Sleigh Bells - Bitter Rivals

Sleigh Bells
Bitter Rivals

Mom + Pop

Lançamento: 04/10/13

A combinação de batidas gigantescas com os riffs distorcidos de Derek Miller e os vocais quase infantis da Alexis Krauss não deveria dar certo, mas dá. E assim, em 2010, o Sleigh Bells estreou com Treats, um disco divertido e muito original. Pouca coisa mudou na sonoridade da banda entre esse álbum e Reign Of Terror, seu sucessor. A variedade das faixas da banda vem do equilíbrio entre as melodias vocais grudentas de Krauss e os riffs barulhentos de Miller: às vezes eles fazem faixas mais tranquilas nas quais a voz tem maior presença (como”End of the Line”), outras vezes colocam a guitarra na posição central (como em “Kids”). Mas as melhores faixas do grupo são aquelas em que esses dois elementos trabalham juntos, e Bitter Rivals, o terceiro álbum da dupla, é cheio delas.

Essa não é a única vantagem que esse disco tem sobre os anteriores do grupo. Krauss e Miller construíram um som monstruoso, que parecia a junção de um coro de cheerleaders com uma guitarra muito danificada e uma bateria tocada por um rinoceronte, tudo isso gravado de forma super estourada. Com uma sonoridade tão interessante, era meio natural que a atenção à coerência e clareza das canções ficasse num segundo plano meio distante. Mas após dois discos de prática, a banda nova-iorquina conseguiu, nesse trabalho, fazer algumas das músicas mais bem construídas de sua carreira. O exemplo mais claro disso talvez seja “Young Legends”, uma faixa tão ruidosa e cheia de ideias quanto se espera da dupla, mas que apresenta e retoma suas ótimas melodias de uma forma organizada. Isso a torna ainda mais interessante, e potencializa a “grudência” de seu ótimo refrão.

Praticamente todas as canções do álbum se beneficiam dessa nova capacidade da banda de estruturar suas canções de forma mais direta e impactante. “Sugarcane”, com sua guitarra e bateria barulhentas e melodia vocal divertida, é uma faixa típica da dupla, mas arranjada de forma a tornar mais fácil entender o que acontece nas músicas e aproveitar melhor cada seção. E a mudança de dinâmica em “Minnie” fica ainda mais impressionante por conta dessa melhor articulação entre as partes: no refrão, Krauss vai de menininha a mulherona em um segundo, e dá ainda mais peso ao riff. “Sing Like A Wire” e a faixa-título também vêem a voz da cantora passar por uma transfiguração instantânea semelhante, e são melhores por isso.

O álbum também conta com algumas faixas ligeiramente mais tranquilas, que dão variedade ao disco e mantêm a audição interessante. É o caso, por exemplo, de “To Hell With You”, que apesar do título agressivo é uma das mais suaves, ganhando o posto de sucessora da bela “End of the Line”, do Reign Of Terror. Um pouco mais barulhenta, mas ainda mais calminha que o resto do álbum, é “Love Sick”, que fecha o disco muito bem, divagando para uma parte bem suave após seu segundo refrão. As outras canções mantém um nível de volume bem elevado, mas a média de “ruído” nesse disco parece ser um pouquinho menor que os anteriores: não há nada aqui como o final de “Infinity Guitar” ou de “A/B Machines”, que pareciam tentar derreter o rosto dos ouvintes com puro volume.

É possível reclamar que o disco não traz nenhuma mudança considerável à sonoridade básica do Sleigh Bells, que já começa a perder o gostinho de novidade. Mas esse álbum parece realizar melhor que os outros essa sonoridade, tornando-se o mais facilmente apreciável da dupla. Outra crítica possível seria que o disco não varia muito, além de uma ou outra música um pouco menos ruidosa. Mas com alguns segundo a menos que meia hora, Bitter Rivals acaba bem antes de perder a graça. É um ótimo disco, que mostra a banda desenvolvendo sua sonoridade autêntica e original da melhor forma até agora.

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