete Yorn ano passado, o nome é *break up*, eu ouvi o trabalho solo dela ( da Johansson) e detestei, mas o cd com o Pete Yorn ficou muito bom! Eu recomendo… 🙂

    O *volume two* é brilhante!

  • Pingback: Move That Jukebox! » Sorteio: concorra ao novo disco do She & Him()

  • Pingback: Move That Jukebox! » Sorteio: discos de vinil importados do She & Him e Girls()

  • Vinicius Lunas

    Como cantora Zooey é excelente. Uma voz doce e suave e ao mesmo tempo marcante e junto com M. Ward She & Him se torna irressistivel, mas quanto ao fato dele ser o cabeça do grupo descordo, pois as letras são todas dela (fora as covers claro).
    Quanto a carreira de atriz a Zooey ainda precisa melhorar mas tem muito potêncial vide 500 days of Summer, Yes, Man, Gigantic, ‘O guia do mochileiro…’, All the Real Girls, Manic, Flakes as participações em Weeds e em Bones. Tem algumas falhas como the Happening e a série Tin Man mas os acertos são maiores…

  • Pingback: Move That Jukebox! » Clipe: She & Him – Thieves()