17 out 2012

SILVA – Claridão

Por  @16:29

Lúcio da Silva Souza, o SILVA, é o tipo de “novidade” que dispensa apresentação. De tão falado no circuito de blogs especializados (e indo até além disso), Claridão chega num confortável cenário onde não soa exatamente como uma estreia, soa mais como um complemento ao EP lançado no ano passado. Todos esperavam pelas velhas canções, por aquelas que já apareciam em alguns shows e por poucas novidades. Era como ver uma obra sendo feita em tempo real  – coisa que não soa nem um pouco absurda em nossos tempos.

Sendo assim, o disco já chega com uma espécie de vitória no primeiro tempo, esperando apenas a administração do resultado no resto do jogo. É claro que o capixaba também entra na partida enfrentando o público que só vai conhecê-lo agora e jogando com uma pequena torcida contra, mas, com uma segurança de capitão, SILVA parece saber bem o que está fazendo.

Apesar das analogias com futebol e do nome do projeto mais que brasileiro, o álbum Claridão não mostra exatamente um som de características brasileiras. Não que isso exista de fato, mas a busca de Lúcio por sonoridades, digamos, normalmente relacionadas à nossa cultura, parece algo natural quando exibidas – um suingue meio latino por aqui, um Caetano por ali. Aliás, esses momentos se envolvem muito bem com a sonoridade eletrônica chillwave e também nas sugestões que fogem desse formato e que talvez lembrem um Beirut, mas sem a aura de maldição que se arrasta pela música recente, e talvez a formação de violinista e as referências eruditas no piano sejam as responsáveis por isso.

Essa obrigação de soar “brasileiro” nem existe também, na verdade. Fica claro que a intenção de SILVA era impressionar de maneira sincera e, mesmo que não fosse assim, o disco mostra uma exatidão de melodias e arranjos que, mesmo nas falhas, não se parecem com tropeços – a impressão que fica é que até os erros são cálculos de um rapaz produzindo o próprio disco, impaciente, montando-o como um quebra-cabeça e forçando as peças até que se encaixem (mesmo que no lugar errado).

Funcionando quase como uma esponja de influências, SILVA despeja o sintético e o orgânico assimilando diferentes influências, principalmente da música recente, mas procurando organizá-las em uma identidade para si, o que auxilia na coesão do álbum, sendo mais profundo em momentos como “2012”, “Imergir” e “Posso”, e mais relaxado como em “Moleton”, na dançante e já conhecida “12 de maio” e no filhote de Passion Pit “Claridão”, que pode te colocar pra balançar com seu piano que lembra muito “A dança do passarinho”. A dinâmica do álbum, inclusive, auxilia a relevar alguns equívocos como “Acidental”, uma boa música que parece um tanto perdida ao longo das faixas, e “Mais Cedo”, que parece abusar demais dos clichês de produção eletrônica e soa constrangedora em certos momentos.

Se você encara como um disco de estreia ou mesmo como uma continuidade de um trabalho já previamente apresentado, não importa: Claridão é um dos registros mais criativos do ano. Criativo não necessariamente quer dizer original, porque não é totalmente. Também não significa que temos um artista em seu auge e solto de todas as amarras. SILVA ainda parece engessado em raros momentos – apesar da voz doce, por vezes ela soa automática – e deixa claro que, certamente, pode evoluir muito em próximos registros.  O álbum de estreia de Lúcio da Silva Souza é um acerto sincero, esforçado e nada preguiçoso, como todos os discos deveriam ser, e por isso é tão espantoso isso ter que ser exaltado como excepcional. Nas mãos de SILVA, parece obrigatório (e fácil).

Existem 8 comentários sobre este post.

Comentários

Alison 17 out 2012

tu só curtiu por causa da galera com cabeça de animais…

Gustavo 17 out 2012

Gostei bastante do album, “Falando Sério” é a melhor na minha opnião.

@igordisco 17 out 2012

To ouvindo… É pra frentex, tem umas músicas bem legais, mas ainda falta um James Blake inteiro para ele soar perto de James Blake.

Pedro F. 18 out 2012

po eu adorei o disco.

paulo 18 out 2012

As músicas são uma obra de arte musical. Finalmente voltamos a ter orgulho da MPB e podemos divulgar algo relevante além de “eu quero tchu”….

Sagaz Mordaz 21 out 2012

falam mal de “eukerotcha”, mas num futuro não muito distante irão enaltecer – vide Raça Negra!!!

Marcilene 12 nov 2012

Suave e forte e não enjoa, a voz não sobrepõe a letra e também não é morta. Delícia de ouvir

Wanderson Bruno 12 dez 2012

Eu gostei, principalmente de “Claridão” e “2012″.