Show fraco não deu conta de homenagear a genialidade de Jorge Ben Jor

[NOTA DE ESCLARECIMENTO] O texto abaixo foi taxado de machista no nosso Facebook. Primeiro motivo foi ter feito comprações entre as duas cantoras que se apresentaram e o segundo motivo foi por falar das roupas das mesmas. Por isso, como editora do Move That Jukebox gostaria de pedir desculpas e dizer que o texto não será alterado para que todo mundo que leia, tire suas próprias conclusões. Aqui também vão algumas explicações.

Falei aqui sobre a roupa que a cantora Nayra Costa usava e infelizmente, a luz utilizada no palco não a favoreceu e muita gente prestou atenção no quão transparente a coisa ficou. Isso acabou me chamando atenção. Além disso, infelizmente Nayra não se destacou na apresentação. Deu para ver que não é uma cantora ruim, tanto que estava bem em “Taj Mahal”.

Depois comentei sobre o figurino utilizado por Xênia França e brinquei ao dizer que ela “estava sexy sem ser vulgar” e comentei seu figurino por que de fato, ela estava ali no palco dona de si, da sua voz e de seu corpo. Não coloquei isso com essas palavras, mas foi essa a intenção. Pena não ter ficado claro.

A outra crítica veio do fato de ter feito comparações sobre o carisma de uma ou da outra. Da superioridade de uma ou da outra. As comparações foram inevitáveis, pois as duas cantaram juntas algumas das canções e dava para ver que Xênia dominava o palco. Dava para ver que ela estava sempre ali do lado de Nayra, nunca querendo estar acima dela. mas do lado. Deu para ver que nela havia um espírito de parceria mesmo, de irmandade, que não ficou, de fato claro no texto. Agora, uma coisa não retiro. Teria dado mais músicas para Xênia e Russo cantarem, do que para Nayra e BNegão, que não se saíram tão bem assim.

Para finalizar, sobre o fato de ter soado machista, acredito que sim, isso aconteceu. Torno a pedir desculpas e a dizer que desde que entrei no comando do Move That Jukebox, tenho trazido o tópico feminismo para dentro do site, com colunas, entrevistas e matérias. E também escolhendo mulheres para protagonizar muitas das matérias. Mas, o que podemos fazer? Somos falíveis e eu ainda mais, pois nasci e fui criada como uma pessoa machista, para hoje, estar cada vez mais aprendendo com o feminismo. Em nenhum momento quis diminuir Nayra Costa, se ela se sentiu assim, peço desculpas e espero em breve assistir a um show ao vivo e trazer a crítica para o Move That Jukebox.

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Russo Passapusso foi um dos melhores da noite, mas Xênia França… Foto: Sesc Pinheiros/Divulgação

Quando se pensa em Jorge Ben Jor é inevitável pensar em animação. Tanto é que existe uma coletânea chamada Daçando a Noite Inteira (1993), que une ele a outra lenda, Tim Maia. África Brasil, disco que foi homenagedo por estar completando 40 anos, pelos músicos Bnegão, Russo Passapusso, Xênia França e Nayra Costa, no último sábado (6), no Sesc Pinheiros, não é daqueles discos para cima, mas ainda assim, não é tão baixo como foi apresentado por eles. Faltou alegria. Faltou gente pulando. Tanto faltou, que quando o disco acabou, – que é curto, apenas 40 minutos –  parte do público levantou e foi direto para a frente do palco ávido para dançar. O que aconteceu? Xênia voltou com voz e violão cantando uma música do Aláfia, “Primeiro do Ano” e logo em seguida Russo Passapusso, em uma versão guitarra e voz de “Passarinho”. O público sentou no chão.

Acho que deu para perceber que esperávamos outra coisa, quando divulgamos este show aqui para vocês, né?

Bnegão não conseguia entrar no tom em “Ponto de Lança Africano” (Umbabaraúma), acertou um pouco em “Hermes Trismegisto Escreveu” e “Meus Filhos, meu Tesouro”, inclusive se emocionando ao explicar que sempre gostou da canção e que depois que virou pai, ela ficou bem mais profunda. A menina Nayra Costa tentou também, mas… Ai, gente, ela tava com um vestido branco e uma calcinha que marcava tudo e eu muitas vezes esquecia que ela tava cantando e ficava era prestando atenção nisso. Nem foi uma questão de tom dessa vez, mas de não combinar aqui.

Se alguém brilhou e brilhou muito, essa pessoa foi Xênia França, que está aí lançando sua carreia solo e é a voz feminina do Aláfia. Vestida com uma saia longa com um belo de um rasgo que deixava uma das pernas de fora, e um top branco, na brincadeira, a moça pode entrar na definição, sexy sem ser vulgar. Xênia entrou para cantar “Xica da Silva” e que versão! O que não deu para entender mesmo, foram as imagens que passavam no telão. A música trata de uma mulher forte e mais, de uma mulher negra a frente de seu tempo. Daí, tinha umas imagens de duas meninas dançando e que pareciam estar nuas.

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Onde este cidadão estava com a cabeça? Mulher não é sinônimo de nudez e sexo não, amigão! Segundo o cartaz, os VJs da noite eram Carol Shimeji e Droo Droo. Evito acreditar que Carol tenha algo a ver com isso. Isso tanto não foi agradável, que ao final da apresentação, Xênia mandou na lata: “Não a hipersexualização do corpo da mulher negra”. Não mesmo!

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Finalmente “Taj Mahal” para poder dançar. Foto: Sesc Pinheiro/Divulgação

Toda a vez que entrava, Xênia roubava a cena e não tinha como fazer. Nayra não conseguia atingir nem o carisma e nem a qualidade da voz da moça, quando cantaram “Camisa 10 da Gávea”. E a cantora ainda é muito genorosa, tentou o tempo todo ficar de igual para igual com a Nayra, mas estava clara a sua superioridade. Até não entendi, porque ela cantou tantas músicas. Ninguém viu Xênia cantando nos ensaios não?

Russo Passapusso teve uma participação ok. Cantou “Cavaleiro do Cavalo Imaculado” e “África Brasil”. Na primeira não foi tão bem assim.

Pelo menos, tudo terminou com “Taj Mahal” e um lindo “Fora Temer!”.

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